terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Baden Powell - Samba de bencao







A tristeza tem sempre uma esperança, de um dia não ser mais triste não!!!



A vida é a arte do encontro!



Então bom encontro!!!

domingo, 4 de janeiro de 2015

Nascer e morrer das noites






À noite, gosto quando o mar espalma sua mão por sobre a areia e se faz em mosaico de espelhos a refletir todo o monumental universo . Ali fico eu homem pequeno diante daqueles dois gigantes que se fundem num mesmo plano, numa amálgama de mistérios de toda existência desta vida tão louca. Meus pêlos se eriçam e num frenesi existencial minhas mãos ficam quentes, as lágrimas vêm ferventes a se misturar às espumas de prata, ao cheiro do mar, de um todo por vir e que se pode acabar logo ali.

Ah que vontade de um amor
De toda tristeza do seu sofrer
Em solos férteis da saudade
A grama ainda molhada pisar
Num despir do orvalho
Das manhãs de um domingo manhoso
O sol que entra na janela
Com cheiro de manhã dá bom dia
Ah... a alegria!






No entardecer, quando rabos de galo se desenham no horizonte e do topo dum morro de matas e bromélias, já sinto que se faz potencial espetáculo de cinco e tantos minutos como nunca já visto. Logo ali a nostalgia de tantos outros sóis que, enrubescidos ao ver da lua, se caíram por sobre o mar. Gosto daquele logo antes, quando o entardecer dá a última chamada para os lares, como uma sineta de fábrica, alertam os que trabalharam com muita alegria esperando as suas Marias que aguardam com saudade o seus Josés, com tempero de louro, logo logo, o retorno. Os passarinhos voltam ao seus ninhos  e aos poucos tudo vai se calando, tudo vai ficando pra trás... Ah como gosto do silêncio de um entardecer


Dorme meu bem que você também é Iemanjá
O que tanto sofreu se foi
E o que está por vir, não sei
Só sei que morro de amor
Quando cantas a mim “Meu bem”




O amanhecer bom é ao lado de alguém com sabor de beijo, que dá a alegria dum sorriso sem motivo, com gosto de café e bico do pão, a maestria do trigo e das mãos de quem guarnece no alvorecer o seu trabalho. Bom mesmo é o amanhecer não dormido, aguardado por quem não precisou ser despertado, mas estava ali na espreita do nascer daquele que já tinha dado adeus a morrer no horizonte. Ah como se renova a esperança, esta continuidade fantástica da vida que se refaz em ciclos de maestria alaranjada em fios de fogos no céu.

Hoje é dia da cama de quem nada reclama
Nem de amor nem de sofrer
A paz está em adormecer e readormecer
E assim ininterruptamente 
Ao lado de quem não quer que se vá
Menina que se vá a dormir, se vá!
Mas não vá lá sem mim

Amo isto sim!



FW

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Desconsolo




Olha eu aqui pensando em você
Mais uma noite que se vai enfim
E só de saber que estás ai a viver
Faz meu coração querer parar de bater

Ah coração que balança sem razão
Quero pegar naquele pé o céu
Quero beijar as tuas mãos ou não
O gosto do teu beijo doce melão

Quero beber todas tuas ilusões
Que diacho este meu sofrer
Quem sabe hoje abra o portão
E por aquele samba te encontre então


FW

domingo, 28 de dezembro de 2014

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Pele

Agora entendo quando falavas de pele
Quando pela razão, era tudo fútil
Sentia um manipulador de um corpo que não habitava
Como rochas que se ajeitavam por entre vales estagnados
A vida não mais me chamava
E inerte sucumbia ao tédio
Foram inúmeras tentativas das mais psicanalíticas análises
E por fim, fadigado nos pensares demasiados
Sucumbi deliciosamente a mais doce das catarses:
Como falava, ah sim...!
A pele...
Por que não acreditei antes!
Ela sim a conexão mais forte
O fogo que se transpira é sentido ao toque doutro que arde
E como você que está ali,
O outro também o está por inteiro
Numa total perda do controle de dois corpos
Era o toque da tua pele com a minha
A chave mais sincera dum coração
Era tua a minha verdadeira paixão
Era nossa pele rebelião


FW

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Meu amigo sinaleiro





Todos os dias passam na movimentada rua da minha casa sonetos de petróleo
Por vezes sou contemplado pelo sinaleiro lá de baixo na esquina
Que me presenteia com um repentino silêncio do vermelho de carros parados
É ali que me emociono com o barulho das cigarras
E das folhas que batem umas nas outras orquestradas pelo vento

Fica aqui uma grata homenagem ao meu amigo sinaleiro
Poeta do meu silêncio



FW

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O velho e o tempo




Um homem depois de certa monta já não descansa por descansar
Ele já sofreu do medo de sua própria história um dia não se firmar
Mas depois de toda glória, toda história, ficou algo para pensar
Se foi daquele ardor todo o verdadeiro fruto a se plantar

Olhando ali para outros tempos aquele homem consegui rever
Que seus mais insanos desejos só o levaram a padecer
Fora o herói de sua firma, o mais materialista daquele alvorecer
Mas quando se debruçava por sua a vida, aquilo já não queria mais ser

A suas pernas fracas agora em águas mansas passeavam num sorrir
A sua gentileza era posta como algo de real a se fazer sentir
O homem tornou-se belo e suas rugas já não o deixavam sequer mentir
Era agora seu único castelo aquele elo sobre o tempo e seu despir

O homem sentia falta da inocência das crianças ao seu redor
Sabia que o futuro era deles e o seu já não lhe pedia o seu melhor
O mundo cada vez se despedia com mais um sol no horizonte a se pôr
O velho agora chorava o seu tempo e clamava: vivam com todo o amor!




FW