sábado, 10 de dezembro de 2011

Um senhor



Conheci um homem. Um homem de grande coração, meio mole, pois então. Um homem artista do tempo pintado por cabelos brancos. Levava consigo estórias e dentre elas, uma de amor por oito almas, metade delas feitas, metade resgatadas. Aquele senhor simplório tinha os olhos bons, não menos sofridos, mas bons. Já tinha idade para desistir como muitos por aí. Mas não, ali estava ele de pé, contando-me seus causos.

Eram contos da vida. Sua e só sua singela vida. Lá trás, a superação no sustento de sua faculdade pelos dotes de mecânico que aprendera com o pai. Vivera a infância numa mecânica. Imaginei uma criança de olhos atentos, de suspensório e sapato surrado, argüindo com o pai o funcionamento de máquinas agrícolas tão complexas. Tornou-se doutor. Exercia então a arte de ser médico. Tinha sonhos e ideais na época... agora daquilo nada mais senão sua coleção... suas lembranças de então.

Pois, contou-me suas façanhas de corrigir carros desgastados. Era o brilho que voltava aos olhos. Enrustido de talentos mil, sua coleção de fuscas construiu. Porém exaltante se viu, quando sua especialidade definiu: “sou afinal especialista em DKVs”. O sorriso era contagiante. Senhor do tempo e da paciência, mostrava-se exemplar raro de humano.

Mas algo não saia de minha atenção, sua caixa pequena e transparente com pequenos objetos comuns aos olhos. A caixinha tinha uma feição caseira e nostálgica: um carretel de linha de costura, uma tesourinha, uma rolha de garrafa e uma fita métrica (aquela fita enrolada das costureiras). Obviamente perguntei: “desculpe meu senhor, mas porque trazes tais objetos ao seu labor?” Ele de pronto não respondeu as funções de cada um, mas logo mencionou o nome de sua avó. Estava ele ali, mais uma vez fazendo uma viajem ao tempo. Contava-me: “naquele tempo minha avó possuía aquelas latas onde eram armazenados produtos vindos da cidade, eram raras e por tal, minha avó a utilizava para carregar estes úteis instrumentos, com a diferença que o carretel era feito de madeira.” Agora seus olhos sonhavam a sua infância. Tudo aquilo era bonito e meigo. Era sua identidade resumida a uma caixinha. A caixinha de sua avó.

Ali naquela conversa “de café-da-manhã” eu descobri quão bonito é quando nossa identidade se constrói nas coisas mais simples da vida. No cheiro do pão fresco e de grama molhada. Na sensação de frio debilitante da primeira onda de um mar gelado. Do sorriso dos primos, dos pais, dos irmãos... Do sofá, dos cochilos da tarde, da preguiça. Da recepção calorosa de um cão.

Na despedida daquele encontro singular, as almas agora estavam serenas. Afinal, tudo é tão frágil e mutável, que abençoados são os dias de um homem quando a contemplar este sopro de vida. Bom foi aquele dia.

Fernando Wolf

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Em Um Mundo Melhor


Em Um Mundo Melhor.  Contém conceitos de enfrentamento do ódio e da raiva. Ganhou seu merecido Oscar de melhor filme estrangeiro (produzido na Dinamarca). Particularmente, gostei muito da atuação do Mikael Persbrandt, que demonstra uma luta para demonstrar os princípios mais elevados aos filhos.
Um filme que instiga e inspira. Muito bom! Assistam!


Fernando

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011




Se pudesse escolher, apaixonar-me-ia por ti
Em ti toda mesura de minhas vestes
Todo o gosto da serenidade de tua arte
Em virtudes de uma dama construída
De alma forjada duma amazona rija
A balançar em véus de seda delicados
A tua tez acaricia minhas retinas que suplicam
Pelos teus olhos negros da cor da noite
Que por agora reluzem a tua alma ao longe
E caminhos outros se fazem alumiar
Por quanto, aqui me faço ainda cego a pedir
Que tu venhas um dia, as pedras, me mostrar

Fernando Wolf

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Diálogos com Zygmunt Bauman » cpfl cultura

Diálogos com Zygmunt Bauman » cpfl cultura

Sobre a contemporaneidade: redes sociais, conexões, comunidade global. Muito interessante as palavras deste sociólogo que acompanha "ao vivo" o transformar-se da história há muitos anos. Não é cansativo, são 30 min. Bom vídeo.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011



Talvez quando não houver mais nada para escutar, se acabe de uma vez o meu escrever
Talvez quando tudo que já gostei e amei se for e nem da dor eu mais sequer dispor
Talvez eu não mais sinta a nostalgia da mente, num engolir d`água sem o sentir de seu sabor
Neste dia o pêndulo dum tempo eterno se fará estático, nem o bem nem o mal hão de ali jazer
Talvez a vida neste ponto faça-se recolher e eu já me coloque em nirvana sem pranto nem canto
E o nada se fará grito até que meus ouvidos nada mais possam escutar, senão àquela voz,
A voz do todo, a voz do meu silêncio...

