segunda-feira, 7 de outubro de 2013
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Ludovico Einaudi - Primavera
Que a primavera aqueça o que há de mais aquecível de dentro de um peito
Que um novo ciclo se desabroche e uma nova colheita seja farta, seja sorte
Que uma divina luz atravesse as nuvens plúmbeas e carregadas deste inverno
Ilumine as moradas, aqueçam nossas faces e tragam a esperança
De dias bons, de flores nos jardins, de parques e seus querubins
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Meus Olhos
De quem são estes olhos?
Até bem pouco tempo pareciam tão meus
Embebiam-se em tormentas
Secavam ao sol o orvalho dos dias de tristeza
Brilhavam com alegria os domingos de xácara
Um menino com os olhos do coração
Estes olhos não parecem mais meus
Tomo um susto no relance do reflexo
Parecem um vulto, de rugas e cansaço
Talvez um pouco mais seguros de si,
Mas não, a segurança não habita mais ali
Pelo menos não é mais sincera,
Parecem querer esconder algo, um receio
Mas ali também um olhar de aceitação
Aceitam agora a sua densidade, afagam a retidão
Ah mas eles mudam sim, por vezes!
Em relances de sorrisos da alma
A acompanham logo de imediato
Mudam de feições, brindam as doces ilusões
Fazem lembrar que estes olhos são de alguém sim
Num instante esquecem os traços carregados do tempo
Revivem uma criança de olhos redondos
Espantados, mas com a certeza de suas pernas
Deitados na esperança, naquela breve esperança
Ali sim, os olhos meus, no sorriso daquele menino
Fernando Wolf – Um brinde aos 28
terça-feira, 25 de junho de 2013
domingo, 24 de março de 2013
As sessões - filme
Baseado em fatos reais, fez parecer real. Feito com alma, desnuda e pura. Helen Hunt é o exemplo mais belo, uma entrega a seu personagem. Não há nada de excepcional senão a simplicidade de uma história bem contada. Bom divertimento.
FW
terça-feira, 19 de março de 2013
Riacho turvo
Quando o porta-voz dum corpo pede ajuda
As lágrimas que correm pelo rosto
Levam por sobre as pedras a água suja
Removendo as cinzas revoltas da nascente
É possível ver então as pedras lá no fundo
Por onde passou o fim do mundo em temporal
Ao imergir os ouvidos na água pura
Pode-se sentir o barulho de paz do nada
O coração se habitua de novo com seu lugar
A fala fica mansa a enxugar a última herança
Aquela lágrima que ainda andava por lá
Fernando Wolf
sexta-feira, 15 de março de 2013
domingo, 10 de março de 2013
Beijo beijo
Longe longe
Perto perto
O que é certo
Mesmo longe
Perto estar
Tempo tempo
Vento vento
Derruba casa
Nossa morada
No peito refaz
Amo amo
Chamo chamo
Porquanto choro
Sem seu rosto
Minha paz
Volte volte
Logo logo
Vem correndo
Com teu gosto
Teu beijar
Fernando Wolf
sexta-feira, 8 de março de 2013
Dias de tormenta e paz
Em tudo há algo que se constrói e algo que se destrói. A
natureza ganha vida nestes dois estados. Se fosse pétrea, não seria natureza.
Nosso coração guarda os mesmos princípios. Por vezes é necessário destruir algo
antes construído para que a vida que guardamos no peito se mantenha e se reconstrua
das cinzas deixadas.
Tal princípio é válido para todos os aspectos de nossa vida.
No amor, vivemos processos de expansão e retração das virtudes e sombras
carregadas. Isto tanto pode ocorrer com separações onde não há mais energia
capaz de sustentar os laços construídos, quanto dentro de uma mesma relação.
No trabalho, nas conquistas, vivemos períodos de auge e
excitação, que tão breves são, quanto os de frustração. Afinal é a dinâmica da
vida ocorrendo, em perene permuta, oscilando em suaves e drásticas mudanças.
É necessário o conhecimento da naturalidade que existe no
processo da mudança, do construir e destruir que a vida carrega. É necessário
entender que também carregamos a estes dois estados. Mimetizamos a vida, a natureza,
o que está a nossa volta. A partir deste conhecimento, poderemos sim talvez
identificar as estações, e antever a tormentas ou a primaveras plácidas e quentes.
