sábado, 2 de outubro de 2010

Menina

Desenho-te com palavras
Tua simplicidade juvenil desperta meu eu
Mergulho num romance fugaz
Tua inexperiencia inebria os homens
Imagino a eternidade,
Ao teu lado te ensinaria porques
Te mostraria vias tortuosas desta vida tao certa
Devaneios, mais uma vez voce em mim
Agora e sempre ficaremos no limbo
Numa agradavel lembranca de um encontro de almas distraídas
Agora e sempre, o improvável
O triste fim chega, inevitavel...
Fico mais uma vez com a separação
Finitude tao usual deste ser
Contento-me com minha solidão
E ja nao tao só
Divirto-me com teu rosto de menina
Que reverbera nos confins de meu peito

Fernando Wolf

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Opostos criados: ilusão infernal e paradisíaca de nosso ser.

Homens não nascem prontos, mas tão prontos se colocam a aprender que o nosso meio de paraíso passa longe. Será?
Tão bom era aquele útero, ao mesmo tempo tão finito... Nascemos plenos e nos víamos como um todo, um ser completo. Não tínhamos o discernimento do eu e do outro, éramos um só. Tetas e bebê como um só, na percepção do bebê é claro, na teoria psicanalítica. Surge o Édipo. Eis nossa primeira visão do inferno. Quem é este ser que agora desfigura nossa completude... O chamam de pai? Perde-se assim o conceito de todo, já sabemos agora que há um “outro” que invadiu nosso espaço. Agora temos a angústia de recuperar o que nos era pleno e foi destruído... Voltaremos um dia a ser completos? Ou estamos fadados a vagar pelo mundo buscando nossa completude e chutando a quem se puser no caminho? Talvez é este o nosso inferno mais primitivo.
Já o inferno descrito por Dante Alighieri, durante seu exílio, em “A Divina Comédia” mostra todo um simbolismo da sua época. Ele divide e hierarquiza os nossos destinos espirituais no pos mortem. Sendo assim, sintetizando, temos o paraíso, o purgatório e o inferno. Todos estes organizados e preparados para receber as diferentes almas oriundas de seres com os mais diferentes pecados, com ou sem arrependimentos, assim por diante. Temos uma espécie de organização em castas no inferno.
O engraçado é que Dante apresentava no inferno um lugar/setor sempre vinculado a uma penitência e naquele lugar ficavam ou os pródigos, ou os sedutores, ou os avarentos etc que recebiam ou labaredas de fogo ou tarefas exaustivas e assim por diante. Assim parece que você receberia uma etiqueta quando vai ao inferno. Uma palavra ou um pecado te define a a tua punição eterna. É mais ou menos como ir preso no Carandiru e te taxarem de “estuprador”. Não interessa se você matou quarenta e cinco homens e estuprou uma única adolescente, você agora é o “estuprador”. A punição não é eterna, mas certamente é dura como a descrita no inferno dantesco.
Pois foi no contexto milenar de paraíso e inferno que Sartre, no século vinte, elaborou uma peça de teatro cujo enredo se passa no inferno. A peça “Entre quatro paredes “ traz um conceito de inferno novo com torturas de cunho mais psíquico, quase uma analogia a vida na terra. É dele que vem a famosa frase de que “o inferno são os outros”, usada recentemente na musica de sucesso emplacada pela banda Detonautas
Assim sendo, nesta peça temos 3 personagens que estão mortos e pela eternidade imutáveis. Eis que as suas angústias psíquicas sempre ciclam e voltam aos mesmos pontos eternamente. Temos três personagens de personalidades diferentes, os quais são responsáveis pelos tormentos uns dos outros. Ou melhor, um torna o outro o seu próprio tormento.
Seja cá na vida real como acolá na peça de Sartre podemos “linkar” alguns aspectos - Veja que estes conceitos foram propositalmente inseridos pelo autor e aqui, venho devanear sobre – que por assim dizer podem tornar nossas vidas um “inferno”.
O primeiro conceito mostra que os personagens por estarem mortos não possuem a capacidade de mudar, mesmo que queiram mudar. Além do mais, vivem o mesmo papel pela eternidade. Eternamente arrependidos de um pecado, eternamente sedutores ou seduzidos, eternamente passionais a uma paixão doentia.
Ao contrario da situação proposta, somos ainda vivos e por mais traumas, desilusões, traições que tenhamos vivido ainda usufruímos do famoso “livre arbítrio” o que é fantástico lembrar, mesmo sendo tão obvio. Quantas pessoas esquecem este aspecto em vida e acabam tornando suas próprias vidas num verdadeiro inferno? Vivem num passado que não volta mais, fazem questão de relembrar suas mágoas, não conseguem sair daquela relação tempestuosa com seu ex-marido ou esposa mesmo após décadas. Não conseguem viver feliz sem um ente querido que se foi, pois sentem que é impossível reviver as suas lembranças na vida real e assim não permitem-se usufruir de novas experiências e novos sentimentos e sensações nunca antes vividos. Não perdoam os outros nem se perdoam, submetendo-se assim a um “eterno” e petrificado inferno em vida. Deixemos claro aqui a isenção do peso da culpa. Simplesmente chegamos à composição psíquica que temos hoje, por uma conjunção infinita de fatores. No entanto, a reflexão é importante.
