quarta-feira, 22 de agosto de 2012
domingo, 19 de agosto de 2012
Por vezes, volto a reviver o menino
é um presente dado ao
peito
Sentado naquele velho
balanço de jardim
A viver a inocência de
um amor de altar
que insiste ali, num rumar sem fim
É... já é sabida a
dor do porvir
Mas, veja bem, os
ausentes já não o podem mais sentir
Afinal é um presente ,
não pedido, nem implorado
Pois que mal tem vestir
os retalhos
para afagar o arrepio
da pele,
que desfalece por nada
ter
Ah sim, o discurso em
monólogos incansáveis
de cartas escritas e
guardadas
nunca (!) jamais
enviadas
afinal a mão treme na
vastidão da incerteza
na suspensa beleza
deste velho advir
O usual silêncio, já
não conforta mais
é preciso agora ouvir
aos sonetos educados
de segredos não
revelados
Que fazem emudecer
desampontado
O garoto relembrado,
daquele jardim
A balançar em suas
mais doces desilusões pueris
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
domingo, 29 de julho de 2012
O vendedor de flores
Por de trás de cada ser existe um segredo, uma luta, um
amor, uma chance perdida, uma vida construída. Dia-a-dia percebemos, encontro a
encontro, a superficialidade destes seres que nos cercam. Julgamos – montados
em nossas próprias personalidades – o que vimos, o que nos é transferido, o que
nos é captado em segundos por nossos limitados sentidos. Estimamos inconscientemente
que o julgamento é de fato uma verdade. Passamos então a conviver por verdades
criadas.
Há um porém que todos já devem ter vivenciado um dia. As verdades
mudam...
Vejam aquele vendedor de flores, vendendo suas rosas e
cravos para aqueles casais sentados ali naquele café da esquina. Um senhor
franzino, de terno batido, de sapato desbotado, vestindo seus óculos de armação
firme e lentes pesadas. Alguns o veem e compram o seu produto por pena. Tem
pena de um pobre velho que, apesar de avançada idade, deveria estar trabalhando
de bar em bar na esperança de ir para casa com algumas moedas a mais, para cobrir suas necessidades.
Mas faço um convite, olhe para os olhos deste velho. Há um
mundo que vos aguarda. Olhe com atenção por de trás destes óculos. Veja os
olhos marejados de emoção pelo simples fato de ver aquela jovem moça receber de
seu amante, com carinho, a flor vendida segundos antes. Pois para quem olhar mais
fundo, verá que ali em seu Benjamin habita uma alma saudosa. Sim, ele já vivera
um grande amor, seu único amor, para o qual há dez anos levava flores todos os domingos
à tarde, recostando-as por sobre a lápide de sua falecida esposa. Era ela a
única pessoa a quem fora capaz de amar com todas as forças de sua existência. E
agora vendo ali, aquela jovem moça enrubescer-se com uma rosa, revivia com seu
coração saudoso, as boas lembranças do seu doce romance, de tempos atrás.
Agora que já conhecem seu Benjamin um pouco mais, saibam que
ele não estava ali por um acaso. Poderia vender outras coisas como já o fizera em
épocas passadas. Já fora um habilidoso comerciante e se aposentara com certo
conforto financeiro e social. Mas houve, naquela altura da vida, um chamado que
optou por escutar. Era sua nova vocação. Era por isso que estava ali, noite após
noite, vendendo seu encanto em forma de flores. Era a forma que encontrara para reviver o
seu romance. Afinal, era ele, como perceberam, um romântico.
Agora venham, voltemos à superfície da situação. Não há de
forma alguma como ver a imensidão por de trás de cada olhar. O mundo nos engole, a rotina nos sufoca. Mas não custa, vez
ou outra, parar e prestar atenção, ao fantástico universo que habita em cada um.
Convide-se por vezes, ao desfrute de explorar universos paralelos, sem olhar em demasia ao
céu. Pois olhe ali adiante, por de trás de outros óculos... Verás as verdades se
transformarem, a cada estrela nova que mirares.