Fernando Wolf

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

domingo, 23 de outubro de 2011



Discreta beleza escolhida atrás de teus olhos determinados
Este olhar desviado convence mesmo a homens desolados
Timidamente o vermelho de tua boca lambuza meus pensamentos
Em um frenesi jogado, o tabuleiro agora montado
O teu cheiro de fêmea arranca meus sentidos
Lança meu corpo e eriça meus pêlos
Te pego os cabelos, beijo tua boca entreaberta
Sinto-te a boca quente suave em meu rosto  
Quero-te, agora já tens de mim tudo, qualquer coisa!
Um homem curvado de joelhos em seu último apelo
Entre as tuas pernas com a face voltada ao teu âmago
Sente o poder em teu ventre, fonte dum  pulsar de toda a vida
Agora sou teu, peça-me o que quiser...
Neste seduzir armado, és agora senhora e eu, teu criado

Fernando Wolf
Livro de Talal Husseini "A Paz Guerreira"


"Para o falcão poder pousar, é preciso que o ninho esteja preparado."

"Meditar é silenciar-se em Deus."

E por aí vai....

Onegin And Tatiana ~ Secret Longing

Renee Olstead - Taking A Chance On Love


Teu sorriso é lástima sem lágrimas
Teu sorriso é inferno quando sem chama

Teu sorriso é doce a mostrar tua alma por inteiro
Teu sorriso é riso quando ris com olhos teus

Teu sorriso é meu, eu o guardo comigo
Teu sorriso tem segredos e a chave tenho eu




Fernando Wolf

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Nigella Feasts - Chocolate Heaven: old-fashioned choc cake



I just want a lady like that on my house... Asked too much?

terça-feira, 18 de outubro de 2011






Se o destino se faz conectado,
O significado é acolhido em pretéritos peregrinados

No sentir alguém, o ver de todo o sentido
Potente tornam-se os caminhos ainda enrustidos

Ao lembrar um bem que já se foi, presente...
Ali sempre, o amor esculpido das almas inocentes

Pois em vão as valsas nunca tocarão
Ao som da vida, o bailar dos encontros se dão

O destino toca o âmago de cada ser
No morrer, o continuar da coreografia a envolver

Pois em universos maiores junto ao todo
Dá-se a amálgama de todas as almas em seus engodos

Tudo, no todo, se faz rio montanha abaixo
Mudo, mutável, num sentido, o todo inevitável

Bom e belo seria se, sem medo
O mundo se pusesse em desapego

Num contemplar da pureza das borras de café
Sob o aconchego da face nas linhas das mãos, da fé...

Bom seria chorar, mas enfim, não lamentar
Bom seria entender que o nosso destino, é ser...

Sê todo! Sê corpo, sê instrumento da tua alma
E não a faça escrava de um corpo tolo

Aconchega em teu EU o que nunca nasceu
Nem sequer um dia, já morreu...

O que se faz sempre eterno e real
Não pode ser ignorado por ilusão tal

O que se faz grande e infinito
Não pode ser substituído por nossos gritos

O efêmero é vida e vão
Deixemos à alma o dar do nosso pão



Fernando Wolf

domingo, 9 de outubro de 2011

Maria Bethânia recita Eros e Psique de Fernando Pessoa

'

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
Do além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino -
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.

E,inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão , e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia."



Un Cuento Chino - Um filme bom de assistir... Se quiseres entender esta vaca, assista ao filme! Mesmo assim, não entendendo, volte aqui e discutiremos! Vale a pena!

domingo, 2 de outubro de 2011



Se faço dividir eu, movo-me a colidir
Em vales de lados escuros, sem luz, sem um

Se faço encontrar eu, contemplo-me
Em praias de sol, deitado sob um rumar só


Fernando Wolf 

Dave Brubeck - Take Five - 1966


Um grande clássico!! Aproveitem e associem um vinho a isso tudo! Bom, bom, bom!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Eli Pariser: Beware online "filter bubbles"


Atenção!!! Internet um meio de livre informação?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Para comemorar as 2001 visualizações:
O vale que eu mais amo

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Tony Bennett & Amy Winehouse - Body And Soul



Amy, Amy...
And Tony Bennett!
Que encontro!!!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011


Sabe, hoje eu fui te visitar. O mundo aqui em baixo continua parecido com o que tu deixaste. As mesmas pessoas, os mesmos problemas. Mas eu me sinto diferente, tanto é que eu estou aqui hoje lhe visitando pela primeira vez, sozinho. Ignore minhas lágrimas, elas não condizem com o que eu sinto. Eu estou bem, muita coisa mudou em mim desde então. Eu hoje trabalho. Sei que querias me ver com o canudo na mão, mas entendas que o fato de não teres presenciado minha formatura não diminui a sua participação naquilo tudo. Senti teu sangue vertendo nas minhas emoções naquele dia. Senti o senhor em meu pai... Senti minha fala tremer ao lembrar-te, senti que estavas perto.
Meu coração também passou por poucas e boas desde então, mas eu sei que tudo isso serviu-me de algo e hoje, como te disse, eu estou bem.
Sinto tua falta, mas estou em paz, não me revolto mais. Acho que por isso vim. Entendi a tua paz. Isso me deixa feliz. Vou vir mais vezes. Quero que saiba que foste importante aqui e que agora damos continuidade a tudo, com erros, com acertos, mas saiba, só continuamos, porque fizeste tudo isso possível! Eu te amo e não sei por que não expressei algo tão obvio quando ainda estavas vivo. Pois sim, te amo. Fique bem. Levei aquelas flores velhas embora. Outro dia levarei umas mais bonitas. Ah, o Grêmio ganhou! 2x1! Até mais!

domingo, 25 de setembro de 2011

Ron Mueck



As esculturas de Ron parecem ter alma, almas melancólicas... Lindo trabalho!