Bem colocado também é o fato de que no inferno de Sartre, um personagem é responsável pela miséria e cólera alheia, ou melhor, cada um se faz miserável de espírito depositando no outro o motivo de suas angústias eternas. São eternas vitimas do julgamento alheio, dos quais usamos para elaborar nossos próprios julgamentos. Pois assim sendo nosso “ser critico interno” nada mais é do que a personificação do julgamento alheio. Os outros não passam de nossos espelhos. Por exemplo, se Julgamos outro como sendo narcisista por demais e isto nos incomoda, pois aí que encontramos nossa projeção do que não gostamos em nos mesmos. O contrário também é verdadeiro, onde qualidades que admiramos também podem estar enrustidas em nós. Grande oportunidade de nos vermos. Talvez falte coragem de olharmos aos espelhos com coragem de ver-se através dos olhos da verdade.
Quando nos importamos em demasia com o julgamento alheio, e estes (julgamentos) passam a nos sugar, nos tornam escravos que se curvam ao seu poder, criamos um inferno em terra. Como um exemplo típico, temos a música composta por Jimmie Cox em “Nobody Knows You When You're Down And Out” que demonstra a experiência de um homem que já teve fortuna e noites inesquecíveis movidas a bebidas. O mesmo se deu conta que quando esta onda passou, tudo não passara de uma grande ilusão. Os amigos de antes, seus “recém formados amigos de infância” que viviam ao seu redor, agora com ele “pra baixo” e sem dinheiro, não o conheciam mais. Pois antes talvez Jimmie, ou seu personagem, desse muito apreço a opinião e valores das pessoas ao seu redor, porém após, na fase de “vacas magras” ele viu o quanto aquilo não era importante e que se pudesse voltar atrás seguraria seus dólares com muito mais afinco. Eis o inferno composto por Jimmie Cox. Quantos de nós não vivemos isto de formas outras ou similares. Modificamos atitudes que nos pareciam corretas, pela mera atribuição do que os outros iriam pensar de nós. Isso tudo, muitas vezes, criado por nós, sem mesmo ter soprado tal julgamento na mente alheia. Tão bobo, tão distorcido, tão comum: uma tortura criada, que pode ser facilmente desfeita... basta ver por entre a “névoa”de nossas ilusões.
Talvez o modo mais eficaz para nos aproximarmos de um “paraíso” terreno, seja um pensamento libertário onde todos os acontecimentos são vistos e vivenciados como um grande aprendizado importante para o nosso desenvolvimento. Isto requer um desapego muito grande aos tabus já previamente impregnados ao longo dos anos. Ao vermos uma pessoa nos traindo, ao surpreendermo-nos com um comportamento agressivo, ao sermos seduzidos por uma falsa ideologia e assim por diante, tudo isso nos levará a desenvolver-nos de alguma forma. Somos o que somos porque passamos por todas as adversidades e felicidades já vividas, e devemos ser gratos a isso, do contrário não seríamos o que somos hoje.
Além do mais, ao considerarmos que todos estão na mesma jornada finita a procura de uma eventual “felicidade” com todos os seus percalços, conseguiremos perdoá-los de uma forma muito mais fácil de seus pecados aqui em vida, pois sabemos que os outros estão aqui para o mesmo fim de evolução pessoal e também não são detentores de uma sabedoria universal. Os outros, como nós, estão aprendendo a viver, e podem não ter achado um caminho mais ameno ainda, e vivem talvez num inferno em terra. Contudo, tenha certeza... no final, todos teremos o mesmo fim, pelo menos em terra. Temos a escolha de dar um tempo aos outros para que tenham seus próprios aprendizados, ou mesmo nos afastar destes relacionamentos, procurando águas mais calmas.
Vejamos em nossos inimigos, nas nossas decepções amorosas, nas maldades do mundo, na corrupção uma grande oportunidade de conhecermos até aonde pessoas podem viver e criar seu inferno em terra. Assim, temos como palpar melhor o que vem a ser o seu oposto e buscar nosso paraíso terreno. Afinal o que seria do “Ying” se não fosse a existência do “Yang”.
Portanto, o que nos é palpável, é a escolha de poder viver no paraíso da sabedoria ou no inferno da dependência ao julgamento alheio. Ou seja, podemos sim desfrutar em vida a possibilidade de nos colocarmos como eternos aprendizes livres que, na jornada da vida, buscam na verdade o real paraíso.

