terça-feira, 3 de julho de 2012

To Rome With Love




É Woody Allen, é bom, com uma mistura de elenco interessante. Traz alguns enredos, distintos uns dos outros, passados na belíssima Roma. Mesmo sendo fragmentadas as estórias, não se consegue desprender a atenção ou perder a noção de continuidade. O humor é delicioso, habilidoso, com deixas que só este diretor e suas neuroses conseguiria tramar. Deu para matar a saudade de Roberto Benigni também que está engraçadíssimo como sempre. Penélope está fantástica, num vestido vermelho de deixar qualquer um de joelhos. Faz da sedução uma brincadeira que, apesar de hábil, para ela parece ser muito natural. Um filme excelente para quem vive num caos, pois pelo menos para mim, o mundo ficou para trás por alguns minutos. Só mesmo Woody Allen. Assistam!


Fernando

Slab City Life Off the Grid | Subculture Club



The freedom of just exist...

Maybe, is just inside

Maybe...

We just need a time....

sábado, 30 de junho de 2012

Amanhecer




Quando o dia acorda leve
Os pensamentos são suaves como manteiga
Os pássaros cantam em sinfonias afinadas
As nuvens desenham os sonhos bons
E na geladeira, recordações de estradas passadas

Quando os campos florescem
Já não há mais lugar para a noite
Os córregos vertem de pedras
As montanhas acalentam os vales
E o silêncio abraça seus moradores

Quando o peito acorda leve
As palavras são doces portugueses
A boca cheira a mel do campo
O café é de panquecas e frutas
E o levantar é um cúmplice preguiçoso

Quando o sol aquece a face
O ar entra e sai tranquilo
A chuva dá lugar ao orvalho das folhas
A música chama para um passeio
E a paz calmamente vai tocando a alma





Fernando Wolf

domingo, 24 de junho de 2012

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Saudade do Caipira



A saudade é uma tristeza que vem do peito, vem do fundo, lá dos fundos dum quintal... vem com cheiro de churrasco de domingo onde os primos brincavam felizes pelo capinzal. A saudade é uma devoção entre as almas, que vem ao corpo provar que, sem o amor de acalento, passamos por um frio de doer. Frio tão gélido que faz o peito tremer sem igual. Basta então soprar por sobre o vidro molhado de garoa para desenhar as nuvens que costumavam encobrir os sóis de outros verões. Eram nestes dias que vinham as suaves brisas por sobre as faces dos que conosco não mais perto estão ou quiçá mesmo, já viajaram para outro mundão.
As lágrimas, quando de saudades, sequer avisam. São safadas, desbocadas, imprevisíveis! Basta uma ligação e, sem mão, elas se fazem enfileirar ladeira a baixo pelas bochechas despencando uma a uma por sobre o telefone. Por fim, esparramam-se por sobre o capim que costumávamos pisar, lá, lembra, em meio àquele quintal.
Ah e os cheiros! Grandes âncoras que atracam o peito nas mais profundas águas de nossas lembranças. Fazem-nos mergulhar em meio aos pastéis caseiros da vovó fritos em banha ou mesmo em perfumes de amores deixados lá nos fundos dum cafundó.
Quem sente saudade sabe bem o que é lonjura. Palavra besta que atina os corações só por desejarem aquela “perteza” gostosa das rodas de conversa na varanda. Ou aquele abraço gostoso como prova do enlaço das mais virtuosas emoções. Mas vem o longe que costuma envolver o coração com tamanha força que faz paralisar qualquer esperança de um reencontro bom. Sorte a Deus Pai que a isto não se deve mais de uns minutos. Logo aquele sofrido coração volta a bater no compasso do dia-a-dia, da nova vida que será sentida, da mesma forma, nos dias que se virão. "Êh trem bão..."