Flores de plástico X flores (simplesmente flores)




Eu quero que você plante flores, eu quero que você colha flores, eu quero que você escolha as flores e às harmonize com a arte que reflete o seu coração. Eu quero que você vá a floriculturas de verdade – com flores de verdade – e sinta o prazer de cuidar e cheirar algo tão vivo quanto o amor de sua alma e tão efêmero quanto a vida que pulsa em seu peito.
A arte representa o exclamar da relação individuada de um ser com o seu mundo – entendam-se aqui os vários mundos, internos e externos, reais e inventados. E porque escolher flores vivas às plastificadas? Pois entenda aqui, cada um é dono de suas escolhas. Porém, eu quero provocar suas escolhas, eu quero provocar a sua arte!
Agora imagine você comprando uma flor de plástico – da China, do petróleo – “é tão perfeita que parece real”, mas... não o é. “Ela não dá trabalho”. Nem o trabalho de admirá-la nos dá mais. Afinal aquele aglomerado de plástico está ali por estar, não precisamos aguá-lo, nem tocá-lo e nem sequer cheirá-lo. Este é o seu papel depois daquele primeiro vislumbre, o de ocupar aquele espaço. Aquela “orquídea” de poliestireno, se desgasta não em sua cor, mas em sua presença. Não se destaca mais às nossas vistas desde os primeiros dias. Aquela “orquídea” agora faz parte do ambiente, como uma parede lisa qualquer.
Veja bem o ritual de uma flor de verdade que chega a sua casa: A semente é plantada e regada todos os dias. Cresce então o caule com folhas tímidas que ganham coragem com o tempo e se despontam no vento levando a energia do sol para que, num estopim de beleza, floresçam as mais iluminadas flores. Algumas fazem lembrar-se por serem cheirosas, outras por suas exuberâncias e outras simplesmente por serem diferentes.  Lembremos de que cada mulher tem a sua preferida, cada homem deve saber a flor de sua mulher, do contrário, “um... rosas de novo...” Agora visualize você comprando flores, cheirando as margaridas, misturando diversas flores (girassóis, flores do campo, etc.) num mosaico colorido. Já na sua casa, você retirando as flores velhas e agora as substituindo por nova vida, novos aromas, renovando o ambiente – refletindo a vida, num pulsar de movimento e mudanças. Lá você, trocando a água ou regando as flores que permanecem na terra, as vendo crescer e florescer. Lá você presenteando a quem ama, toda semana, todo mês, toda data especial! Tornamos assim, com este carinho, cada flor única, que esta ali a nos cativar com um único propósito, de mostrar num soprar de vida, a sua beleza a enfeitar as nossas próprias.
Compre flores, plante flores, enfeite sua vida com flores. Nosso viver merece vida, nossos bem-quereres merecem receber flores perfumadas e coloridas! Mostre seu coração, mostre sua emoção, mostre o seu carinho e receba em flores a arte do seu viver!


Fernando Wolf
Sugestão de tema e inspiração: Paulo Wolf
Fotografia: Thayne Soldatelli Andrade


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Feist - Secret Heart (Paris)


OM - A primeira silaba, recitá-la o abençoa para atingir a perfeição na pratica da generosidade.
MA - Ajuda a aperfeiçoar a pratica da ética pura.
NI - Ajuda a atingir a perfeição na pratica da tolerância e paciência.
PAD - Ajuda a conquistar a perfeição na pratica da perseverança.
ME - Ajuda a conquistar a perfeição na pratica da concentração.
HUM - Ajuda na conquista da perfeição na pratica da sabedoria.

A senda das seis perfeições é a senda de todos os budas. Cada uma das seis silabas elimina um dos venenos da consciência humana.

OM - Dissolve o orgulho
MA - Liberta do ciúme e da luxuria.
NI - Consome a paixão e os desejos
PAD - Elimina a estupidez e danos.
ME - Liberta da pobreza e possessividade.
HUM - Consome a agressão e o ódio.



Fonte: http://tresluastarot.blogspot.com/2010_09_01_archive.html

sexta-feira, 16 de setembro de 2011




A humanidade constrói-se como formigas que esqueceram o tipo de formigueiro onde vivem. Eis um caos egoísta. Eis um mundo de formigas pouco altruístas. Eis humanos quase cegos de suas vistas.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011


Sou um louco...
Louco insensato louco
Destes de alma ainda pura
Que atendem às vergonhas duras
Dos males duma mente escura
Que nada sabe sobre o amor
Por toda tua dor, por agora
Deixe-me, meu Deus
Me deixe...


Louco!
Seu louco desvairado louco
Deixa-me completamente doida
Faz-me bela e sem espera
Despede-se do que há dentro de mim
Sem fim,
Ficamos neste inferno, o despedir eterno
Desejo incontrolável do teu cheiro
Ó meu bem,
Deste jeito não mais quero!
Deixe-me
Só desta vez...
Me deixe!


Sim um louco
Belo exemplar singelo
De nada do que há no castelo
Um príncipe de araque, um Otelo!
Joga com brilhantes o teu jogo
Pois sabe que não passa de um tolo
Que acredita naquela que já não mais espera
O seu louco,
Sim um louco...