Fernando Wolf.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Azuis

Vejo seu semblante
Saio de meu quartel
Vejo o azul dos mares
O encanto da sereia
Da sua janela ouço a melodia
Enamoro-me qual um menino bobo
Pulsa em mim a certeza do incerto
E, simples assim,
Um olhar
Uma entrega
Um talvez

Fernando Wolf

terça-feira, 13 de julho de 2010

Estimada sede

Em um lugar longe de mim,
Num poço reservado do mundo
Anseio por não chegar lá,
Mas a sede é insaciável
Já é hora de voltar
Quando vejo a minha alma já chora
Só que desta vez, a sede não me devora
Simplesmente a contemplo
Admiro-a de dentro de meu ser
Sedento eu continuo,
Porém, caro amigo,
Já não há mais água para inundar minhas lágrimas
Vago em busca de algo...
Algo que não faça lembrar os pedaços de meu ser
Mesmo que não ache, ainda terei a sede
Esta, sempre comigo
Num eterno advertir
Que atinge com menosprezo,
A placidez de minha bonança.


Fernando Wolf

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Amor de Carvalho

O amor vem ao acaso, já está no nosso destino ou no nosso Karma como queiram. O amor romântico ocidental que nos é conhecido tem como mensagem o comprometimento apaixonado, possessivo erótico, onde duas almas se entrelaçam em uma só formando um elo entre dois amantes onde não há nada que o faça romper mesmo depois da morte. Quem não acha bonito o amor maduro entre casais da melhor idade e quem não sofre junto quando vê a tristeza da alma de quem fica chorando o vazio de quem já se foi. Este amor que sobrevive às agruras do tempo que sim, é passível de admiração e comoção.
A maior prova de amor que já vivenciei foi a de meu bisavô, uma pessoa humilde de tratos que se criou no interior com as mãos sempre calejadas pelo trabalho árduo do campo. Ignorante talvez de saber, porém sábio no amor. Já era casado com minha bisavó há 60 anos. Ela se esvaindo em seu leito, impossibilitada já de se locomover por seqüelas da moléstia que a assolava. Mesmo diante de tal fardo minha bisavó sempre via ao seu lado o seu fiel companheiro. Um dia, numa entrevista a um jornal local, onde os dois falavam com dificuldade o seu carregado português que se confundia com palavras em alemão, meu bisavô foi interrogado pela jovem jornalista com curiosidade – o senhor não se diverte ou sai de vez em quando?
Ele com seus 85 anos, sentado ao lado de sua esposa, segurando sua bengala que já se fazia presente por seus ossos que pesavam, argüiu de uma forma muito clara e singela:
-- Quando nos casamos, havíamos feito uma promessa que estaríamos presentes nas horas boas e ruins da vida. Já tivemos nossos momentos de felicidade e bem estar. Agora é um momento difícil e me faço presente da mesma forma que ela se fez presente em todos os momentos de nossas vidas.
Foi com estas palavras que vislumbrei o mais belo significado de um amor maduro, elevado espiritualmente. Quando se ama uma pessoa verdadeiramente, amamos por inteiro. Descobrimos o amor pelas aptidões que encantam, as qualidades que comovem, o sexo, os sorrisos e assim por diante. No entanto, isto por si só não define o amor pleno. Amamos também um todo, um ser imperfeito, um ser que te traz mágoas e alegrias, que compartilha e saboreia a vida ao seu lado simplesmente por amar.
Quando a vida traz momentos difíceis, tempestuosos e esse ser que te ama e é amado sofre com você ou traz sofrimentos, é também na superação destes males onde encontramos a magnitude do amor. São nestes momentos que o amor se regozija, se torna forte e maduro. É este o amor que vemos nos olhos dos cada vez mais raros casais que perduram.
Uma relação que se faz com amor verdadeiro é, como o carvalho, repleto de estigmas trazidos pelas intempéries do tempo, onde podemos olhar ao passado e ver que cicatrizes deixadas não foram capazes de destruir seu cerne, o amor. Este somente se tornou mais forte e belo.