Fernando wolf

domingo, 17 de junho de 2012

Ressuscitar





Quando os olhos encontrarem-se fechados
Que se abra o peito à paz que há em ti

Quando o sentido de tudo se esvai
Procure pelo sabor da nobreza de um pai

Se só vês sombras projetadas em iguais
Busca em ti a luz que também há em outros a mais

Se o que rege o corpo teima em não escutar
Eu imploro, abra olhos, chore e contemple o amar

Quando achares que não há mais forças para tentar
Escute ao longe, guerreiros ocultos em ti virão ajudar

E se achares que não mais mereces ao menos tentar
Ajude a outro homem, que possa por isso também passar

Há sempre um tempo para mudar, escute o coração
E encontrarás a mais nobre razão para um novo ressuscitar





Fernando Wolf

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O tempo da ausência




Outrora a mente embebia-se por sobre diálogos
Que pareciam tão reais em seus sentidos tão vivos
Bastava um segundo e lá mirava a mente a sair do corpo
E tudo voltava a ser uma vitrine de cabeças falantes
Que atuavam em nuances que a vida lhes traziam
Nada mais parecia eterno e, muito menos, importante
Nem a mais fugaz das distâncias entre o certo e o errado
Tudo isso se desfazia como castelos de areia com o mar
Que contavam histórias de tempos atrás, nunca mais...
Tempos que o passado engoliu e o presente nem viu
E tudo se desmanchava em areia por entre minhas mãos
Liquefazia-se na realidade de meu próprio mundo
Um universo criado por algo em mim que só Deus
Poderia saber o que se passava pelos cantos dali
Era tudo suspenso e leve...  tudo levava ao nada..

E então...

Vinham os minutos fracionados que me levavam ao chão,
Pois o presente imposto fazia de seu gosto provado
O tempo novamente era sentido num pulsar no peito
A cada batida, mais um segundo vertia de mim
Numa sangria desatada de minha existência
Era essa a incumbência de quem sentia a vida fluir
Sentir aos poucos a alma do corpo esvair 
Dando adeus aos corvos que ainda insistem por ali


Fernando Wolf

Img: "Wheatfield with Crows" de Van Gogh

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Balada Para un Loco - Astor Piazzolla e Eduardo Ferrer



Um tango com ternura
Enobrece à alma mais pura

Pois...

Brindemos com cálices de vinho
Aos loucos de corações vizinhos

Fernando

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Uma flor em meio ao cimento




Todos os dias, dias após dias, o inevitável frio soprava os corredores. Eram doentes e doentes invariavelmente eram carentes. Debilitados na fragilidade dos estados de seus corpos e espíritos. Às almas frágeis, fazia-se pesar o não poder levar do calor que costumavam ter por sobre suas faces em dias de sol.
Entretanto, havia algo em meio aos corredores e quartos que guardava uma preciosidade, uma flor, que trazia seu próprio sol. Ela era uma menina de pele alva da cor de noites de lua cheia, de cabelos vermelhos dourados que pareciam da fênix tirados. Estava agora em seu estado mais febril, vinda de duras batalhas com sua própria sorte. Dias e noites lutando por não apagar a chama que mantinha sua energia vital. A precariedade, a total entrega e a carência de intimidade já fazia parte de seu cotidiano. Era doloroso vê-la. Uma menina tão moça. Um martírio tão grande.
Todo o ar que tragava, já havia dias que por sua boca não passava. Era por meio de cânulas e aparelhos que respirava. Um incansável ir e vir artificial. O sono não era natural, queria dormir, mas seus olhos não fechavam quando desejava, mas sim quando as máquinas e medicamentos ditavam. O arbítrio já não era mais seu. Seu corpo já estava inerte a frequentes invasões. Cateteres, exames, tubos, desconhecidos de branco falando a sua volta hora sobre sua pessoa, hora sobre superficialidades.
A medicina moderna a fizera sobreviver, mas ainda não conseguira fazê-la viver, até aquele dia...
Já não mais dependia de aparelhos, mas estava fraca e havia ainda uma cânula que desviava o ar diretamente para seus pulmões. Não lhe era possível falar. Era-lhe cabível somente expressar-se com os olhos. Seus olhos azuis queriam falar, carregavam uma esperança sorvida por tristeza. Havia dor. Veio então a notícia. Seria possível colocar uma cânula em sua traqueia que a permitiria falar e que lhe daria mais conforto. O médico prontamente realizou o procedimento de troca. Sua mãe, que a acompanhava incondicionalmente desde sempre, sofria às lagrimas do lado de fora e entoava baixinho: Filha, sua mãe esta aqui! Sua mãe esta aqui, filhinha!
A jovem menina mais uma vez mostrava seus olhos de angústia. Era desconfortável, quase não tinha forças para tossir. Foi quando, que uma vez a nova cânula colocada, com sua mãe ao lado, aquela menina mostrou seus olhos em lágrimas e estendeu seus braços trêmulos. Sua mãe prontamente perguntou angustiada:
“Filhinha, você esta com dor?”
Dissemos que ela poderia agora falar, afinal já havia tanto tempo que já se desacostumara. Eis que ela reúne todas suas forças e, em um sopro de ternura, responde:
“Mamãe, eu te amo!”
Sua mãe, emocionada, passou a mão em seus cabelos e respondeu: “A mamãe também te ama, filha.”
O silêncio agora se fazia de fala, trazia o som da perplexidade dos que estavam a sua volta.
Havia em toda aquela fragilidade uma força que permeava todo o sofrimento. A força de um amor incondicional. Um amor tão doce que foi capaz de tirar, num instante, toda a amargura daquele sofrer. Algo que palavras realmente não são capazes de descrever.
Foi naquele dia, que pude sentir o perfume de uma flor, que se fez florir em meio a um mundo de cimento tão duro e arbitrário. Foi naquele dia que minhas lágrimas homenagearam o perfume mais doce deste mundo sem fim. Foi o amor, ele sim, que iluminou a flor mais nobre daquele jardim.