Meu louco
Irresistivelmente insano
Proclamo,
Tu já não és mais toda prata
Que enfeita as minhas serenatas
Meu tolo, meu amado tolo...
Por agora,
Saia desta alma que infestas
De amor os desejos deste adorno
Aqui no seu bem já não mais resta
Nem sequer um beijo meu
Adeus

Ah um sufoco!
Nem sequer sinto mais meu rosto
Minhas vestes ardem no meu corpo
O chão dói com todo desgosto
Já era tempo,
Longe deste ventre que ainda treme
Levo só o que resta desta festa
A dor mais doce do teu
(do meu)
Adeus...

Adieu ma chérie...
Au revoir pour toujours





Fernando Wolf



Inerte o corpo lambe o dia
Nada fere, nada cai, nada sente
Um dia coerente de monotonia
Ressaca de toda aquela judiaria



Fernando Wolf

Foto: Thayne Soldatelli Andrade


Aloe Blacc Momma Hold My Hand


To my mom!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011


Quando entramos num estado de tristeza – de qualquer tipo – temos aquele sentimento de estar em um perpétuo e infindável banzo. Parece que nunca vai acabar – nunca mais, nunca!!!

Já a felicidade é tão findável quanto bolhas de sabão. Elas são bonitas, lembram as brincadeiras de infância, mas logo estouram e lá junto vai-se todo o encanto.

Aí que a diferença faz-se proposital. Do lado cinza da tristeza o sentimento de um pesar perene – que de eterno só o seu mudar de forma – dá-se justamente como meio de levarmos realmente a sério nossos sentimentos. Com isso passamos a ouvir com maior atenção a nossa essência falar. “Isso vai longe, é bom ouvir o que vem lá do peito!” Tirando os perversos de mente, ganhamos com isso a bênção de um pouco mais de sabedoria. Descobrimos que os voltares aos mesmos caminhos espinhosos, trarão novamente "eternos" sangrares – e aqui ninguém quer ficar anêmico! Ou pelo menos um dia cansamos desta palidez...

A nossa amiga felicidade vem a conta-gotas, pois, do contrário, não valorizaríamos os presentes que a vida nos dá. Seria uma mesmice retroativa de endorfinas. Ninguém sentiria da forma intensa a felicidade  que nos encontra várias vezes ao dia – quando a buscamos... claro!

Lembra aquela do Vinicius – de Moraes, Who else? – “A Felicidade”:

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranqüila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A felicidade é uma coisa boa
E tão delicada também
Tem flores e amores
De todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo de bom ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato dela sempre muito bem

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sarah Chang - Chopin Nocturne Violin NEW




À meia luz de lembranças frias
Deixe por agora o homem em paz
Onde se possam mirar as nogueiras
Por entre folhas e galhos ao vento
E ali, no repousar dos meus olhos
Á sombra calma de suas raízes
Nada a ter, nada a sentir, nada a escutar
Senão o silêncio de um agora fugaz


Fernando Wolf

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Aloe Blacc - Green Lights (Official Video HD)


SOMETHING SPECIAL...

Claudia Cardinalle! Sua juventude... seus olhos...



Um artista dança por entre suas fantasias
Baila na existência arremessando-se por entre os olhos
Molda máscaras e enredos à essência das escolhas
Descuidado! Atrela-te por entre fragmentos criados
A dúvida do fardo arremessa ao longe o eu
O olhar do “ser”, a cada papel, faz esquecer o pouco de si
Agüente até o fim da peça, pois ainda estás no bastidor!
Ego meu... meu ego quer finalmente ver-te no espelho
Se teus véus permitirem, serás comandante da essência
Sê protagonista do eu e ali sim, o viver se fará verdade
Atuarás no epicentro do existir, não mais em seus papéis
Terás então a riqueza de teus olhos, sedentos de tua vida 


Fernando Wolf


sexta-feira, 26 de agosto de 2011


As pernas balbuciam misericórdia
Curvam-se perante a labuta do dia
A pupila se faz a meia luz apagada
À meia sombra de pálpebras pesadas
O corpo pede pelo recosto das costas
O peito inspira a esperança do dia
A noite anuncia o sono bom daquele
Que deu de si, com labor, o seu dia

Fernando Wolf

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Curtir o normal eu?
Sim você...
Até o parque então!
Te amo!
C`est la vie
Não, é para você
Mon amour!


