De todos os campos
Dos vales que guardam seus ventos
E alisam meus cabelos
É de lá que vens tu de alma plena
A refletir o sol dos poemas
O amor, teu irrestrito senso de ternura
Fazem toda a conjuntura de linhas e ruas
Na mais sublime obra de aconchego
Do que emana dos teus relevos
A perfeição erudita do que cultivas como vida
Agora se torna a saliva
O sal e a dor
Constrói o caminho do meu singelo mundo
Meu mundo de amor
FW
segunda-feira, 20 de julho de 2015
No
outono húngaro de dois mil e oito, era Debrecen cidade dos galhos secos,da grama ainda verde,dovento suave e gélido. Ao lado, uma igreja gótica de pedras escuras e lá
ao fundo, uma voz de tons convictos e retilíneos a cantar: Padam... padam...
padam... Aproximo–mee vejo uma senhora
de cabelos curtos com tons avermelhados a desprender sua bela voz nesta melódica
canção. Em passos distraídos, vinha-me a curiosidade ociosa: que música era
aquela que continuava a ressoar entre minhas orelhas?
Aproximadamente
um ano mais tarde, numa praia, num agradável verão de Santa Catarina, vieram
aos ouvidos sequenciais deleites musicais - escolhidos ao acaso -de tons femininos e firmes tal qual daquela
mulher dos cabelos de fogo. Em uma destas músicas, novamente entoavam palavras
que já guardavam sua intimidade: Padam, padam padam... reconhecidamente era
Piaf.
Era
dezenove de Julho de dois mil e quinze, sete anos após aquele outono. Uma
manhãde cama, lençóis e cobertas, de
tato da pele recém acordada, de cabelos sobre o teu rosto, do chuveiroque nos despertava e da cama que nos chamava
de volta. Músicas para esta manhã eram preguiçosamente selecionadas e, por
gentileza de caminhos, vieram novamente aos ouvidos: Padam... padam...
padam....
Teus
olhos musicais logo mostraram-se arregalados e disse-me soprosamente ao ouvido:
uma valsa!!! Foi neste dia que aquela mesma música era redescoberta em valsa.
Foi neste mesmo dia, quese ousou a
dançá-la numa revolução de almofadas. Numa nudeza de embaraços, num lapso de
deixar-se feliz, dançamos deliciosamente ao ritmo de padam... padam... padam...
um dois três... um dois três... o tempo se fez Piaf e a música se fez
embalar... padam dois três... padam dois três... padam... padam...padam... e em fim dançamos a mais bela estação daquela música.