Fernando Wolf

domingo, 9 de maio de 2010

Mães

Viemos dos seus ventres ou fomos adotados por seus confortáveis corações. No início ainda sem entender nada sobre o que se passava em nossa volta, desenvolvendo aos poucos habilidades e percepções com o mundo, já notamos sim a falta imediata que uma pessoa em especial nos faz: nossas mães. Dizem que no inicio, ainda bebês, nos percebemos como um ser só. Fantástico! Afinal é deste ventre que viemos.
A dedicação incondicional é unidirecional, pois não damos nada em troca por um bom tempo senão chorosas lamúrias de insatisfação pela falta de comida, de afeto ou o que for. Toda essa dedicação num primeiro momento nos parece algo natural, uma obrigação da natureza. Crescemos rodeados de amor, carinhos, mimos e preocupações de um ser que sempre estava ali, que faz parte de nós.
No entanto, ao crescermos, aos poucos conhecemos um pouco do lado mais perverso e triste da natureza humana, os atos bárbaros de terrorismo, de violência com o próximo. A nossa volta já não é mais aquilo que era, e perdemos as ilusões aos poucos, sob dolorosos pesares que passam diante dos nossos olhos. É somente a partir daí, que reconhecemos que o amor de mãe, não é algo natural. Este amor é algo que transcende tudo o que tem de ruim no mundo e no homem. É este amor que faz sermos melhores, que nos torna capazes de suportar as agruras da vida. Carregamos esta chama de amor, acendida pelas nossas mães, que iluminam os nossos caminhos e nos direcionam sempre para as melhores direções da vida.
O amor de mãe, não é natural, acreditem. Somente quando o perdemos, ou ficamos longe dele, que vemos a falta que nos faz. Sentimos a alma chorar, pois um pedaço de nós parece que morre, e sentimos falta. No entanto, o amor cultivado por este ser transcendental, permanece em nós, perpetuando assim uma corrente que passa de gerações a gerações e ecoa na eternidade.
A esse amor fica nossa gratidão. Saibam mães, que este amor incondicional e todas suas abdicações não foram em vão. Levaremos esta chama conosco para onde for. Nossa vida agora é iluminada por ele. Muito obrigado.

Fernando Wolf

sexta-feira, 5 de março de 2010

Brincadeira da vida

Bem dizia o filósofo Montaigne no séc. XVI, que o ser humano é inconstante. Dizia também que sábio é aquele que busca a sua própria constância. Pois complemento: se sábio o hei de ser, feliz não o serei. Onde podemos encontrar alegrias se não na inconstância?
Olhemos a nossa infância pela janela de nossas lembranças. Ilusões criadas por nossas percepções puras, tropeços e batidas incontáveis, desavenças instantâneas entre os amigos. Não tínhamos vícios, o hábito não era elaborado quanto o é hoje. Os nossos padrões eram formados a cada dia, a cada experiência, seja num tombo de bicicleta após uma manobra mais arriscada, seja num conselho tenro de nossas mães. Éramos felizes e, mesmo sem o luxo, às vezes com muito pouco tínhamos a capacidade de garimpar alegrias numa inconstância inocente de manobras, de atos, de brincadeiras, de afetos que iam e vinham...
Enfim, a vida nos transformou aos poucos em “adultos” e aquela nossa criança interior foi ficando cada vez mais de escanteio, presa em entre nossas novas aquisições: preconceitos, hábitos, ganância, preocupações infinitas com os que nos julgam. Passamos a visar a ascensão na carreira, uma vida farta de ganhos e aquisições. O consumo impera em nossas mentes. Somos felizes pelo que temos e miseráveis pelo que somos. E aquela criança? Era tão feliz! É... O tempo e a inércia da vida foram matando-a aos poucos... Ela ainda está lá, e a nossa constância embasada nos nossos hábitos encarcerou qualquer esperança de libertá-la.
Agora olhemos a nossa vida adulta... Não é justamente quando comemos um sorvete tão calórico que só pensar já engorda, quando fugimos de nossa constância, que somos felizes? Ora é claro que evitamos os excessos, pois aprendemos os caminhos que podem nos levar a maus bocados. No entanto, os caminhos de antes nem sempre levam aos mesmos resultados desagradáveis de um passado remoto.
A partir desta perspectiva, devemos então, nos desafiar a desenvolver outra sabedoria, agora adultos. A sabedoria da inconstância. Não digo que temos que fugir a nossa ética ou mesmo a nossa essência de valores. Devemos sim, é dar asas sem remorsos a nossa criança interior quando ela nos chama. Afinal já somos munidos de discernimentos que antes não tínhamos. Conhecemos melhor nossos limites. Não digo que seja fácil muitas vezes delimitá-los, e corramos um risco maior de arrependimentos. Mas que seja! Quem disse que a vida é fácil? Se os arrependimentos surgirem, que sirvam para o crescimento e amadurecimento de nossa psiquê!
Não abandonemos é claro, a constância, pois ela constrói, ela nos traz a paz de espírito e exercita a paciência. Contudo, não nos esqueçamos de abrir as portas de um coração sedento de vida, e deixemos esta criança atuar no palco de nossas vidas. Cuidemos dela com o amor, amor próprio, pois assim fica mais fácil amar aos outros e amar a vida.