EXCLUSIVE 'High & Dry' Jamie Cullum live stage camera footage

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Um mundo velho



O mundo está ficando velho. Teremos que aprender mais e mais a conviver com os velhos, ou melhor, teremos que ensinar mais e mais esta convivência. Afinal seremos nós os velhos do futuro. Atualmente, temos 15 milhões de idosos no Brasil (8,6% da população) com a perspectiva de chegarmos ao dobro de idosos em 20 anos (13% da população). Há a tendência de uma melhora na qualidade de vida do idoso. Teremos um maior número de idosos alfabetizados, com maior poder econômico e se concentrando mais no meio urbano (onde há maiores condições de cuidados). Assim outra realidade está se moldando, aí a necessidade de um olhar mais cuidadoso com nossos idosos...
Assisti há muito tempo, uma reportagem onde um ator jovem se vestia de velho corcunda e andava pelas ruas. Foi uma surpresa quando se viu certa brutalidade com o “idoso” enquanto todo mundo (espectador) esperava calma e compreensão. Não sei se aquilo era medo projetado ou falta de educação mesmo (mais provável). O fato é que poucos param para olhar alguém de mais idade quanto as suas necessidades.
Observo os velhos. O seu andar lento e dificultoso. Por vezes, o entrave é doloroso e visível em suas faces enrugadas. Ver o velho angustia ao novo. Ali se projeta o futuro do novo. Ninguém quer perder sua vitalidade, seu tesão, sua pele macia, seus joelhos capazes e articulados. Muito menos, portanto, antever a tudo isso. Acho que por tal fato, tantos os ignoram. Quanto mais vêem aos velhos, mais se vêem próximos, maior a angústia, mais fácil a negação. Mas gosto de observá-los ainda assim. É quase um exercício – de empatia – olhar, deixar de lado seus medos, e observá-los.
Gosto de ver seus olhos profundos, tristes, distantes, atentos, curiosos, saudosos... Há muita história ali. Até porque a natureza tende a desprivilegiá-los de suas memórias recentes – talvez para esquecer mais fácil suas tão atuais moléstias. No entanto não os priva tão facilmente de suas doces recordações. Falam – e como gostam! – dos grandes feitos, das guerras, das dificuldades, como tudo era mais difícil e de como superavam tanta adversidade. São boas as suas histórias.  Ainda mais aquelas felizes, das aventuras de seus filhos – hoje já marmanjos – das suas empreitadas pelo mundo afora, dos “causos” ocorridos em suas comunidades que chocaram na época. Tudo cheio de emoção que faz os olhos até hoje se curvarem às lágrimas. Quantas glórias naqueles seres franzinos já se fizeram presentes, quantos amores já foram vividos, quantas desilusões também, quantos perdões já se deram para permitir o continuar da vida...
Fica um propor da empatia, pois além de maior atenção e compaixão para quem os anos deram o seu merecimento, a empatia é um exercício de preparação aos nossos inevitáveis futuros. Talvez o encarar da velhice como algo mais natural e presente, nos tire um pouco está atual e epidêmica corrida ­– estética e “mental” – aos padrões jovens de ser. A maturidade nos dá as benesses que só o tempo é capaz de trazer, porém é de cada um aceitá-las ou não com maior naturalidade.

Fernando Wolf

Fonte de dados estatísticos:

The Pianist - Ballade no.1 in G minor op.23 (HD)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sonhos e confeitos



Os fragmentos de uma vida
Feitos com tanto zelo e amor
São pedaços de confeitos
Feitos por nossas mães, amigos, nossos animais
Tão doces e delicados derretem na boca
Lastimar seu gosto, por ser único, é engraçado
Pois nunca o tempo dará na boca o doce passado
O saborear da vida, é o engolir do confeito mais raro
Que uma vez que cai no peito
Nunca mais o sentir de seu sabor
Dos dias em que sentados à mesa
Roubávamos confeitos antes da hora
Ainda quentes saídos do forno
Sem sequer imaginar que um dia
O gosto daqueles momentos
Ficariam guardados somente lá
No bom e gostoso lembrar


Fernando Wolf

O não envelhecer




Um triste sol,
Na manhã de meu dissabor
Ilumina o meu corpo nu
A pele que sente a falta tua
Olho ao meu redor
Sinto o frio do acordar
Engulo o que tem de pior
Bebo o corpo da tua ausência

Sento no café mais chic
Da cidade mais bonita
Em busca de tua alegria
Mas ali a vida corre
Fora de minha vista
E aquela cadeira vazia
Faz-se de forma fria
O reduto de toda a dor



Fernando Wolf

Imagem:

Edward Hopper V




quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O mito da raça: em busca da pureza – Demétrio Magnoli » cpfl cultura

O mito da raça: em busca da pureza – Demétrio Magnoli » cpfl cultura


Está aí a importância da formação dos mitos. Grandes eventos na história foram gerados pela formação de diferentes mitos. Mostra-se neste vídeo que os genocídios, a escravidão e outros eventos trágicos foram justamente forjados pelos mitos de cada época. Fica a dica para parar e pensar: quais são os seus? Quais as origens dos seus mitos? Quem sabe aí uma fonte de "iluminação" para evitarmos outras catástrofes...

terça-feira, 9 de agosto de 2011



Deixa morrer, deixa viver!!
A casa é sua, faça dela o que quiser

Meu bem querer saiba que eu existo e insisto
De romances em romances
Eu vou vivendo qual Evaristo
Mas o amor não se cala
Ele faz de mim a sua sala
Ao nos vermos sempre na tevê

Deixa morrer, deixa viver!!
A casa é sua, faça dela o que quiser

Lá eu sei que vou encontrar
O amor no peito meu
A lembrar o zelo teu
E assim o viver enrubesce
Ao saber que minhas preces
Nunca mais se deram fim
Ô meu Deus...

Deixa morrer, deixa viver!!
A casa é sua, faça dela o que quiser

Fernando Wolf
Dá um samba?

Reinvenção da família – Marcelo Carneiro da Cunha » cpfl cultura

Reinvenção da família – Marcelo Carneiro da Cunha » cpfl cultura


"Estamos condenados a liberdade"! Muito bom este discorrer sobre a contemporaneidade! Vale a pena ir até o fim!

