terça-feira, 15 de outubro de 2013

Querido pai jardineiro



Aprendi, por entre as pedras do caminho
A amar a um outro homem
Suas rugas, suas mãos cerradas, seus braços cansados
Rancores guardados, eu tive que sofrer...
Para aprender que aquele que eu amava
Era sempre o mesmo,
mas o tempo em suas costas
O tempo em minhas respostas
Fez o homem, meu querido homem
Mostrar todas as faces e verdades
Suas marcas, suas estacas,
seus ódios e paixões

As miragens antes mesmo de mim mesmo
Tomavam conta de seus segredos
Mas agora... os seus olhos os meus olhos
Não são mais aqueles de outros tempos
São os olhos que guardam na retinas as estórias
De cenas de um amor singelo,
Dois companheiros e seus flagelos
Guardavam em si o amor mais fraterno
Que um pai e um filho poderiam ter

Agora veja, daqui para frente eu não sei
Se teremos mais daquilo, desta vez
Ou seremos outros, se teremos pouco
Um do outro, pouco a pouco indo assim
Para outros dias, outras horas, diferentes lares
Vendo a vida passar por entre mares
Meu homem, meu querido homem
Saiba que agora, já não mais sei

Mas tenha certeza, ainda temos a delicadeza
Das flores plantadas em nossos jardins
De muitas já feitas, em belezas maduras
E de outras ainda potentes, seus porvires em botões
Todas guardam em sua força os nossos regares
Nosso amar vai com o tempo ganhando sua grandeza
Seja aqui ou naqueles outros jardins já plantados
Nestas terras o amor esta guardado
Pois sempre que quiser deixe um recado, ali regado
Que vou ai, meu querido homem,
De peito aberto, lhe rever






Fernando Wolf







sábado, 12 de outubro de 2013

Sasha Dobson - Burn - EPK

Amor de fotografia



Quando venho por um acaso,
                em um mero acaso sorver

Aquela doce nostalgia,
                de você em frente a mesa da cozinha

Cantando a vida e as feridas de outros amores,
                                               de outros sabores

Sinto ali uma imensa ternura,
                    uma desabrochura do coração

Era o seu, de todos discursos,
                   o mais dos caridosos e amorosos

De fala e de corpo sinuosos,
                        nada me restava senão o seu gozo


E ali,
   em meio a vida, em meio aos danos
                    nos perdemos... nos mordemos

Dissimulamos!
          Perdidos em outros panos,
     
   Já era hora,


                                era assim escrito
                                          o último de nossos capítulos




Foi hoje aqui calado, no silêncio...
                   só quebrado pelos carros, pela rua

Que o vento soprou lembranças suas,
                        a catarse de nossa cama, 
                                         de nossos dramas

Recriadas e gozadas verdades, 
                       jogadas ao alto sem pudor algum

Como gostava quando eram ditas, 
                          como gostava de ouví-las                                                       

Era assim que se forjava nossa quimera, 
                         em tristezas, alegrias e desconstruções...

O amor ali reinventado em nosso teatro,
                            sem tédio, sem remédio, só assédios


Mas, agora
       no após dos tempos
                            vos digo:



Sorte minha, vida

O amor lembrado

Sorte minha

Ter sido amado

Ontem ia só

Com o amor dobrado

Hoje vou junto

Com ele no bolso guardado





Fernando Wolf















terça-feira, 8 de outubro de 2013

A Moral na Sociedade Contemporânea - Prof. Clóvis Barros



Vale o seu discurso e se não sucumbirem ao cansaço, vale também ver as discussões e perguntas da platéia. Show!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Ludovico Einaudi - Primavera





Que a primavera aqueça o que há de mais aquecível de dentro de um peito
Que um novo ciclo se desabroche e uma nova colheita seja farta, seja sorte
Que uma divina luz atravesse as nuvens plúmbeas e carregadas deste inverno
Ilumine as moradas, aqueçam nossas faces e tragam a esperança
De dias bons, de flores nos jardins, de parques e seus querubins



sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Meus Olhos






De quem são estes olhos?
Até bem pouco tempo pareciam tão meus
Embebiam-se em tormentas
Secavam ao sol o orvalho dos dias de tristeza
Brilhavam com alegria os domingos de xácara
Um menino com os olhos do coração


Estes olhos não parecem mais meus
Tomo um susto no relance do reflexo
Parecem um vulto, de rugas e cansaço
Talvez um pouco mais seguros de si,
Mas não, a segurança não habita mais ali
Pelo menos não é mais sincera,
Parecem querer esconder algo, um receio
Mas ali também um olhar de aceitação
Aceitam agora a sua densidade, afagam a retidão




