segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Primeira infância, primeiro coração





Quase todos os fenômenos que compõe uma infância, tem agregado um quê de nobreza. Até mesmo quando brigávamos, sabíamos que não era para valer. A surra não podia machucar muito. Tínhamos uma espécie de “fair play” interior, que era prontamente ativado quando passávamos dos limites.
A infância carrega lições poderosas, lições que interlaçam os nossos pensamentos e hábitos até hoje. Não é muito raro em situações que requerem um julgamento moral, seja na escolha de não estacionar em local proibido ou mesmo em escolhas que envolvam sair em vantagem por sobre alguém, algo lá, lá do fundo de nossos sentimentos, enraizados naquela criança, algo nos faz sentir a noção de certo e errado, como antes já o fora sentido.
Víamos nos olhos dos adultos a esperança refletida de nossas próprias existências. Era um peso que carregávamos e que logo se dissipava por entre brincadeiras despreocupadas. Mas sabíamos lá no fundo, que carregávamos uma responsabilidade, de seguir os nossos sonhos. Isso era sentido, parecia tudo muito claro... Uma das coisas que nos faz falta, nesta vida de gente grande, é justamente esta obviedade dos sentimentos... Agora para fazer sentido, parece que racionalizamos em tudo. As coisas precisam ter um porquê de ser. Tenho aquele relacionamento, pois já é hora de me relacionar com alguém. Todos compram, tenho de ter também. Contudo, as coisas legais da vida ocorrem justamente quando se foge disto tudo. Por isso que, após uma viajem, contamos com entusiasmo justamente as coisas que fugiram ao plano.
A vida pode ficar muito chata se abandonarmos os nossos pequenos “EU`s” . A vida pode ficar muito complexa se não seguirmos o que foi já sentido lá trás, nos redutos de uma infância pura de nobrezas. A vida é uma para não se seguir o coração de uma criança.

Fernando

domingo, 19 de agosto de 2012

Por vezes, volto a reviver o menino
é um presente dado ao peito
Sentado naquele velho balanço de jardim
A viver a inocência de um amor de altar
que insiste ali, num rumar sem fim

É... já é sabida a dor do porvir
Mas, veja bem, os ausentes já não o podem mais sentir
Afinal é um presente , não pedido, nem implorado
Pois que mal tem vestir os retalhos
para afagar o arrepio da pele,
que desfalece por nada ter


Ah sim, o discurso em monólogos incansáveis
de cartas escritas e guardadas
nunca (!) jamais enviadas
afinal a mão treme na vastidão da incerteza
na suspensa beleza deste velho advir

O usual silêncio, já não conforta mais
é preciso agora ouvir aos sonetos educados
de segredos não revelados
Que fazem emudecer desampontado
O garoto relembrado, daquele jardim
A balançar em suas mais doces desilusões pueris

quinta-feira, 2 de agosto de 2012