Fernando Wolf

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O silêncio

Vi a angústia de uma médica residente envolta por emoções e constrangimentos em meio a um processo de aprendizagem de transmitir a notícia de morte aos familiares do paciente falecido.
A residente compartilhou para seus “semelhantes”, logo após sua experiência, como que haviam ocorrido os fatos.
A experiência que ela dividia com os colegas era contada com palavras floridas, palavras atrapalhadas em uma miscelânea de sons que tentavam em vão acalmar suas próprias angústias e não a angústia alheia. Ato este inconsciente isenta é claro, de culpa.
Foi aconselhado à jovem médica o silêncio
Assim, saímos daquele encontro pensantes, pois, como alunos, sabemos que hora ou outra o destino nos colocará frente a semelhantes experiências.
Tomei a angústia alheia e pensei: Tem o silêncio pelo silêncio algum valor numa ocasião de sofrimento?
Palavras eram para mim até então a melhor escolha. Eu sei bem que, se quiser, desenterro umas cinco ou seis palavras de consolo e jogo-as em um discurso melódico. Parecia-me que tal discurso era o melhor alento a um coração em desespero, que sofre.
Já o silêncio parecia que nada era senão o silêncio, o vazio. Contudo, em uma de muitas “garimpadas” na internet (YOU TUBE) assisti a um vídeo de uma orquestra sinfônica que se preparava para apresentar uma peça de John Cage intitulada 4` 33``. O maestro se posicionou, a platéia terminou de aplaudir e a orquestra empunhou seus respectivos instrumentos. Eis o inesperado: o silêncio. O mais absoluto e ensurdecedor silêncio “tocado” por quatro minutos e trinta e três segundos.
Surgiu em mim sensações nunca antes experimentadas diante do silêncio. Repulsa, admiração, expectativa, angústia, paz. Essas sensações me alavancavam sentimentos. O maestro no fim agradeceu e a platéia quebrou o silêncio aplaudindo de pé.
Que coisa absurda! Fantástica! Sei lá!
Fui atrás de Cage na internet. Acabei por entender um pouco daquela inesperada “loucura”. Cage, em uma entrevista, afirma que tinha paixão pelos sons da vida (trânsito, pássaros etc) e um dos efeitos que mais gostava era o silêncio. Ele afirmava:
- “Se você escuta a Beethoven ou Mozart eles serão sempre os mesmos agora o barulho do trafego de carros é sempre diferente.”
Pois foi assimilando a emoção de “ouvir o silêncio” que vi seu papel na situação citada anteriormente. O silêncio é original, é sincero. Se quisermos passar conforto a um coração que sofre angústia, nada mais verdadeiro que o silêncio.
Com palavras corremos o risco dos jargões e acabamos por nos passar por falsos condolentes.
Não é verdade que quando conseguimos ficar em silêncio com um amigo ou com uma paixão, nos sentimos mais próximos a ele/ela? Sim. O silêncio pode aproximar.
Faço um convite: se desafie a utilizar mais esta ferramenta e desfrute de novas sensações nunca antes sentidas. Partilhe o silencio.

Fernando Wolf

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Shakespeare

O sábio não se senta para lamentar-se, mas se põe alegremente em sua tarefa de consertar o dano feito.William Shakespeare

Se os homens fossem constantes seriam perfeitos.William Shakespeare

Todos podemos controlar a dor excepto aquele que a sente.William Shakespeare

Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém...Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...E ter paciência para que a vida faça o resto...William Shakespeare

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O que realmente vale

O que realmente vale: é ver futuro nos olhos do outro. É querer crescer juntos, aceitar os males como um crescimento. Amar a transformação gradual alheia e amar a metamosfose que vos acompanha. Fundamental compreender que os sonhos de agora já não serão os de amanha. Dias bons virão, dias de tempestade também. A pergunta é:
- Você quer enfrentar em conjunto com quem você ama ou sozino?
Escolhas plausíveis, que devem ser meditadas com o carinho de quem ama a própria existência.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Relação a Dois