Ah mas eles mudam sim, por vezes!
Em relances de sorrisos da alma
A acompanham logo de imediato
Mudam de feições, brindam as doces ilusões
Fazem lembrar que estes olhos são de alguém sim
Num instante esquecem os traços carregados do tempo
Revivem uma criança de olhos redondos
Espantados, mas com a certeza de suas pernas
Deitados na esperança, naquela breve esperança
Ali sim, os olhos meus, no sorriso daquele menino



Fernando Wolf – Um brinde aos 28

terça-feira, 25 de junho de 2013

domingo, 24 de março de 2013

As sessões - filme




Baseado em fatos reais, fez parecer real. Feito com alma, desnuda e pura. Helen Hunt é o exemplo mais belo, uma entrega a seu personagem. Não há nada de excepcional senão a simplicidade de uma história bem contada. Bom divertimento.



FW

terça-feira, 19 de março de 2013

Riacho turvo





Quando o porta-voz dum corpo pede ajuda
As lágrimas que correm pelo rosto
Levam por sobre as pedras a água suja
Removendo as cinzas revoltas da nascente
É possível ver então as pedras lá no fundo
Por onde passou o fim do mundo em temporal
Ao imergir os ouvidos na água pura
Pode-se sentir o barulho de paz do nada
O coração se habitua de novo com seu lugar
A fala fica mansa a enxugar a última herança
Aquela lágrima que ainda andava por lá




Fernando Wolf



Paolo Nutini - These Streets live Paléo Festival 2010 - 04


sexta-feira, 15 de março de 2013

domingo, 10 de março de 2013

Beijo beijo




Longe longe
Perto perto
O que é certo
Mesmo longe
Perto estar

Tempo tempo
Vento vento
Derruba casa
Nossa morada
No peito refaz

Amo amo
Chamo chamo
Porquanto choro
Sem seu rosto
Minha paz

Volte volte
Logo logo
Vem correndo
Com teu gosto
Teu beijar




Fernando Wolf

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dias de tormenta e paz






Em tudo há algo que se constrói e algo que se destrói. A natureza ganha vida nestes dois estados. Se fosse pétrea, não seria natureza. Nosso coração guarda os mesmos princípios. Por vezes é necessário destruir algo antes construído para que a vida que guardamos no peito se mantenha e se reconstrua das cinzas deixadas.
Tal princípio é válido para todos os aspectos de nossa vida. No amor, vivemos processos de expansão e retração das virtudes e sombras carregadas. Isto tanto pode ocorrer com separações onde não há mais energia capaz de sustentar os laços construídos, quanto dentro de uma mesma relação.
No trabalho, nas conquistas, vivemos períodos de auge e excitação, que tão breves são, quanto os de frustração. Afinal é a dinâmica da vida ocorrendo, em perene permuta, oscilando em suaves e drásticas mudanças.
É necessário o conhecimento da naturalidade que existe no processo da mudança, do construir e destruir que a vida carrega. É necessário entender que também carregamos a estes dois estados. Mimetizamos a vida, a natureza, o que está a nossa volta. A partir deste conhecimento, poderemos sim talvez identificar as estações, e antever a tormentas ou a primaveras plácidas e quentes. Está aí a nuance da maturidade. Com o tempo, já conseguimos identificar melhor, quando vamos precisar nos proteger do frio, mas também sabemos quando já é hora de ir ao campo deitar-se ao sol. Se conseguirmos prever a tudo isso, ou mesmo identificar nossas atuais estações interiores, é possível minimizar eventuais sofrimentos.
Em dias de tormenta, coloquemos nossos casacos, fiquemos mais resguardados em nossos lares, não abusemos de nossos vícios, não alimentemos ao que destrói. Façamos que o furacão seja dentro de um ínfimo copo d’água.
Já nos dias de verão, em que os solos são férteis, plantemos as mais belas flores, cultivemos a bosques com os frutos mais doces. Isso talvez nos resguarde a energia para os dias mais calamitosos. Escrevamos cartas de amor, aos que amamos, aos que perdoamos, ao próximo... Cultivemos as virtudes guardadas, para então poder colocá-las ao sol. Quem sabe todos possam, com a beleza que guardas, se inspirar, se renovar, como já o fizeste tu.