Fernando Wolf

terça-feira, 22 de maio de 2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Que saudade tenho dos sapatos baixos
Da poesia de tornozelos finos e delicados
De cada detalhe feminino ali observado
Dos versos que davam forma ao livro de teu corpo
No saber do sentido de cada sílaba
Dos segredos teus em mim bem sedimentados
Num repouso por sob o peito do que havia de sagrado

Que saudade tenho das vestes franzinas
Do perceber o que já era antigo e desbotado
De lembrar sempre a ocasião de cada vestido
A iluminar vestígios de beijos arrancados
Daquilo sentido, o amor de detalhes guardados
Dentro de minhas caixas ficam ali jogados

Que saudade tenho de guardar tua história
De fazer de cada sopro perfumado de tua boca
Retalho costurado em minhas memórias
De poder ser testemunha de teus passos
Que bailavam em compassos doces
À melodia de um amor com toda sua cor




Fernando Wolf

domingo, 20 de maio de 2012

La Vie en Rose (Piaf, Um Hino ao Amor) filme




Trecho do filme La Vie en Rose (Piaf um hino ao amor) 2007

Marion Cotillard, atriz que interpreta Piaf, já se faz por valer o filme.


Non, Je Ne Regrette Rien



Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Ni le bien qu'on ma fait,
Ni le mal - tout ça m'est bien égal!

Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié,
Je me fous du passé!

Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu,
Mes chagrins, mes plaisirs,
Je n'ai plus besoin d'eux!

Balayé les amours
Avec leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro...

Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Ni le bien qu'on ma fait,
Ni le mal - tout ça m'est bien égal!

Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies,
Aujourd'hui, ça commence avec toi!

segunda-feira, 14 de maio de 2012


Entre o caos que assola o que há de divino
Encontro no meio do caminho a passos ligeiros
O cheiro de toda beleza do lado de fora
Que agora vira minha escola, e mostra
Com a luz apertando meus olhos
O sol cobrindo o vento por sobre os arvoredos
E todo aquele branco que me cercava
Agora se esvai por entre o mirar do relevo
Ao longe, como será que as coisas vão por lá... (?)

A saudade míngua no peito, se vai
Por entre corredores com diversas portas
Por entre o pedir de todas as forças
Dos que ali estão sem nenhuma opção
De ao longe também poder sonhar


Fernando

domingo, 13 de maio de 2012

As Invasões Bárbaras - 2003



O premiado filme “As Invasões Bárbaras” traz a despedida, a morte, a razão de existir, o apego à vida, os sentimentos, as relações e seus enredos numa fase mais madura da vida. Apaixonante de verdade com cenas onde os sentimentos são trazidos à tona. Uma das cenas mais bonitas é a da imagem acima entre pai e filho, difícil segurar as lágrimas.
Se tiver um tempo a mais, assista também ao filme “O Declínio do Império Americano” gravado em 1986 com o mesmo elenco – mais jovem obviamente. Aqui os personagens vivem as tramas amorosas/sexuais e existenciais contemporâneas às suas respectivas idades e época.