Está aí a nuance da maturidade. Com o tempo, já conseguimos identificar melhor,
quando vamos precisar nos proteger do frio, mas também sabemos quando já é hora
de ir ao campo deitar-se ao sol. Se conseguirmos prever a tudo isso, ou mesmo
identificar nossas atuais estações interiores, é possível minimizar eventuais
sofrimentos.
Em dias de tormenta, coloquemos nossos casacos, fiquemos
mais resguardados em nossos lares, não abusemos de nossos vícios, não
alimentemos ao que destrói. Façamos que o furacão seja dentro de um ínfimo copo
d’água.
Já nos dias de verão, em que os solos são férteis, plantemos
as mais belas flores, cultivemos a bosques com os frutos mais doces. Isso talvez
nos resguarde a energia para os dias mais calamitosos. Escrevamos cartas de
amor, aos que amamos, aos que perdoamos, ao próximo... Cultivemos as virtudes
guardadas, para então poder colocá-las ao sol. Quem sabe todos possam, com a
beleza que guardas, se inspirar, se renovar, como já o fizeste tu.
Fernando Wolf
terça-feira, 5 de março de 2013
Porto menina vem cá
Quanta calma ti só
Quanto quero por ti
Ver a lua chegar
Bons seus céus dormir
Beijo-te o sol e o mar
A tua pele sentir
Vasta manhã seu lar
Um belo dia um sorrir
Teu rosto meu viajar
Minha boca tua bem vir
Beijo teus sonhos em fá
Faço tuas rimas em mim
Linda alma que há
Repousa-te o corpo ali
Rio calmo a soprar
Vida por ela seguir
Sopre saudade vem cá
Barco traga-te em mim
Corpo sopre pro mar
Pra amor teu perto sentir
Fernando Wolf
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Andar sozinho
Quando se está sozinho, a alma certamente não o será! Estará
triste por ti, que fechaste os olhos a ela. Pois justamente quando os olhos
estão míopes, é que vem este ardor do peito. Alcalme-te em ti mesmo, feche os
olhos para enxergar. Acalme o ar que passa por tuas ventas e sopre para fora de
teu corpo as asperezas desta vida. Pois em paz então, poderás navegar por rios
brandos de amor. Respire o todo, respire a ti mesmo, pois agora o és. Permitas-te
chorar as belezas deste pequeno milagre. Talvez quando enxergares, possas um dia ajudar
a outros que andam por aí cegos, como um dia, já andavas tu.
Fernando Wolf
Fernando Wolf
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Arrepender do arrependido
Como se ainda estivesse lá
No momento anterior ao erro
Minhas falas far-se-iam mudas
Minhas mãos não atenderiam
Meu corpo estaria suspenso
E nada deste mal premeditado
Seria feito ou recriado
É no segundo anterior a fala
Na indolência antes do tapa
Na repugnância da inocência
Que meus instintos insistem
Lá que querem me jogar
Mudar o imutável, o já visto
Os olhos agora não veem, só lembram
A desatenta ignorância do ser
Que agora chora por lágrimas secas
Que não molham mais o destino
Mas doem em meio a gemidos
Do desejo não atendido
Dum ser pobre arrependido
Fernando Wolf
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Voa menino
Voa menino voa
A recantos brandos de teu coração
Se tão longe mora tua paz
menino voa,
Vá para onde foge a razão
Feche os olhos como se fosse beijar a vida
Naquela infância... de tolerância
Onde acariciavas o tempo,
como um amigo de teu íntimo
Um assopro no bolo, um momento bom
Voa menino voa, para bem
longe, longe do chão
Para onde repouses a
alma
Escute-a então, no teu sagrado e chore
Enquanto te pedem para ficar com os olhos abertos
Por algo que não amam...
Por algo que fazem sem nenhum prazer
Voa agora, menino voa
Se desfaça das vestes que carrega
Tens em ti a chave, as benesses, as tuas preces
Tens as lembranças de tudo que corre no peito,
Que ama o sujeito refletido
No lago sereno de sonhos bons
Que mostra a vida, de como é vivida
As coisas sofridas, em meio a guaridas de um nada fugaz
Meu menino voa,
Por oceanos agora podes cruzar
Vendo a calma por sobre nuvens negras
Sob o sol, tens o teu novo lar
Voa para o ventre que te fez salvar
As tarde de manhã segura,
em tua envoltura por sobre o olhar
Sabe menino,
Se um dia voares para longe
Este alguém será ninguém, e não importará mais
Se tens seguido teu próprio caminho,
Sabes que ele é duro, reto e sofrido
Mas agora podes, eu sei que podes
Voar!