Fernando Wolf
sábado, 28 de julho de 2012
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Mantendo a casa limpa
Vivemos em uma era de "narcísos" e seus carros. As
pessoas – inclua-se você e eu - atrapalham-se em diferenciar seus personagens
montados ao que realmente são. E para fugir de tal ilusão, o policiamento deve
ser intensificado. Para tal, de nada vale a represália aos defeitos, pois mais
efetivo é o engrandecer das virtudes.
Contudo, o porquê de vivê-las deve ser verdadeiro para o
“eu”, deve ser engolido e digerido. Do contrário, caímos noutra ilusão de
querer provar a outrem de que temos uma camisa mais bonita do que realmente é.
Ou tentamos vender de forma forçada a nós mesmos que este alguém comprado – a
traduzir definitivamente o que não somos – pode substituir nossa real essência.
A virtude deve ser buscada nos redutos mais profundos do
ser. Ela está lá, em algum lugar de nós, nos momentos em que é admirada em
outro alguém. Preste atenção... escute... Enfim, os outros são belos espelhos
de nossas almas.
Então porque não desenterrarmos as virtudes de onde estavam
resguardadas e trazê-las à tona ao nosso hábito? Uma tarefa de diarista que, todos os dias, lava a
casa suja de poeira da estrada. O trabalho deve acabar um dia – na
aposentadoria da vida - mas até lá vale a pena manter a casa mais limpa o
possível. Afinal é o reduto mais precioso que temos.
Metáforas à parte, ficam aqui frases que fizeram a semana
pensativa e complementam a ideia central:
“It used to
be about trying to do something. Now it's about trying to be someone” Do
filme “A dama de ferro”, da fala de Margaret Thatcher a uma de suas admiradoras
da nova geração. Tradução: “Costumava ser sobre tentar FAZER algo. Agora é
sobre tentar SER alguém”
“Torne-se comum e você será extraordinário; tente se tornar
extraordinário e você continuará sendo comum.” Osho
terça-feira, 24 de julho de 2012
A arte de equivocar o vazio
Torna um sofredor pintor de sua tragédia
Quem desenha maçãs em seus quadros
Sabe bem o gosto do papel... quem não...
De forma alguma o desejo pode se tornar
Enfim, um certo almejo de outro lugar
Diversas fontes já se esgotaram a explicar
Que é aqui mesmo onde devemos estar,
A entender a dor de um corpo
Na dolorosa contundência
dos ossos
Fernando Wolf
Foto: Thayne Soldatelli
Andrade
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Les Petits mouchoirs
O filme francês "Les Petits mouchoirs" - lançado com o título "Até a eternidade" no Brasil - é dirigido por Guillaume Canet e tem ao todo duração de mais de duas horas. No entanto, o enredo trágico cômico é desenhado de forma inteligente e emocionante, sendo inevitável prender o interesse na vida de cada personagem. Marion Cotillard (minha preferida) está como sempre bela e esbanjando talento.
A trama inicia com uma tragédia em meio a um grupo de amigos, mas vai aos poucos se tornando mais suave, para enfim, finalizar com maestria. As lágrimas são inevitáveis. O filme força-nos a refletir sobre o que devemos valorizar nas relações com os amigos, amores e com a vida.
Fernando Wolf
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quarta-feira, 18 de julho de 2012
Doce epifania
Quem já não quis mudar-se para uma ilha, longe de tudo e
todos os que incitam ao caos. Bem verdade que cada um sonha com a sua ilha, a sua
própria, do seu jeito. Cada um tem um paraíso guardado dentro de si. Quem dera
eu então, viver em uma ilha, que não seria necessariamente cercada de mar, mas por
campos dourados, laminados por ventos vindos do Sul.
O ranger do relógio traria o dia, uma vez, e a noite outra.
Seria assim o tempo contado, mas também fracionado, pelas vezes do leite ordenhado
dos ventres das vacas em seus cercados. Da varanda larga colocar-me-ia numa rede num fim
de tarde para rir da meninada a caçar ovos por entre poleiros, espantando com
medo, as galinhas chocadeiras.
Lá, o dia-a-dia jamais cansaria. A música suave de estradas
passadas caminharia por entre os corredores, chamando todos à sala, frente à
lareira, para ali ficar no calor do fogo, ouvindo os estalos da lenha.
