quarta-feira, 13 de julho de 2011

O fim do dia antevê a noite
O inicio da noite, a lua
O fim da noite, o quarto
O seu lembrar, o meu querer
O seu corpo, meus braços
O seu peito, contra o meu
O amor, só seu

Um mundo sem ações desinteressadas – Homero Santiago » cpfl cultura

Um mundo sem ações desinteressadas – Homero Santiago » cpfl cultura


Só é necessário dois cafés expressos e interesse, claro, antes de iniciar o vídeo. Do contrário... DO NOT ENTER!

domingo, 10 de julho de 2011


Num canto escuro de uma musica triste

Encontra-se o âmago insuflado da dor

Que não se faz hostil, num simples sentir

Só lembra o tolo que acreditava que só

Um dia encontraria o abdicar do coração



Lembras que na livre superfície descoberta

Da tez macia de uma pétala feminina

Há o paraíso recostado dos homens vis

A descobrir o cheiro desnudo da mulher

Nas caricias tenras de sua pelve a ir



A vir...



Pois o ardor de amantes emaranhados

A se despir em lampejos de ternura

Sábios iluminam recíprocas finitudes

E o amor floresce em rosas perfumadas

A esconder lírios brancos por sobre o peito



Não haveria outras formas de ressoar

A verdade singular da alma, o amor

De cantar por pretéritos perfeitos

Por estradas cruzadas a se espraiar

Senão pelos corações dos amantes



A amar...



Fernando Wolf

sexta-feira, 8 de julho de 2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Book of love - Shall we dance


Hakim não chores mais
Sei que estás velho e cansado
Que agora lamenta as agruras
Que já lhe fizeram do couro
Material duro e resistente

Kakim agora a vida é outra
Tem nas mãos a experiência
De anos e encontros a se perder
De cada qual a alma se fez
Em cada pulsar o seu forte

Hakim do que reclamas?
Se fostes desde tua infância
O desejo de curar a dor
A única significância clara
Que poderias dar a vida

Hakim não vês o que é teu?
Não são os bens remanescentes
Não são as horas de repouso
Não são suas vestes nobres
São as almas que curastes

Hakim, Hakim... és agora despido
De ambições e desejos pueris
Mas sabe que sempre quando
Uma alma carente precisar
Sabe que em ti há de contar

Hakim agora vá encontrar
Em tua sabedoria o conforto
Que só um Hakim retêm
Depois de tantos encontros
No ïntimo de seus semelhantes

Hakim saibas que é abençoado
Tens um dom encontrado
Um chamado a se dizer divino
Que poucos o exerceram
Outros, menos ainda, o amaram

Hakim se da tua vida querias
A tua vocação como alegria
Não deixes o espírito desfalecer
Lembre-se que se fosses morrer
Hoje e sempre, Hakim o seria

Fernando Wolf

domingo, 3 de julho de 2011


Estavam todos reunidos em comunhão de amor pela vida e pelos que ali se encontravam. A mesa redonda era guarnecida por caras marcadas pelo tempo. Eram velhos agora, eram velhos desde que os conheci, só agora, um pouco mais. Mas as limitações cresceram, as perdas se acumularam. O carregar de seus ossos pesados passou de trivial a um atual desafio diário. E alguns dos que já amaram haviam deixado para trás as lembranças e se foram deixando-os aqui neste mundo a viver os recordares.
Histórias eram contadas com vivacidade qual a de um ontem recente não fossem os vários anos que já separavam o atual do passado. O diálogo fluía e acolchoava o coração de ternura ao ver os olhos que por vezes se umedeciam de recordações. Uma história puxava a outra que se mostravam engraçadas, as risadas eram fáceis e o humor ameno. No entanto, e mantendo o encanto, intercalavam com mostras de pesares de épocas outras, mais duras e escuras. Mas havia mesmo nestas melancolias, uma amenidade que só o tempo fora capaz de dar. O negro era mostrado mais brando e o branco se fazia brilhante. Ainda não entendo o porquê deste fenômeno, mas me é sim agradável o saber de sua existência, não?
Comecei a pensar que um dia lá, frente aos novos detentores da juventude, poderia eu estar. Estaríamos numa mesa (hipotética) similar, o dia claro, o ladrar dos cães no jardim, o estalar da lenha na lareira e o frio a gelar os pés. Lá estaria a minha descendência, minha família, a carregar meu sangue, reunida em volta da mesa da sala. Lá estaria eu proferindo minhas lembranças.  Teriam paciência ao me ouvir? Ou me faria prolixo? No mais, estaria eu impreterivelmente a recordar. É uma necessidade intrínseca e visceral do humano. Mas estaria eu relembrando com a ternura que meus queridos avós agora o fazem? Pensei: “aí, no exemplo dos mais velhos de minha família, há um verdadeiro estímulo: de fazer do tempo que dispomos, um transcorrer de bons momentos com aquilo que nos é dado. Pois, é desta vida de agora que virão as lembranças que já então velhos e fadigados, iremos contar com carinho aos que amamos.”