Youth Orchestra of Bahia - Tico-Tico no Fubá


A galera jovem da Bahia que apavorou em Berlim!!!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Samuel Barber - Adagio for Strings



Fite o desespero e mire o precipício
Sua fronte transpira e seu peito treme
O vazio assola e lembra o buraco da alma
Mas insisto! Se tiveres alguma coragem
Agora é tua vez de usar teus punhos
Pegue tua dor, abra tua ferida mais uma vez
Encare-a como um homem que sangra
Mas nunca curve tua espinha qual covarde
Seja o que for, olhe nos olhos e deixe-a
Mostrar-se imponente e infinita
Admire o sofrimento com teus olhos
Talvez descobrirá no teu âmago algo
Se enfrentas agora a tua lástima de sangue
Com cicatrizes no dorso, continuarás
Quando a escara arder por sobre a pele
E já cansado o corpo insistir em desfalecer
Ali encontrarás teu alento, por Deus...
Tuas lágrimas são teu forte maculado
Mire o vazio negro e não hesites
Teu coração irá desabar junto ao mito
Com o que restar forjará tua muralha
E em outras trincheiras teu corpo
Em paz e nostalgia novamente repousará
Seja o que for, olhe nos olhos do desespero
Tua dor agora enfrenta outro homem
Que nunca pensara ser capaz de o ser
Tem contigo no peito a cicatriz viva
Que rasga as entranhas e dilacera o corpo
Escute a música, escute só mais uma vez
E lembra a tua lástima, ela sempre lá...
Por outros caminhos enovelados pelo tempo
Um caminhar de um homem e seu fardo
Que de joelhos nunca mais se colocará
Escute a música... enamore-se com sua dor...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Carlos Gardel - El dia que me quieras - Tango


Acaricia mi ensueño
el suave murmullo
de tu suspirar.
Como ríe la vida
si tus ojos negros
me quieren mirar.
Y si es mío el amparo
de tu risa leve
que es como un cantar,
ella aquieta mi herida,
todo, todo se olvida.

El día que me quieras
la rosa que engalana,
se vestirá de fiesta
con su mejor color.
Y al viento las campanas
dirán que ya eres mía,
y locas las fontanas
se contarán su amor.

La noche que me quieras
desde el azul del cielo,
las estrellas celosas
nos mirarán pasar.
Y un rayo misterioso
hará nido en tu pelo,
luciernagas curiosas que verán
que eres mi consuelo.

El día que me quieras
no habrá más que armonía.
Será clara la aurora
y alegre el manantial.
Traerá quieta la brisa
rumor de melodía.
Y nos darán las fuentes
su canto de cristal.

El día que me quieras
endulzará sus cuerdas
el pájaro cantor.
Florecerá la vida
no existirá el dolor.

La noche que me quieras

Andre Rieu - Il Silenzio (Maastricht 2008) DIGITAL TV

domingo, 31 de julho de 2011

Corpos da alma


Os olhos são o corpo da alma. Não consigo vê-los como meras janelas. Pois ali é que a alma toma forma e é possível ver um algo próprio da constituição de uma pessoa. É notável o peso que tem um olhar, ele denota tanta coisa. Parece que já sabemos a maturidade que embebe um olhar, ou a leviandade que afligem outros – sem mesmo ter entrado em contato com o ser que os carregam!
Obviamente, isto se torna mais claro aos atentos e, porque não, aos de maior sensibilidade. Mas, mesmo aos desprovidos de muitas vivências, o contato dos olhos já é carregado de sentidos. Pois veja um fato que ocorrera recentemente. Uma criança e seu pai passeavam por uma galeria.  Lá havia um palhaço de óculos escuros fazendo estardalhaços para chamar a atenção para a loja que o contratara. O palhaço se direcionara ao pai e recebera um comprimento juntamente a um largo sorriso. No entanto, ao direcionar-se à criança, havia ali uma resistência. A criança logo se afastou com medo. Receio que fora quebrado instintivamente pelo palhaço ao retirar os seus óculos. A resposta da criança fora instantânea. Cumprimentara o palhaço com o mesmo sorriso que acompanhava o pai.
Vejam aí as proporções que podem levar os olhos. Os estudiosos da linguagem do corpo já dominam há tempos as mensagens subliminares dos olhos. Técnicos em interrogatórios estudam com afinco as maneira de mentir escondidas em olhares. Mas não falo desta mensagem que os olhos podem transpor. Falo do além. Chamemos de “impressão geral”.
Falo daquela impressão primeira que temos ao ver alguém. Parece que mesmo em contextos impróprios, por exemplo, onde vejamos uma pessoa cometendo erros na vida, ainda mantenhamos aquela sensação de que aquilo não seja da natureza própria daquela pessoa, pois justamente os olhos nos dizem coisas a mais. Pois aí que pacientemente esperamos, damos o tempo para que as qualidades vistas nos corpos daqueles olhos se façam presentes.
Nunca esqueço a avaliação de um professor com seus alunos. Ele dizia que para ser um bom aluno era preciso haver um “brilho nos olhos”. Obviamente ele caiu em descrédito por todos os seus alunos, inclusive por mim que acreditava que simplesmente o "estudar" era o diferencial em questão. Mas hoje penso diferente. Ele está completamente certo. O que, senão a forma dos olhos a desejar algo, a desejar o conhecimento, a mostrar a gana por aprender, poderia se fazer mais elucidativa sobre seus alunos? Pois os olhos são sim belos parâmetros de avaliação.
Sabemos o quanto alguém guarda de mágoas, sabemos o quanto aquela pessoa cresceu com suas intempéries, sabemos quem ainda sofre, sabemos quem sonha, sabemos quem definha. Os olhos tomam formas, nos dão respostas, são nossos espelhos porque não... quem aqui nunca projetou suas angústias em olhos alheios?
Os olhos são nossos corpos, são os corpos da alma que assumem suas formas, suas cores, seus amores! É desta mística forma do corpo que a alma o fez o seu próprio. Sejamos conhecedores dos demais vitrais a transparecer suas auras refletidas, nossos corpos desnudos, belos como o são em sua essência. Sejamos  estudiosos mais atentos da anatomia dos olhos. Há um universo único a ser descoberto em cada olhar.


