domingo, 22 de janeiro de 2012
sábado, 10 de dezembro de 2011
Um senhor
Conheci um homem. Um homem de grande coração, meio mole, pois
então. Um homem artista do tempo pintado por cabelos brancos. Levava consigo
estórias e dentre elas, uma de amor por oito almas, metade delas feitas, metade
resgatadas. Aquele senhor simplório tinha os olhos bons, não menos sofridos,
mas bons. Já tinha idade para desistir como muitos por aí. Mas não, ali estava
ele de pé, contando-me seus causos.
Eram contos da vida. Sua e só sua singela vida. Lá trás, a
superação no sustento de sua faculdade pelos dotes de mecânico que aprendera
com o pai. Vivera a infância numa mecânica. Imaginei uma criança de olhos
atentos, de suspensório e sapato surrado, argüindo com o pai o funcionamento de
máquinas agrícolas tão complexas. Tornou-se doutor. Exercia então a arte de ser
médico. Tinha sonhos e ideais na época... agora daquilo nada mais senão sua
coleção... suas lembranças de então.
Pois, contou-me suas façanhas de corrigir carros desgastados.
Era o brilho que voltava aos olhos. Enrustido de talentos mil, sua coleção de
fuscas construiu. Porém exaltante se viu, quando sua especialidade definiu: “sou
afinal especialista em DKVs”. O sorriso era contagiante. Senhor do tempo e da paciência,
mostrava-se exemplar raro de humano.
Mas algo não saia de minha atenção, sua caixa pequena e
transparente com pequenos objetos comuns aos olhos. A caixinha tinha uma feição
caseira e nostálgica: um carretel de linha de costura, uma tesourinha, uma rolha
de garrafa e uma fita métrica (aquela fita enrolada das costureiras).
Obviamente perguntei: “desculpe meu senhor, mas porque trazes tais objetos ao
seu labor?” Ele de pronto não respondeu as funções de cada um, mas logo
mencionou o nome de sua avó. Estava ele ali, mais uma vez fazendo uma viajem ao
tempo. Contava-me: “naquele tempo minha avó possuía aquelas latas onde eram
armazenados produtos vindos da cidade, eram raras e por tal, minha avó a
utilizava para carregar estes úteis instrumentos, com a diferença que o
carretel era feito de madeira.” Agora seus olhos sonhavam a sua infância. Tudo
aquilo era bonito e meigo. Era sua identidade resumida a uma caixinha. A
caixinha de sua avó.
Ali naquela conversa “de café-da-manhã” eu descobri quão
bonito é quando nossa identidade se constrói nas coisas mais simples da vida.
No cheiro do pão fresco e de grama molhada. Na sensação de frio debilitante da
primeira onda de um mar gelado. Do sorriso dos primos, dos pais, dos irmãos...
Do sofá, dos cochilos da tarde, da preguiça. Da recepção calorosa de um cão.
Na despedida daquele encontro singular, as almas agora
estavam serenas. Afinal, tudo é tão frágil e mutável, que abençoados
são os dias de um homem quando a contemplar este sopro de vida. Bom foi aquele dia.
Fernando Wolf
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Em Um Mundo Melhor
Um filme que instiga e inspira. Muito bom! Assistam!
Fernando
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
sábado, 12 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Se pudesse escolher, apaixonar-me-ia por ti
Em ti toda mesura de minhas vestes
Todo o gosto da serenidade de tua arte
Em virtudes de uma dama construída
De alma forjada duma amazona rija
A balançar em véus de seda delicados
A tua tez acaricia minhas retinas que suplicam
Pelos teus olhos negros da cor da noite
Que por agora reluzem a tua alma ao longe
E caminhos outros se fazem alumiar
Por quanto, aqui me faço ainda cego a pedir
Que tu venhas um dia, as pedras, me mostrar
Fernando Wolf
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Diálogos com Zygmunt Bauman » cpfl cultura
Diálogos com Zygmunt Bauman » cpfl cultura
Sobre a contemporaneidade: redes sociais, conexões, comunidade global. Muito interessante as palavras deste sociólogo que acompanha "ao vivo" o transformar-se da história há muitos anos. Não é cansativo, são 30 min. Bom vídeo.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Talvez quando não houver mais nada para escutar, se acabe de
uma vez o meu escrever
Talvez quando tudo que já gostei e amei se for e nem da dor
eu mais sequer dispor
Talvez eu não mais sinta a
nostalgia da mente, num engolir d`água sem o sentir de seu sabor
Neste dia o pêndulo dum tempo eterno se fará estático, nem o
bem nem o mal hão de ali jazer
Talvez a vida neste ponto faça-se recolher e eu já me
coloque em nirvana sem pranto nem canto
E o nada se fará grito até que meus ouvidos nada mais possam
escutar, senão àquela voz,
A voz do todo, a voz do meu silêncio...
Fernando Wolf
sábado, 29 de outubro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
Discreta beleza escolhida atrás de teus olhos determinados
Este olhar desviado convence mesmo a homens desolados
Timidamente o vermelho de tua boca lambuza meus pensamentos
Em um frenesi jogado, o tabuleiro agora montado
O teu cheiro de fêmea arranca meus sentidos
Lança meu corpo e eriça meus pêlos
Te pego os cabelos, beijo tua boca entreaberta
Sinto-te a boca quente suave em meu rosto
Quero-te, agora já tens de mim tudo, qualquer coisa!
Um homem curvado de joelhos em seu último apelo
Entre as tuas pernas com a face voltada ao teu âmago
Sente o poder em teu ventre, fonte dum pulsar de toda a vida
Agora sou teu, peça-me o que quiser...
Neste seduzir armado, és agora senhora e eu, teu criado
Fernando Wolf
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