quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Heróis de coração









Os mais sinceros gritos  que vêm do ser
Vêm da morte nos olhos de quem não quer ver morrer
Estes levam à boca de quem padece
A cura de suas próprias vidas
E ali deixam o significado de todo ser

Num coração de outro que insiste em bater




FW

Aos inúmeros anônimos que dedicam suas vidas pelo bem das outras

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Humildade






Como bem o sabem, não somos todos virtudes, longe disto. Por isso vemos dificuldades de nos expor, de mostrar os defeitos como que nos tornássemos frágeis, diferente dos que vemos nas linhas "facebookianas". Como Fernando Pessoa ironizava no “Poema em linha reta”:

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo
....

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…”

Nos assumimos em papéis sociais, nos vestimos de símbolos que tomamos por verdades. Nesta rede social da vida, naturalmente as diferenças entram em evidência. Quando alguém foge do que nos é palpável, do que nos é "mastigável" tendemos a desmerecer. Quantas pessoas interessantíssimas deixamos de conhecer, de aprender (!) por ignorância?

É a humildade uma forma de humanidade que nos permite a conexão com nós mesmos e com o que nos cerca. Quando aceitamos que nos outros, como em nós, também habita aquilo que é falho, finito ou feio, surge uma acalentadora empatia que nos despe da prepotência e nos aproxima de um ser ou situação que pode mostrar então, suas outras faces.
É como quando chegamos numa festa de um país de hábitos diferentes. Aqueles que chegam com o espírito aventureiro, de um verdadeiro "antropólogo", logo se integram à festa, aprendem a dança local e se esbaldam no divertimento e conhecimento das nuances de uma cultura nova. Mas há aqueles que não conseguem desvencilhar-se dos seus hábitos de pensamento. Frente ao desconhecido, dão um passo atrás e voltam ao hotel reclamando do barulho da festa. Ficam na sua zona de conforto. Assim é numa empresa, numa relação nova...
Pois a humildade pode se fazer uma ferramenta, não só de passividade ou de aceitação daquilo que não nos parece normal, mas constitui-se uma ferramenta de busca, de movimento e de quebra de barreiras - “dos desníveis” – da nossa ignorância . Já dizia Miguel de Cervantes:

“A humildade é a base e o fundamento de todas as virtudes e sem ela não há nenhuma que o seja.”

Para enxergar o que há de virtuoso além do nosso nariz, é preciso descer do pedestal... Pois que no aventuremos na busca pelo que há a nossa volta, com este nobre instrumento da personalidade, num exercício diário, nesta festa que nos foi dada... antes que enfim, se apaguem todas as luzes.

Namastê!

FW

domingo, 31 de agosto de 2014

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

As coisas vão assim




No que me cerca a alma,
Do que se faz meu e em volta a tudo isso,
Àquilo que joga com meus instintos
Deste mundo arredio,
Que me cuspiu  ao chão
Que já me fez pensar em perdão,
Ou em simples resignação

Em goles ásperos deste resignar sem fim
Tomo a multidão como parte de mim
E no fim quero pensar
No que passou por meu desgosto
Que a este sim, eu pude deixar
O que já houve de melhor em mim
A paz dum continuar sem fim

A vida toma conta
Leva o tolo com o consolo
De que sujeito já foi um dia
Aos trejeitos dos desencontros
Mas que por fim, no fim, quem diria
Dizia: “era tudo um grande engano

Estavas aqui e agora já tens que partir”




F W

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Ludovico Einaudi - Nuvole Bianche







Meu favorito, Ludovico Einaudi costuma falar com seu piano, sempre claro com o sentimento de cada música.

Neste vídeo, toda a melancolia expressa em uma música bela, interpretada por Alessia Tondo, com força poética, gravada num mosteiro perto à Verona.

Belo belo...





Link com letra e tradução:

 http://lyricstranslate.com/en/nuvole-bianche-nubes-blancas.html



Link com o vídeo + legendas em espanhol:

http://vimeo.com/60626235




segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Finado boêmio








Ah meu amigo finado

Depois de certo dia em romaria

Já deixastes a boêmia e por fim,

Te tornastes um boêmio naufragado

Em praias de ventos gelados

Negastes a rua para provar o fato

De que amado já fostes enfim

Eras presidente, médico, agrônomo

Mas no fim, eras mesmo o teu engodo

Pois as ruas as tuas as minhas verdades

Eram as ondas as pernas as curvas

As mulheres e suas lembranças nuas

Era o resto, trabalho e progresso

Teu processo mais indigesto

No fugir da bravura amante

Nas paredes sem graças às traças

Vinha a noite sem pressa e modesta

Clamar por ti em se ir num partir

Corrias por fim em ladeiras esguias

Quando a música ao fundo se ouvia

A cada passo um janeiro um sorrir

Das moças dos pastéis e das louças

Do samba nos teus pés, entre as coxas


Era ali meu amigo finado,

Que tinhas realmente encontrado

A felicidade dançando ao teu lado


 Era ali meu amigo finado,

Que o boêmio de coração machucado

Deixava a saudade num samba chorado






F W




Inspirado pelo grande boêmio Noel Rosa 

segunda-feira, 28 de julho de 2014



Em minha boca repousam
Palavras que guardei até aqui
E na sutileza do silêncio
Pronuncio uma centena de vezes
O amor que sinto por ti