Esta ilha de modo algum receberia sinal de mundo outro. Lá o
único jornal, seria o da vizinha, que daria bom dia com notícias do povoado de
lá. Assassinatos, quadrilhas e corrupção não passariam mais na televisão.
Cortaríamos assim a escola de um ladrão.
A tranquilidade se daria por gestos simplórios. Mostraria a
paz por entre aqueles, que já tiraram do tempo, demais amarguras, para se
importar com as frescuras, dos dias a mais.
E para quem ali quisesse viver, teria de aprender a ouvir os
canarinhos com atenção, pois assim, dum continente de poucos ouvidos, conseguiria
se abrir mão. Nesta doce epifania, se poderia a paz sentir. Seria ali num
repousar das costas no gramado, que se escutaria, com o sol recobrindo a face, o
que a vida realmente tem a dizer. Aprenderíamos assim um novo fazer do pão, de
nosso próprio trigo plantado, sem mais prestar atenção, às receitas criadas no
caos do mundo de lá.
Ilha assim, levo em meu coração. Coloco lá quem eu quero,
coleciono as pessoas que amo, envoltas nos sentimentos mais nobres que já fui
capaz de sentir. E por vezes, permito-me para lá fugir...
Fernando Wolf
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Jorge Drexler "El museo de las distancias rotas"
Un silencio que llego de lejos
Fue a ocupar mi corazón vacío
De la pena que se llevó flotando el río.
Cada cual a merced de su corriente
Y a merced de la gravedad, el velo
De pronto el tiempo quedó latente
Tu mano en mi pelo, tu mano en mi pelo.
Y un silencio con tus mismos ojos
Fue a ocupar mi corazón vacío
De la pena que se llevó flotando el río,
De la pena que se llevó flotando el río.
Jorge Drexler
terça-feira, 10 de julho de 2012
Dias Frios
O entardecer de um dia plúmbeo
Nega ao espírito a completude
Em meio a grilos e árvores chorosas
O sereno joga o frio por sobre a face
Deste cálido ânimo, um triste soldado
Que solta pelas ventas seu desânimo
E faz a boniteza perder toda nobreza
Por um âmago a sofrer sem cor nenhuma
O cair das pétalas desbotadas uma a uma
Nestes dias frios, com cheiro de mato
Fernando Wolf
Maria Callas - L'amour est un oiseau rebelle
L'amour Est Un Oiseau Rebelle
L'amour est un oiseau rebelle
Que nul ne peut apprivoiser,
Et c'est bien en vain qu'on l'appelle,
S'il lui convient de refuser.
Rien n'y fait, menace ou prière,
L'un parle bien, l'autre se tait;
Et c'est l'autre que je préfère:
Il n'a rien dit, mais il me plaît.
L'amour est enfant de bohème,
Il n'a jamais connu de loi:
Si tu ne m'aimes pas, je t'aime;
Si je t'aime, prends garde à toi!
L'oiseau que tu croyais surprendre
Battit de l'aile et s'envola ?
L'amour est loin, tu peux l'attendre;
Tu ne l'attends plus, il est là!
O amor é um pássaro rebelde
Que ninguém pode prender,
Não adianta chamá-lo
Pois só vem quando quer.
Não adiantam ameaças ou súplicas,
Um fala bem, o outro cala-se
É o outro que prefiro,
Não disse nada, mas agrada-me.
O amor é filho da boêmia,
Que nunca, nunca conheceu qualquer lei;
Se não me amares, eu te amarei;
Se eu te amar, toma cuidado!
O pássaro que julgavas surpreender
Bateu asas e voou
O amor está longe, podes esperá-lo
Já não o esperas, aí está ele,
À tua volta, depressa, depressa,
Ele vem, ele vai, depois volta,
Julgas tê-lo apanhado, ele te escapa;
Julgas que te fugiu, ele agarra-te.
O amor é filho da boêmia,
Que nunca conheceu qualquer lei.
Se não me amares, eu te amarei;
Se eu te amar, toma cuidado!
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Joshua Bell
O mesmo violinista, Joshua Bell, acima em uma pintura sem moldura e abaixo em uma com. Somos ou não grandes apreciadores de molduras? Quantas obras de arte de nosso dia-a-dia deixamos passar por não concebê-las como arte. Mesmo o cotidiano pode ser arte quando percebido como tal. Basta parar e contemplar o que toca ao peito.