O começo. O doce começo. As entrelinhas, a dissimulações de emoções. Sentimentos a flor da pele, um incomensurável mundo de endorfinas borbulhando em nosso ser. Ficamos pasmos, colocamos o outro em um pedestal. Floresce a paixão por um ser imaculado, livre de defeitos sem sequer conhecermos um “zilhonésimo” daquilo que o outro realmente é.
Passam-se os dias e os enamorados, na dança da vida, se encontram, se enlaçam e cada vez mais se apaixonam. Descobrimos diariamente uma qualidade ali, uma feição nova acolá. Dançamos e ignoramos os passos em falso, os “pisões” no pé. Estamos apaixonados. Somos impulsionados por uma força sobrenatural a dançar sempre juntos. Dançar sozinho já não tem mais a mínima graça.
Após o deslumbre quase que como uma enfermidade de cunho psiquiátrico vem a rotina. Dias vão, dias vem e conhecemos cada vez mais as afeições do ser ao qual construímos uma relação estreitada. A intimidade é um crescente e sentimos uma gostosa sensação de desinibição frente ao outro que já não nos é mais estranho. Sentimos liberdade de ser simplesmente e que somos. Mostramos todas nossas faces. O nosso par já faz parte do dia-a-dia e vice-versa. Cuidado!
Sem mais barreiras de “estranhezas” entre ambos, já não ignoramos mais os defeitos. Cadê aquele que eu coloquei num pedestal que ladrilhei com pedras douradas? Cortando as unhas em cima da cama, deixando a calcinha molhada no chuveiro?
Sofremos na esperança de que um dia vamos conseguir trazer o nosso bem amado mais próximo possível daquilo que idealizamos desde o inicio. “Que eu tenha forças para aceitar o imutável!”
A rotina pesa. Carregá-la nos ombros diariamente é um desafio mental, físico, e sexual porque não. Há períodos que não agüentamos dar mais um milésimo de nós ao outro. Parece que a fonte que vertia vorazmente lá no início se esvaiu sem deixar um filete de paixão sequer.
Tempos amargos de um relacionamento a dois são inevitáveis. Entramos em um deserto árido. As tentações são muitas. Oferecem-nos água límpida, aparentemente refrescante, no entanto negamos, pois no fundo sabemos que a única fonte potável verte do nosso amor verdadeiro. Do contrário, envenenamos pouco a pouco nossa relação.
Será possível em uma relação construída tijolo sobre tijolo resistir às intempéries do tempo? Poderemos construir um forte inabalável às agruras da vida, do cotidiano? Senhoras, senhores, acreditem... Sim! É possível! Difícil sem dúvidas.
Podemos afirmar isso com certa tranqüilidade, pois sabemos que, apesar de estarem cada vez mais raros, ainda existem relacionamentos que perduram no tempo. Mas qual o segredo? Isso cada casal tem o seu. Podemos colocar aqui uma percepção de um sentimento que veio a mente e assim segue no decorrer deste texto.
É quase mágico o que acontece. No meio de toda uma confusão de fatos e vícios que a vida nos traz, nossa natureza nos surpreende. Por vezes, quase que por um instante, percebemos o outro de uma forma diferente. Seja num olhar, num gesto, numa brincadeira, em uma atitude particular, em um ato enobrecedor. Aquilo que nos apaixonou pela primeira vez, volta e faz-nos reviver aquela agradável sensação lá do inicio. “Reapaixonamo-nos” por um instante no espaço-tempo. Recriamos novamente dentro de nós aquela agradável sensação.
São nestes momentos, no acaso da dança, aonde esquecemos as divergências acumuladas e achamos ali forças para continuar caminhando pelas tortuosidades da vida, a dois, unidos pelo que realmente importa: o amor. Piegas, porém obviedades são ditas para não caírem no esquecimento.
Fernando Wolf

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Aluno Fraco


Conversei hoje sobre a importância prática da filosofia com um professor querido meu. Foi uma “conversa de elevador”, porém trouxe-me introspecções sobre os fatos decorridos num presente próximo. Fatos que mobilizaram de mim sentimentos de reprovação.
Esta semana nos passaram informações sobre que foi discutido em um conselho de classe, onde os “staffs” discutem sobre o grupo e sobre cada aluno que compõe o internato de medicina. O grupo vinha mal preparado em conhecimento prático e teórico naquela matéria. É claro, havia alunos que atingiam as expectativas e faziam exceção à regra.
No entanto, no meio do discurso de um professor que dava o “feedback” aos alunos (todos atentos com cara de “será que é comigo?”) veio a frase:
-- Fulana (não citaram o nome) é fraca.
Isso mesmo, fraco, no sentido mais maligno da palavra. Fraco, sem potencial, sem história, sem um coração que bate atrás de um gradio costal. Como uma pessoa pode reduzir um ser a tanto? Desprezou todas as conquistas de um indivíduo até então, todos os sonhos já alcançados e os que ainda ricocheteiam num peito de ideais.
Nem deram a piedade de usar o verbo “estar” definindo um momento da pessoa, um estado. Simplesmente definiram a pessoa como tal, fraca. Despejou tal palavra do alto de sua empáfia julgadora. Empatia? Não! Teria eu que me por no lugar de quem eu nem conheço. Mais fácil é simplesmente julgar aquilo que conheço, uma mera distorção de um ser criado em minha mente pelas minhas limitadas percepções humanas.
Claro que não é a primeira vez que isso vem aos nossos ouvidos dentro de 5 anos e alguns meses dentro de uma universidade e deve ser mais freqüente do que imaginamos. A suspeita é de que isso seja um hábito, e quando um hábito se instala, ele se torna corriqueiro. Não percebemos mais o que falamos. Torna-se um “cacoete verbal”. Cuidado!
Onde que a filosofia se encaixa nisso tudo? Eis que minha introspecção emerge. A filosofia dentre seus diversos papéis, vem para também estimular o pensamento crítico. Crítico não no sentido julgador, de onde mobilizamos todos os nossos preconceitos para ter uma opinião sobre.
Crítico no sentido de, frente a posturas corriqueiras num cotidiano de “gado”, o indivíduo filosófico possa oportunizar-se diferentes visões/perspectivas. Isso dá ao indivíduo maiores possibilidades, maior discernimento sobre suas interpretações de realidade.
A filosofia não serve simplesmente para nos fazer pensar diferente, serve para não pararmos de pensar nunca enquanto nos for possível tal ato. Em qualquer situação imaginável.
Contudo, a evolução sempre vai ser uma opção. Você já fez a sua?