Fernando Wolf 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Aloe Blacc - You Make Me Smile

Kids!!!


Hoje, caminhando pelo parque num dia ensolarado, após vários dias de chuva, via-se um mundaréu de pessoas felizes contemplando os primeiros raios de sol. Sentado num banco, vejo dois meninos com suas respectivas “janelas” na boca. Levavam seus carrinhos coloridos e caminhões por sobre os brinquedos. Até que, quando viram o término da "pista" daquela gangorra, avistaram com dúvida: "como iriam conduzir seus carrinhos até o próximo escorregador?" - tendo em vista que o chão era o "mar" de sua brincadeira. Um logo lembrou o outro com euforia:
- Não lembra que podemos também voar!
Saíram os dois a correr sem pestanejar com um sorriso bonito e falhado no rosto.
Pensei:
- É bem verdade... vocês realmente podem voar!!
Não podemos?

Fernando Wolf

domingo, 24 de julho de 2011

Família


A fechadura é a porta de entrada da minha casa. Lá eu coloco minha chave, minha segurança, meu amor, minha esperança, não importa o mais nem o menos que eu esteja. Sempre vai haver uma fechadura na porta. No girar da chave, a chegada de alguém anuncia com barulho cada um – e para os mais atentos, cada um tem o seu barulho próprio. Tem-se proclamada então a comunhão de seres, que fizeram do amor lei que rege os sentimentos. E não há legislação escrita. De nada vale senão as lembranças impressas na memória de cada um. Têm-se aí, infindáveis constituições, medidas provisórias e sansões.
Mesmo que por vezes a raiva se coloque nos quartos, na sala ou mesmo na cozinha, ali nunca, mas nunca mesmo, a indiferença senta-se a mesa. Impossível! O amor grita, urge, chora, pede perdão. Mas nunca se faz ausente. Pois ali, naquela fechadura, poucos têm a chave... Mas os que os têm, fazem-se presentes, mesmo quando por vezes já se foram sonhar em outros mundos.
Família tem quatro paredes, chão e teto. É ela habitável a todos. E eu tenho várias chaves. E abro a geladeira em todas! Obrigado meu Deus pelas paredes que tanto amo.

Fernando Wolf

quinta-feira, 21 de julho de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O fim do dia antevê a noite
O inicio da noite, a lua
O fim da noite, o quarto
O seu lembrar, o meu querer
O seu corpo, meus braços
O seu peito, contra o meu
O amor, só seu

Um mundo sem ações desinteressadas – Homero Santiago » cpfl cultura

Um mundo sem ações desinteressadas – Homero Santiago » cpfl cultura


Só é necessário dois cafés expressos e interesse, claro, antes de iniciar o vídeo. Do contrário... DO NOT ENTER!

domingo, 10 de julho de 2011


Num canto escuro de uma musica triste

Encontra-se o âmago insuflado da dor

Que não se faz hostil, num simples sentir

Só lembra o tolo que acreditava que só

Um dia encontraria o abdicar do coração



Lembras que na livre superfície descoberta

Da tez macia de uma pétala feminina

Há o paraíso recostado dos homens vis

A descobrir o cheiro desnudo da mulher

Nas caricias tenras de sua pelve a ir



A vir...



Pois o ardor de amantes emaranhados

A se despir em lampejos de ternura

Sábios iluminam recíprocas finitudes

E o amor floresce em rosas perfumadas

A esconder lírios brancos por sobre o peito



Não haveria outras formas de ressoar

A verdade singular da alma, o amor

De cantar por pretéritos perfeitos

Por estradas cruzadas a se espraiar

Senão pelos corações dos amantes



A amar...



Fernando Wolf

sexta-feira, 8 de julho de 2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Book of love - Shall we dance


Hakim não chores mais
Sei que estás velho e cansado
Que agora lamenta as agruras
Que já lhe fizeram do couro
Material duro e resistente

Kakim agora a vida é outra
Tem nas mãos a experiência
De anos e encontros a se perder
De cada qual a alma se fez
Em cada pulsar o seu forte

Hakim do que reclamas?
Se fostes desde tua infância
O desejo de curar a dor
A única significância clara
Que poderias dar a vida

Hakim não vês o que é teu?
Não são os bens remanescentes
Não são as horas de repouso
Não são suas vestes nobres
São as almas que curastes

Hakim, Hakim... és agora despido
De ambições e desejos pueris
Mas sabe que sempre quando
Uma alma carente precisar
Sabe que em ti há de contar

Hakim agora vá encontrar
Em tua sabedoria o conforto
Que só um Hakim retêm
Depois de tantos encontros
No ïntimo de seus semelhantes

Hakim saibas que é abençoado
Tens um dom encontrado
Um chamado a se dizer divino
Que poucos o exerceram
Outros, menos ainda, o amaram