Na minha boca 
Meu coração florece
Em flores perfumadas
Que crescem por ali
Num peito apaixonado 
Um pequeno colibri



FW

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Jake Bugg - Broken





Um guri de alma velha...

terça-feira, 17 de junho de 2014

O despir das lágrimas







Era uma questão de tempo até que nossos corpos se cansassem. Os mesmo corpos que já  enlaçaram-se em volúpias de toda intensidade da paixão, no seu mais intenso sentido.
No que nos resta, no agora, num olhar para trás, ali... as lágrimas ainda vencem a barreira de um não querer despir-se. Mas, se um dia tua ausência já foi sufoco, hoje... ah hoje... ela se toma por dona de uma saudade apraz. Um sentimento tenro que soube se aconchegar em algum canto do peito e que lá ficou tal qual um cão que chora por um dono que se foi. Por vezes, em sonos intranquilos, no rolar do meu corpo, aquele seu rosto vem a se mostrar em sonhos, em desejos ocultos, ah e por que não.. na mais doce melancolia...
Nosso amor foi desenhado num papel e entregue em mãos sem forças, de desejos vis. Foi-se a voar ao vento numa praia bucólica e lá desmaterializou-se, a saudade ruiu, o encanto se misturou na mansidão das ondas a rolar na areia onde aquela pequena nota virou mais uma partícula dentre tantas outras lembranças.
Mas... mesmo que remoto o hoje seja, é ainda nossa a mais sentimental das saudades, daquilo que só pôde ser vivido de um irresistível jeito, inconsequente em seus atos. Irrefutável era não viver da forma como vivemos, por mais que se aprumasse um  silencioso partir nos nossos horizontes.
Era teu corpo meu e o meu espírito teu, naquele breve momento, tudo era como deveria ser. Um emaranhado de pernas, fôlegos e braços, na delicadeza de beijos suspirados ao ouvido de quem ouvia o amor desabrochar em si. A pulsão da nossa juventude era desmistificada nos centímetros da tua pele e nos meus mais insanos devaneios...
Pois, não mais que os anos, vieram a justificar as desistências de tudo o que nos era próximo. Tornamo-nos espectadores de um destino que se encarregava de acalmar os ânimos e calou, com a insistência de uma goteira por sobre a pedra, aos nossos mais ocultos desejos.
A distância arraigou-se na plenitude de caminhos percorridos. O sentimento dum peito calejado se fez sádico em destiladas melancolias de um não cheirar do perfume dos teus cabelos, de um não  sentir o peso do teu corpo por sobre o meu, de um não ouvir a consonância de nossas músicas.
Sim... como se faz saudoso o reviver de cada personagem criado unicamente para tragédias tão nossas, sobre o olhar de uma plateia escondida por entre lençóis que aplaudia  em cada “grand finale” o ruir de mais um desafeto...
Mas agora, minha querida senhora... escute a si,  que eu escutarei a mim... escute aquela música... ah como foi doce...
O passado é de fato um amigo distante, além mar, que está por detrás do horizonte, a guardar as nossas noites enquanto brindamos a mais um dia que se faz sorrir. Até o fim de nossos tempos... É tudo sim, uma questão de tempo...

Au revoir, mon petit! Que bons ventos te levem, para onde fores, para onde viveres novos amores.




Fernando Wolf

domingo, 1 de junho de 2014

Les Trois Mousquetaires





Meus caros,


Digo que vos amo, pois me são parte de um todo, da minha vida única, como somente ela poderia o ser. Amo a tudo o que já compartilhamos. Sou eternamente grato a tudo o que vocês fizeram a mim sentir e assim aprender. Na pureza da nossa finitude, deixo aqui a minha já anunciada saudade. Que nossos caminhos sejam sempre belos, como nossos encontros já o foram. Sintam-se abraçados meus amigos. Grato por tudo e se não pelo "tudo", pelo seus simples existires.

FW

Aos amigos Carol e Michael, "Les Trois Mousquetaires", um por todos e todos por um!

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Pepe Mujica | Contra a gravata (legendado PT/BR)





Este senhor consegue enxergar além, impressionante.