Por enquanto fica a lembrança grata de meus avós, que trazem de seus ancestrais a essência que junto com seus viveres, norteiam os meus rumares.

Fernando Wolf
Aos meus avós Sônia, Nilza, Lothar e ao querido vô Willy (um dia ainda nos encontraremos, muitas histórias novas a contar...)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Se estás triste, ajude alguém. 

quarta-feira, 22 de junho de 2011



Sua foto logo se colocou erguida na parede, central e imóvel.  Bonita o bastante para encaixar-se entre os lençóis de sedas dos meus desejos mais secretos. Meus pés já se botavam desalinhados pelos tremores do peito. Era tarde e meu coração pulsava embebido de prazer e receio. Talvez fosse ali fonte de néctar potável, conseguiria eu beber? Pois e se fossem caules finos com espinhos eriçados, conseguiria eu segurar esta lânguida rosa?
A paixão se fez precipício mais uma vez. Olhava o horizonte e caia de joelhos numa vertiginosa presunção de receios vindos lá do fundo deste sujeito. Era possível amar por um simples ventrículo escasso que se fazia pulsar? A cada batida, um desmaio da alma. “Preserve-me” dizia ela. “Veja minhas cicatrizes! Elas não te dizem nada?”
Fitava o horizonte mais uma vez. Antes dele se colocava reto e suntuoso o precipício que, com desprezo, deixava minhas mãos trêmulas e ingênuas, não sabendo mais o que palpar.
E se não saltar, nunca mais cabelos ao vento, nunca mais dormir no relento... Comer as uvas doces e frescas de um amor. Sim, se fazem valer...
Atirar-me ao esmo... Poderia sim cair em verde relva recoberta pelo orvalho, sentir o cheiro doce do jasmim recém florescido, onde o coração pudesse enfim se recostar em paz.
Não havia nada a perder senão o perder - pensava.  Não o tinha ainda mesmo, o salto era inevitável! De mão tremulas e de fronte úmida, o corpo se fazia pesado pelo medo. Tinha que ser aquela, pois há tanto tempo que não me sentia um garoto, senão com aquela mulher. E, como juvenil de ações, fazia-me novamente tábua rasa paralisado por seus olhos como se hipnotizado fosse.
Ali estava eu atônito, mirando aquele momento, como se nada me restasse, senão um segundo antes de um começar.
- Oi! – disse a ela, com os olhos arregalados.
 - Oi seu idiota, como se atreve? – pensava eu, com um quê de desespero e sensação de morte iminente.
 - Oi! – disse ela (ah "ela"...) com um sorriso de surpresa a me fitar com os seus olhos castanhos amendoados a expor o meu reflexo, de pavor...
Via-me em seus olhos, me via em sua vida. Já ficava claro o desejo de que aquilo durasse, ao menos em mim. Sim, já começava o discorrer do discurso amoroso.


Seja o que for, continua...

Fernando Wolf

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Una musica brutal - Gotan Project

Saudade



Retalhos de lembranças que já se foram
Onde as dores já se fizeram escuras e crescidas
(ainda bem não?)
Fazem o espírito triste a recordar seu banzo
Era bom, como era, sentir o tempo passar
Sem saber que o amanha poderia chegar

Sim, mas os pedacinhos se fazem lembrar
Lampiões alumiam as doces recordações
Ao me acordar de um sonho bom
No sentir o cheiro de pão da padaria
Nos retratos alegres na sala de estar
Nas tardes de ventos quentes a soprar

Logo, sem saber o porquê, escorrego
A um passado fragmentado da memória
Num tocar da alma que se faz saudosa
E começa, sem mais nem porque, a chorar
Por quem e por dias que insistiram em ficaram lá
Fazem de mim criança, quão bom é relembrar...