Então voa,
Repousas tranquilo por sobre o Jequitibá
E lá quem sabe talvez, um dia
Venha um sabiá lhe assoviar
As tristezas de tempos sofridos
Transformadas em canto do seu próprio pranto
Num nunca mais chorar
Voa menino filho voa
As vestes que cria são ilusões
De antigos achados em quimeras
Quando buscavam soluções
Mas a vida mostrou a eles
Que o jogo não tem razão
Basta ser, basta viver
Como se tudo fosse o pão
Ah menino velho
Por que guardas tantas mágoas no coração?
Se tua mãe falava que devias
Seguir simplesmente a tua razão
Mas se teimas em resolver
O teu destino em se perder
Saibas o preço a pagar
Esta em jogo o próprio viver
Pois então voa enquanto podes
O teu caminho ninguém vai escolher
Tua sina é tua glória
Insana capta a tua história
Em tristes refrãos de solidão
Repetes ciclos de compreensão
Pois voa menino voa
Teu limite é teu véu, todo o teu céu
Tens as máscaras a vestir, tens a vida a suprir
Mas de qualquer maneira
Sabes a besteira de não viver
A sofrer por sobre o mundo
E em um segundo se perder
És os inicio de tudo, és o fim do mundo
És o idílio a se solver
Fernando Wolf
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Sei que me esperas
como se o tropismo fosse nossa matemática
Sei que me chamas
em teus desejos contidos
em teus beijos perdidos
Sei que me guardas
em um retrato feio em tua estante
Tem algo ali de errante
Sei que te levas
a caminhos que não querias estar
Por ali caminhar, pelo mero andar
Sei que me esqueces
A cada vinho um desbotar
Uma lágrima a menos, a secar
Agora levas leve tua vida distante
junto a certeza não obstante
de um novo amor, uma nova dor
Tens a bênção em ti do amar
detens o belo do sofrer
Tens uma vida a zelar
Num irremediável tempo de rescisão
Um contrato frágil
Dum começo vão
Nossas vidas se ataram
e agora se vão
vão com o vento,
com o tempo,
vão...
Fernando Wolf
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
[2012] Leos Carax 'Holy Motors', Entracte 'Let my Baby Ride' Denis Lavan...
O filme mais indescritível que já assisti... com esta cena fantástica (uma das menos bizarras).
E dizem que foi aplaudido por 10 min no festival de Cannes 2012.
Holy Motors, how bizarre...
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Camomilas dançam em teus olhos
Assim conduzem teus passos
Rasgam de saudades flagrantes
Os ventos de campos distantes
Lá de longe... dormem com teu canto
Igrejas escutam calmas o teu silêncio
Nas tuas lágrimas, a melancolia
E no teu sorriso, o reencontrar d`alegria
Bem sabe quem te ama
Esse amor que sempre clama
Na certeza dum futuro próximo
A “perteza” de tua doce beleza
Fernando Wolf
Um presente de aniversário atrasado!
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Eddie Vedder - Society
É um mistério para mim
Nós temos uma ambição que concordamos.
E você pensa que você tem que querer mais do que precisa.
Até você ter tudo, você não estará livre.
Sociedade, sua raça louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.
Quando você quer mais do que tem
Você pensa que precisa.
E quando você pensa mais do que você quer
Seus pensamentos começam a sangrar.
Acho que preciso encontrar um lugar maior
Pois quando você tem mais do que imagina,
Você precisa de mais espaço.
Sociedade, sua raça louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.
Sociedade, realmente louca
Espero que não esteja solitária sem mim.
Tem aqueles achando, mais ou menos, que menos é mais
Mas se menos é mais, como você mantém um placar?
Quer dizer que pra cada ponto que faz, seu nível cai
É como começar do topo
Você não pode fazer isso.
Sociedade, sua raça louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.
Sociedade, realmente louca
Espero que não esteja solitária sem mim.
Sociedade, tenha piedade de mim
Espero que não fique brava se eu discordar
Sociedade, realmente louca
Espero que não esteja solitária sem mim
Eddie Vedder
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