Fernando Wolf
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domingo, 8 de julho de 2012
Os Salmões
Um jovem tinha agora
a morte como parte de seu cotidiano. Era sua nova profissão como “cerimonialista
fúnebre”. Tinha de enfrentá-la face a face. No entanto, isto lhe trazia
conflitos internos e externos – tinha o descrédito da sociedade e de sua
família que achava aquilo um trabalho indigno. E esta bela cena arranja-se em
cima disto:
Em uma ponte baixa, no interior do Japão, o jovem observava
pensativo. Eram salmões que nadavam corredeira acima por entre as pedras do
riacho. Um ancião aproximou-se e perguntou se ele estava admirando os peixes.
Quando, por entre os que remavam bravamente aos seus destinos, boiavam alguns
desfalecidos seguindo o fluxo do riacho. Era natural ao ciclo do salmão. O
jovem, em sua perplexidade reflexiva, indagou ao velho “qual o sentido de tanto
esforço se a morte era o destino daqueles peixes?”
O ancião já dando as costas ao jovem, voltando calmamente ao
seu caminho, respondeu: “Talvez eles queiram voltar para onde nasceram...”
Uma cena simples e muito rica em contemplação. Pois temos
muito de salmões... não? De algum lugar viemos e a algum lugar iremos – ou
voltaremos. Existe conexão entre a origem e o fim? Talvez seja esta angústia
existencial que motive a procura de nossa origem, de saber a nossa história, de
saber quem foram nossos antepassados, o que fizeram, quais os seus feitos, o
que nos trouxe até aqui. Quanto mais nos aproximamos da velhice – da morte
porque não? – maior a tendência desta busca. Eis que entender o passado, poderia
nos dar fundamentos de imaginar um futuro, de poder palpar algo teoricamente
impalpável. Afinal a busca ao passado, poderia se constituir de uma busca por
um conforto existencial a nos conectar com a vida e com o mundo.
A cena descrita acima vem do filme ganhador do Oscar de
melhor filme estrangeiro de 2009 “A Partida” – Okuribito/Departures. Foi
gravado em 2008, dirigido por Yojiro Takita e ambientou-se no Japão. Tem várias
cenas estranhas, carregado de significações. Um bom filme.
Fernando Wolf
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terça-feira, 3 de julho de 2012
To Rome With Love
É Woody Allen, é bom, com uma
mistura de elenco interessante. Traz alguns enredos, distintos uns dos outros, passados na belíssima Roma. Mesmo sendo fragmentadas as estórias, não se consegue desprender a atenção ou perder a noção de continuidade. O humor é delicioso, habilidoso,
com deixas que só este diretor e suas neuroses conseguiria tramar. Deu para matar a saudade de Roberto Benigni também que está engraçadíssimo como sempre. Penélope está
fantástica, num vestido vermelho de deixar qualquer um de joelhos. Faz da
sedução uma brincadeira que, apesar de hábil, para ela parece ser muito natural. Um
filme excelente para quem vive num caos, pois pelo menos para mim, o mundo ficou para trás por alguns minutos. Só mesmo Woody Allen. Assistam!
Fernando
Fernando
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The freedom of just exist...
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Maybe...
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sábado, 30 de junho de 2012
Amanhecer
Quando o dia acorda leve
Os pensamentos são suaves como manteiga
Os pássaros cantam em sinfonias afinadas
As nuvens desenham os sonhos bons
E na geladeira, recordações de estradas passadas
Quando os campos florescem
Já não há mais lugar para a noite
Os córregos vertem de pedras
As montanhas acalentam os vales
E o silêncio abraça seus moradores
Quando o peito acorda leve
As palavras são doces portugueses
A boca cheira a mel do campo
O café é de panquecas e frutas
E o levantar é um cúmplice preguiçoso
Quando o sol aquece a face
O ar entra e sai tranquilo
A chuva dá lugar ao orvalho das folhas
A música chama para um passeio
E a paz calmamente vai tocando a alma
Fernando Wolf
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