Hakim se da tua vida querias
A tua vocação como alegria
Não deixes o espírito desfalecer
Lembre-se que se fosses morrer
Hoje e sempre, Hakim o seria

Fernando Wolf

domingo, 3 de julho de 2011


Estavam todos reunidos em comunhão de amor pela vida e pelos que ali se encontravam. A mesa redonda era guarnecida por caras marcadas pelo tempo. Eram velhos agora, eram velhos desde que os conheci, só agora, um pouco mais. Mas as limitações cresceram, as perdas se acumularam. O carregar de seus ossos pesados passou de trivial a um atual desafio diário. E alguns dos que já amaram haviam deixado para trás as lembranças e se foram deixando-os aqui neste mundo a viver os recordares.
Histórias eram contadas com vivacidade qual a de um ontem recente não fossem os vários anos que já separavam o atual do passado. O diálogo fluía e acolchoava o coração de ternura ao ver os olhos que por vezes se umedeciam de recordações. Uma história puxava a outra que se mostravam engraçadas, as risadas eram fáceis e o humor ameno. No entanto, e mantendo o encanto, intercalavam com mostras de pesares de épocas outras, mais duras e escuras. Mas havia mesmo nestas melancolias, uma amenidade que só o tempo fora capaz de dar. O negro era mostrado mais brando e o branco se fazia brilhante. Ainda não entendo o porquê deste fenômeno, mas me é sim agradável o saber de sua existência, não?
Comecei a pensar que um dia lá, frente aos novos detentores da juventude, poderia eu estar. Estaríamos numa mesa (hipotética) similar, o dia claro, o ladrar dos cães no jardim, o estalar da lenha na lareira e o frio a gelar os pés. Lá estaria a minha descendência, minha família, a carregar meu sangue, reunida em volta da mesa da sala. Lá estaria eu proferindo minhas lembranças.  Teriam paciência ao me ouvir? Ou me faria prolixo? No mais, estaria eu impreterivelmente a recordar. É uma necessidade intrínseca e visceral do humano. Mas estaria eu relembrando com a ternura que meus queridos avós agora o fazem? Pensei: “aí, no exemplo dos mais velhos de minha família, há um verdadeiro estímulo: de fazer do tempo que dispomos, um transcorrer de bons momentos com aquilo que nos é dado. Pois, é desta vida de agora que virão as lembranças que já então velhos e fadigados, iremos contar com carinho aos que amamos.”

Por enquanto fica a lembrança grata de meus avós, que trazem de seus ancestrais a essência que junto com seus viveres, norteiam os meus rumares.

Fernando Wolf
Aos meus avós Sônia, Nilza, Lothar e ao querido vô Willy (um dia ainda nos encontraremos, muitas histórias novas a contar...)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Se estás triste, ajude alguém. 

quarta-feira, 22 de junho de 2011



Sua foto logo se colocou erguida na parede, central e imóvel.  Bonita o bastante para encaixar-se entre os lençóis de sedas dos meus desejos mais secretos. Meus pés já se botavam desalinhados pelos tremores do peito. Era tarde e meu coração pulsava embebido de prazer e receio. Talvez fosse ali fonte de néctar potável, conseguiria eu beber? Pois e se fossem caules finos com espinhos eriçados, conseguiria eu segurar esta lânguida rosa?
A paixão se fez precipício mais uma vez. Olhava o horizonte e caia de joelhos numa vertiginosa presunção de receios vindos lá do fundo deste sujeito. Era possível amar por um simples ventrículo escasso que se fazia pulsar? A cada batida, um desmaio da alma. “Preserve-me” dizia ela. “Veja minhas cicatrizes! Elas não te dizem nada?”
Fitava o horizonte mais uma vez. Antes dele se colocava reto e suntuoso o precipício que, com desprezo, deixava minhas mãos trêmulas e ingênuas, não sabendo mais o que palpar.
E se não saltar, nunca mais cabelos ao vento, nunca mais dormir no relento... Comer as uvas doces e frescas de um amor. Sim, se fazem valer...
Atirar-me ao esmo... Poderia sim cair em verde relva recoberta pelo orvalho, sentir o cheiro doce do jasmim recém florescido, onde o coração pudesse enfim se recostar em paz.
Não havia nada a perder senão o perder - pensava.  Não o tinha ainda mesmo, o salto era inevitável! De mão tremulas e de fronte úmida, o corpo se fazia pesado pelo medo. Tinha que ser aquela, pois há tanto tempo que não me sentia um garoto, senão com aquela mulher. E, como juvenil de ações, fazia-me novamente tábua rasa paralisado por seus olhos como se hipnotizado fosse.
Ali estava eu atônito, mirando aquele momento, como se nada me restasse, senão um segundo antes de um começar.
- Oi! – disse a ela, com os olhos arregalados.
 - Oi seu idiota, como se atreve? – pensava eu, com um quê de desespero e sensação de morte iminente.
 - Oi! – disse ela (ah "ela"...) com um sorriso de surpresa a me fitar com os seus olhos castanhos amendoados a expor o meu reflexo, de pavor...
Via-me em seus olhos, me via em sua vida. Já ficava claro o desejo de que aquilo durasse, ao menos em mim. Sim, já começava o discorrer do discurso amoroso.


Seja o que for, continua...

Fernando Wolf