Fernando Wolf

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pensamento do Dalai

“Se quisermos mais sorrisos na vida, devemos criar condições para que eles apareçam."

Dalai Lama

domingo, 2 de agosto de 2009

Por do Sol


Tirado em uma trilha no meio da mata nos morros que envolvem a Lagoa da Harmonia - Teutônia (RS)

Alimento

A felicidade é o pão da vida.
O pão que alimenta só é ofertado quando pedimos.
Se na inércia da vida não buscarmos o nosso pão, nossa alma passa fome.

Fernando Wolf

domingo, 12 de julho de 2009

Superproteção dos filhos

Introdução

Este texto foi proposto diante de uma situação desarmônica entre uma mãe e seu filho no nosso serviço. Uma relação clara de superproteção que tornou evidente a necessidade de intervenção.
Busquei textos para contextualizar os princípios que podem melhor reger o desenvolvimento da psique de uma criança envolta em um mundo de novos dogmas e tabus de uma sociedade cada vez mais globalizada.

Meu contexto

Já faz um bom tempo, mais precisamente há 18 anos, mas lembro como se fosse hoje. Claro, isso se explica porque a memória está ligada com sentimentos, e esta lembrança que vou lhes colocar é plena de emoções e vivacidade.
Tinha por volta de seis anos de idade, já freqüentava o jardim de infância. Até então sempre brincava aos olhos de meus familiares e de outros cuidadores “terceirizados” por assim dizer.
Era um dia de sol, em uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul, de imigrantes alemães. Sociedade fechada cheia de padrões rígidos, porém um encanto de cidade. Era o primeiro dia que eu iria para a escola por minhas próprias pernas, sem ninguém me conduzindo. Meu coração parecia saltar pela boca. Estava apreensivo. Tentava esconder minha ansiedade para que minha mãe tivesse confiança em mim. Como podem perceber já sabia alguma coisa sobre transferência e contratransferência, na prática é claro.
A escola ficava a três quadras de minha casa. Minha mãe era professora de educação física de lá. Ela me levou até a esquina. Deu-me orientações sobre os perigos e precauções de atravessar a rua e de falar com estranhos. Ouvia aquilo pela vigésima vez eu acho. Foi diante de olhares apreensivos, caminhando quadra após quadra, que tive pela primeira vez uma sensação maravilhosa de liberdade conquistada.
Vejam nesta história, que havia dois personagens. A minha mãe, que superou sua angústia sob a confiança na esfera biopsicosocial que me encontrava imerso. Ela via naquilo um salto para meu desenvolvimento. Já eu, uma criança que mobilizou recursos dentro de sua psique para assumir riscos por um ganho, ou seja, uma liberdade a mais.
Esta relação de conquistar de um lado e ceder de outro passou a ser um padrão bem estabelecido com meus pais. Claro que demorei a entender, ou melhor, nunca entendia. Era sempre um fardo para mim. Hoje eu tenho a noção de que era senão um fardo maior para meus pais. Todo este jogo de conquista de confiança não é uma tarefa fácil.