Abaixo a música L'amitié - Françoise Hardy  - que faz parte da trilha sonora do filme:



A amizade


Muitos de meus amigos vieram das nuvens,
Com o sol e a chuva como bagagem.
Fizeram a estação da amizade sincera,
A mais bela das quatro estações da terra.

Têm a doçura das mais belas paisagens,
E a fidelidade dos pássaros migradores.
E em seu coração está gravada uma ternura infinita,
Mas, as vezes, uma tristeza aparece em seus olhos.

Então, vêm se aquecer comigo,
e você também virá.

Poderá retornar às nuvens,
E sorrir de novo a outros rostos,
Distribuir à sua volta um pouco da sua ternura,
Quando alguem quiser esconder sua tristeza.

Como não sabemos o que a vida nos dá,
Talvez eu não seja mais ninguém.
Se me resta um amigo que realmente me compreenda,
Me esquecerei das lágrimas e penas.

Então, talvez eu vá até você aquecer
Meu coração com sua chama.





Fernando Wolf

domingo, 22 de abril de 2012

Nos braços do incerto


Desde o florir d`alma neste mundo, até o despir da carne, caminhamos por sobre pedras e pétalas. Quando ficamos felizes, vêm o voltar às lagrimas duma tristeza que já fazia a sua falta. E quando o cinza frio já cansa a espinha, nos erguemos em mais uma primavera a mirar os campos férteis a se perder de vista.
 Vivemos os ciclos, revivemos os erros, nos vangloriamos dos acertos. O privilégio da maturidade vem trazendo mais e mais a calma de padrões achados em meio ao caos. Buscamos incansavelmente as respostas, que esmigalham o peito, dia após dia, noite após noite. Tudo fluindo com a força do tempo, muito a parte de nossos desejos e rezas.
A jornada do viver constrói-se num perguntar constante, sem nunca uma resposta. Pois, se a encontrássemos, talvez, estaria lá a morte. Quem sabe, se encontrássemos a Deus, ou mesmo o nada, já não haveria mais lá o viver. Estaria ali o fim, ou o começo de algo que não esta vida mundana.
A certeza ou a plenitude eterna, portanto, ainda não caberiam a este viver que conhecemos. Não nesta vida, não neste corpo de carne e sentimentos. Não nesta mente despreparada que beija a terra e que mira o céu sob sua suspeita. Quem se atreve a continuar vivendo, não está apto a encontrar uma resposta estanque. Estamos sim aptos a desfrutar a angústia das interrogações, da beleza do incerto, da falta do conforto apaziguado pelas ilusões - uns menos e outros mais. E, mesmo assim, isso de forma alguma deve ser tratado de forma  desesperançosa, pelo contrário. Justamente é na falta das certezas e das verdades cravadas em pedras, onde encontramos o esplendor que é o viver, onde brota a fonte da esperança e da fé pela existência das respostas. Pois não é no seu fim, mas na sua jornada que o coração ainda pulsa.
Porquanto, é ali, no andar tortuoso de pernas juvenis, onde temos a oportunidade de aprender a andar. Somente ali, naquele olhar da criança que não entende a dor de um despedir, que aprendemos a suportar a perda. É somente ali, que a vida põe-se a ensinar a quem estiver atento para aprender. 



Fernando Wolf




A vida é a chama de uma diminuta vela e a morte, o seu sopro.




Fernando Wolf

Mar Adentro - Filme




O premiado filme relata a história de Ramón Sampedro -  interpretado de forma única por Javier Bardem -  um marinheiro que ficou tetraplégico na sua juventude ao bater em um banco de areia no mar. Ele passa seus próximos 30 anos recebendo ajuda de seus familiares sob total dependência. Sua luta no final da vida passa a ser a de sua própria morte. Há a discussão jurídica e moral da época sobre este caso que ficou famoso pelo mundo. Um filme emocionante, um tema polêmico - eutanásia, morte com dignidade. Vale cada minuto.


Fernando Wolf

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Biscaya



Ao meu papa!!