Fernando Wolf

terça-feira, 5 de março de 2013

Porto menina vem cá




Quanta calma ti só
Quanto quero por ti
Ver a lua chegar
Bons seus céus dormir

Beijo-te o sol e o mar
A tua pele sentir
Vasta manhã seu lar
Um belo dia um sorrir

Teu rosto meu viajar
Minha boca tua bem vir
Beijo teus sonhos em fá
Faço tuas rimas em mim

Linda alma que há
Repousa-te o corpo ali
Rio calmo a soprar
Vida por ela seguir

Sopre saudade vem cá
Barco traga-te em mim
Corpo sopre pro mar
Pra amor teu perto sentir


Fernando Wolf

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Andar sozinho





Quando se está sozinho, a alma certamente não o será! Estará triste por ti, que fechaste os olhos a ela. Pois justamente quando os olhos estão míopes, é que vem este ardor do peito. Alcalme-te em ti mesmo, feche os olhos para enxergar. Acalme o ar que passa por tuas ventas e sopre para fora de teu corpo as asperezas desta vida. Pois em paz então, poderás navegar por rios brandos de amor. Respire o todo, respire a ti mesmo, pois agora o és. Permitas-te chorar as belezas deste pequeno milagre. Talvez quando enxergares, possas um dia ajudar a outros que andam por aí cegos, como um dia, já andavas tu.



Fernando Wolf

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Arrepender do arrependido





Como se ainda estivesse lá
No momento anterior ao erro
Minhas falas far-se-iam mudas
Minhas mãos não atenderiam
Meu corpo estaria suspenso
E nada deste mal premeditado
Seria feito ou recriado
É no segundo anterior a fala
Na indolência antes do tapa
Na repugnância da inocência
Que meus instintos insistem
Lá que querem me jogar
Mudar o imutável, o já visto
Os olhos agora não veem, só lembram
A desatenta ignorância do ser
Que agora chora por lágrimas secas
Que não molham mais o destino
Mas doem em meio a gemidos
Do desejo não atendido
Dum ser pobre arrependido

Fernando Wolf

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Voa menino






Voa menino voa
A recantos brandos de teu coração
Se tão longe mora tua paz
menino voa,
Vá para onde foge a razão

Feche os olhos como se fosse beijar a vida
Naquela infância... de tolerância
Onde acariciavas o tempo,
como um amigo de teu íntimo
Um assopro no bolo, um momento bom

 Voa menino voa, para bem longe, longe do chão
 Para onde repouses a alma
Escute-a então, no teu sagrado e chore
Enquanto te pedem para ficar com os olhos abertos
Por algo que não amam...
Por algo que fazem sem nenhum prazer

Voa agora, menino voa
Se desfaça das vestes que carrega
Tens em ti a chave, as benesses, as tuas preces
Tens as lembranças de tudo que corre no peito,
Que ama o sujeito refletido
 No lago sereno de sonhos bons
Que mostra a vida, de como é vivida
As coisas sofridas, em meio a guaridas de um nada fugaz

Meu menino voa,
Por oceanos agora podes cruzar
Vendo a calma por sobre nuvens negras
Sob o sol, tens o teu novo lar
Voa para o ventre que te fez salvar
As tarde de manhã segura,
em tua envoltura por sobre o olhar

Sabe menino,
Se um dia voares para longe
Este alguém será ninguém, e não importará mais
Se tens seguido teu próprio caminho,
Sabes que ele é duro, reto e sofrido
Mas agora podes, eu sei que podes
Voar!

Então voa,
Repousas tranquilo por sobre o Jequitibá
E lá quem sabe talvez, um dia
Venha um sabiá lhe assoviar
As tristezas de tempos sofridos
Transformadas em canto do seu próprio pranto
Num nunca mais chorar



Voa menino filho voa
As vestes que cria são ilusões
De antigos achados em quimeras
Quando buscavam soluções
Mas a vida mostrou a eles
Que o jogo não tem razão
Basta ser, basta viver
Como se tudo fosse o pão

Ah menino velho
Por que guardas tantas mágoas no coração?
Se tua mãe falava que devias
Seguir simplesmente a tua razão
Mas se teimas em resolver
O teu destino em se perder
Saibas o preço a pagar
Esta em jogo o próprio viver 
Pois então voa enquanto podes
O teu caminho ninguém vai escolher

Tua sina é tua glória
Insana capta a tua história
Em tristes refrãos de solidão
Repetes ciclos de compreensão

Pois voa menino voa
Teu limite é teu véu, todo o teu céu
Tens as máscaras a vestir, tens a vida a suprir
Mas de qualquer maneira
Sabes a besteira de não viver
A sofrer por sobre o mundo
E em um segundo se perder
És os inicio de tudo, és o fim do mundo
És o idílio a se solver 


Fernando Wolf