Contexto atual

A relação entre pais e filhos de hoje mantém certos padrões mais antigos é claro, passamos aos filhos muito do que nos foi passado de valores pelos nossos pais. Contudo, o contexto psicosocial mudou.
Temos a globalização, um acesso imenso a informações que processamos todos os dias. Vemos violência, maníacos, barbáries com nossas crianças. O mundo se tornou mais amplo, as desconfianças entre seres-humanos são uma constante para a maioria. Flutuamos em diferentes opiniões e comportamentos, corremos um risco maior de perder nossa identidade, nossos valores. O que é certo cá, não é certo lá e vice-versa. Como não se angustiar no que vamos passar aos nossos filhos?
Neste contexto, como se houvesse uma reação diante dos fatos que nos cercam, vemos um padrão crescente de superproteção dos pais.
Poucas crianças ainda freqüentam os parques sozinhas. Elas são “escoltadas” até a escola. Elas têm horários para brincar, esportes e cursos agendados. Suas vidas mais parecem um “curriculum” que uma infância comum. Resumindo, nós fazemos que o mundo “grande e mau” seja tão seguro quanto um lar e transformamos nossas crianças em “meninos-bolhas”. Isto claro traz conseqüências.
Crianças que viveram aprisionadas dentro da “super e bem intencionada proteção dos pais”, no momento que ganham a liberdade muitas vezes de um jeito súbito, já num momento mais tardio em suas vidas, tem uma tendência de assumirem risco que as façam sentirem-se mais velhas, tomando as rédeas de suas vidas. Contudo, esse comportamento pode se resumir a drogas, pegar o carro escondido dos pais etc. acarretando perigo à vida desses jovens.


Como orientar os pais

Temos que orientar os pais de quando e quanto risco suas crianças podem assumir. O que é um desafio de fato.
Para pré-escolares e crianças mais novas eles podem estabelecer a segurança dentro dos limites de seu campo de visão; quanto a ir à rua orientar quanto a estranhos e segurança da estrada; mandar seu filho de cinco anos com seu triciclo até a esquina (enquanto você o vê de uma distância); ou achar uma árvore segura para ser filho escalar. É claro que os pais devem minimizar o perigo real. A melhor regra é perguntar a você mesmo o que você fazia quando criança, e deixar-se guiar por isto.
Os pais devem procurar por oportunidades de estimular as paixões das crianças; vão ser através destas que as crianças vão achar a sua melodia.
Para não sobrecarregar demais os pais, pode utilizar-se de terceiros para oferecer novas conquistar às crianças. Como ir ao shopping com a turma da escola ou dormir na casa de amigos por exemplo. Outra coisa é estabelecer treinamentos que tornem a criança mais familiar com certos ambientes e situações: levar algumas vezes a criança ao colégio para familiarizá-la com o caminho e alertá-la dos possíveis perigos.
Os desejos de liberdade de uma criança menos ativa podem ser encontrados em caminhos emocionais. Pode-se sugerir aos pais deixarem a criança escolher a tinta de seu próprio quarto, deixando sua filha escolher seu próprio corte “desastroso” de cabelo etc. Talvez gastar tempo com uma criança de oito anos de idade mostrando como usar um canivete com segurança – então dar a ele seu próprio. Adolescentes podem tomar seus riscos também, dando a responsabilidade sobre seus irmãos mais novos, fazer a lista de mercado ou iniciar um pequeno negócio.
Quando necessário, chamar a atenção dos pais que mesmo as crianças mais bem criadas às vezes assumem riscos com tatuagens, piercings e cabelos estranhos. É importante não entrar em pânico. É normal para adolescentes experimentarem com independência e tomarem a responsabilidade por si próprios. Melhor é manter-se curioso sobre suas motivações e discutir as conseqüências. Das crianças que se rebelam, aquelas que têm uma relação saudável e aberta com os pais e que escutam e adultos que os aconselham, tem em geral um desfecho bom.

Quatro coisas que crianças precisam ouvir

Para a criança assumir riscos positivos e tomar responsabilidades elas devem ouvir quatro mensagens afirmativas de adultos. É o que afirma Michael Ungar no seu livro Too Safe for Their Own Good:
1. Você pertence. Risco e responsabilidade dão à criança o senso que ele se encaixa em algum lugar
2. Você é confiável. Quando outros confiam em uma criança, ela vai confiar em si própria.
3. Você é responsável. Crianças apreciam a oportunidade de serem vistas como “filhos-crescidos/adultos”.
4. Você é capaz. Se adultos identificam habilidades especiais em crianças, eles vão se sentir capazes de tomar boas decisões para si próprios.


Bibliografia

http://www.canadianliving.com/family/kids/overprotected_kids_how_to_let_kids_take_risks.php

Fernando Wolf

Sopro

Ó ser visceral, miserável humano
Porque pensas?
Não tens certeza de sua sobrevivência
Teu futuro, tu és um sopro
De nada adianta,
Ou achas que seus devaneios irão te salvar
Salvarão a humanidade?
Porque insistes em pensar
Seja um ignorante! Eu te desafio!
Deixe sua inquietude para lá,
Tudo se resume a angustia no final.
Droga!
Não consigo, sou fraco
Minha essência me convoca, me sufoca.
Meu general exige minha continência
Inconsciente sádico
O meu prazer se encontra nas profundezas de meu eu.
Sou um sopro
Persisto sem motivo
Maldita gostosa vontade de mergulhar.

Fernando Wolf