Se pudesse, criaria outros infinitos recordares
Só para outra vez, na embriagues de um futuro
Valer-me mais outras mil vezes das lembranças 
Num ir e vir do coração, sem mão, a velejar
Em um presente a se fragmentar em passado
Pudesse eu, outras mil vezes, pelo agora chorar...

Fernando Wolf

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Felicidade


Talvez a felicidade seja um sopro eventual e posteriormente se faça perene somente nas lembranças felizes. Por momentos, fugimos dela e, por outros, procuramos a felicidade em todos os lugares, em todos os momentos, com a inevitável voracidade forjada por nossa incompletude. Quem sabe a felicidade ocorra quando nos expandimos ou quem sabe encontra-se quando procuramos no intimo do nosso ser. A felicidade mais profunda talvez não se dê somente de momentos alegres, poderia (?) também advir de nossos mais intrínsecos tormentos por seus conseqüentes crescimentos. Alicerces mais firmes, pessoas mais felizes (?).
Sentimentos belos se entremeiam a novelos de discórdia e a vida clama por se fazer de glórias e trazer a felicidade à tona. Um sempre querer do explodir na garganta dum sentimento que é de pouca serventia quando represado, pois se não compartilhado se faz somente palavra tão findável e efêmera. Nada assim é sentido, nem percebido, se torna só um signo jogado ao esmo. Mas quando a felicidade é mostrada, ela se faz de adaga e penetra no coração num extravasar do que há de mais belo e pleno. Tem-se um derramar de vida, de amor, de tudo o que há de mais nobre em se sentir.
Quando se compartilha felicidade se ama e se iluminam as relações... Dá-se então uma resposta à vida com a dignidade de um ser que se intitula feliz.





Fernando Wolf

PS: Baseado no filme "Into the Wild", do garoto da foto (verídica)  Christopher McCandless

terça-feira, 14 de junho de 2011



Chega um dia a placidez confortante
Onde a luz se faz brilhante e grava na retina
(outra vez...)
Que o amor se faz de água e de pedra
Pois, imagina-se um fim, que não se tem
Sem a indiferença e com a cara desnuda a tapa
Colocamos agora pedras... plúmbeas e duras...
E nas pedras jogadas, se fazem lembradas
As marcas de cada pingo por sobre elas
Dos aguaçais desenhados em rochas ígneas
Que marcaram um dia os nossos corações

É tudo rarefeito ainda...

Talvez um dia ventos soprem a apatia
E os cabelos fluam com a brisa morna
Da indiferença que sopra por sobre os vales
Nas montanhas frias e planas outra vez
Num sempre recomeçar das almas
Um sempre brotar das sementes do junco
Num sempre moldar de águas e rochas
Num perene mundo velho, mundo novo
Talvez um dia...

Fernando Wolf

sábado, 11 de junho de 2011

A Inês




Não me sorrias à sombria fronte,
Ai! sorrir eu não posso novamente:
Que o céu afaste o que tu chorarias
E em vão talvez chorasses, tão somente.

E perguntas que dor trago secreta,
A roer minha alegria e juventude?
E em vão procuras conhecer-me a angústia
Que nem tu tornarias menos rude?

Não é o amor, não é nem mesmo o ódio,
Nem de baixa ambição honras perdidas,
Que me fazem opor-me ao meu estado
E evadir-me das coisas mais queridas.

De tudo o que eu encontro, escuto, ou vejo,
É esse tédio que deriva, e quanto!
Não, a Beleza não me dá prazer,
Teus olhos para mim mal têm encanto.

Esta tristeza imóvel e sem fim
É a do judeu errante e fabuloso
Que não verá além da sepultura
E em vida não terá nenhum repouso.

Que exilado - de si pode fugir?
Mesmo nas zonas mais e mais distantes,
Sempre me caça a praga da existência,
O Pensamento, que é um demônio, antes.

Mas os outros parecem transportar-se
De prazer e, o que eu deixo, apreciar;
Possam sempre sonhar com esses arroubos
E como acordo nunca despertar!

Por muitos climas o meu fado é ir-me,
Ir-se com um recordar amaldiçoado;
Meu consolo é saber que ocorra embora
O que ocorrer, o pior já me foi dado.

Qual foi esse pior? Não me perguntes,
Não pesquises por que é que consterno!
Sorri! não sofras risco em desvendar
O coração de um homem: dentro é o Inferno.


Lord Byron

quinta-feira, 9 de junho de 2011