Como bem o sabem, não somos todos virtudes, longe disto. Por isso vemos dificuldades de nos expor, de mostrar os defeitos como que nos tornássemos frágeis, diferente dos que vemos nas linhas "facebookianas". Como Fernando Pessoa ironizava no “Poema em linha reta”:
“Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo ....
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…”
Nos assumimos em papéis sociais, nos vestimos de símbolos que tomamos por verdades. Nesta rede social da vida, naturalmente as diferenças entram em evidência. Quando alguém foge do que nos é palpável, do que nos é "mastigável" tendemos a desmerecer. Quantas pessoas interessantíssimas deixamos de conhecer, de aprender (!) por ignorância?
É a humildade uma forma de humanidade que nos permite a conexão com nós mesmos e com o que nos cerca. Quando aceitamos que nos outros, como em nós, também habita aquilo que é falho, finito ou feio, surge uma acalentadora empatia que nos despe da prepotência e nos aproxima de um ser ou situação que pode mostrar então, suas outras faces. É como quando chegamos numa festa de um país de hábitos diferentes. Aqueles que chegam com o espírito aventureiro, de um verdadeiro "antropólogo", logo se integram à festa, aprendem a dança local e se esbaldam no divertimento e conhecimento das nuances de uma cultura nova. Mas há aqueles que não conseguem desvencilhar-se dos seus hábitos de pensamento. Frente ao desconhecido, dão um passo atrás e voltam ao hotel reclamando do barulho da festa. Ficam na sua zona de conforto. Assim é numa empresa, numa relação nova... Pois a humildade pode se fazer uma ferramenta, não só de passividade ou de aceitação daquilo que não nos parece normal, mas constitui-se uma ferramenta de busca, de movimento e de quebra de barreiras - “dos desníveis” – da nossa ignorância . Já dizia Miguel de Cervantes:
“A humildade é a base e o fundamento de todas as virtudes e sem ela não há nenhuma que o seja.”
Para enxergar o que há de virtuoso além do nosso nariz, é preciso descer do pedestal... Pois que no aventuremos na busca pelo que há a nossa volta, com este nobre instrumento da personalidade, num exercício diário, nesta festa que nos foi dada... antes que enfim, se apaguem todas as luzes.
Era uma questão de tempo até que nossos corpos se
cansassem. Os mesmo corpos que já enlaçaram-se em volúpias de toda intensidade
da paixão, no seu mais intenso sentido.
No que nos resta, no agora, num olhar para trás, ali... as
lágrimas ainda vencem a barreira de um não querer despir-se. Mas, se um dia tua
ausência já foi sufoco, hoje... ah hoje... ela se toma por dona de uma saudade
apraz. Um sentimento tenro que soube se aconchegar em algum canto do
peito e que lá ficou tal qual um cão que chora por um dono que se foi. Por
vezes, em sonos intranquilos, no rolar do meu corpo, aquele seu rosto vem a se
mostrar em sonhos, em desejos ocultos, ah e por que não.. na mais doce
melancolia...
Nosso amor foi desenhado num papel e entregue em mãos sem
forças, de desejos vis. Foi-se a voar ao vento numa praia bucólica e lá
desmaterializou-se, a saudade ruiu, o encanto se misturou na mansidão das ondas
a rolar na areia onde aquela pequena nota virou mais uma
partícula dentre tantas outras lembranças.
Mas... mesmo que remoto o hoje seja, é ainda nossa a mais
sentimental das saudades, daquilo que só pôde ser vivido de um irresistível jeito,
inconsequente em seus atos. Irrefutável era não viver da forma como vivemos,
por mais que se aprumasse umsilencioso partir
nos nossos horizontes.
Era teu corpo meu e o meu espírito teu, naquele breve
momento, tudo era como deveria ser. Um emaranhado de pernas, fôlegos e braços, na
delicadeza de beijos suspirados ao ouvido de quem ouvia o amor desabrochar em
si. A pulsão da nossa juventude era desmistificada nos centímetros da tua pele
e nos meus mais insanos devaneios...
Pois, não mais que os anos, vieram a justificar as
desistências de tudo o que nos era próximo. Tornamo-nos espectadores de um
destino que se encarregava de acalmar os ânimos e calou, com a insistência de
uma goteira por sobre a pedra, aos nossos mais ocultos desejos.
A distância arraigou-se na plenitude de caminhos
percorridos. O sentimento dum peito calejado se fez sádico em destiladas
melancolias de um não cheirar do perfume dos teus cabelos, de um não sentir o peso do teu corpo por sobre o meu, de
um não ouvir a consonância de nossas músicas.
Sim... como se faz saudoso o reviver de cada personagem
criado unicamente para tragédias tão nossas, sobre o olhar de uma plateia
escondida por entre lençóis que aplaudiaem cada “grand finale” o ruir de mais um desafeto...
Mas agora, minha querida senhora... escute a si, que eu escutarei a mim... escute aquela música...
ah como foi doce...
O passado é de fato um amigo distante, além mar, que está por
detrás do horizonte, a guardar as nossas noites enquanto brindamos a mais um
dia que se faz sorrir. Até o fim de nossos tempos... É tudo sim, uma questão de
tempo...
Au
revoir, mon petit! Que bons ventos te levem, para onde fores, para onde viveres
novos amores.
Digo que vos amo, pois me são parte de um todo, da minha vida única, como somente ela poderia o ser. Amo a tudo o que já compartilhamos. Sou eternamente grato a tudo o que vocês fizeram a mim sentir e assim aprender. Na pureza da nossa finitude, deixo aqui a minha já anunciada saudade. Que nossos caminhos sejam sempre belos, como nossos encontros já o foram. Sintam-se abraçados meus amigos. Grato por tudo e se não pelo "tudo", pelo seus simples existires.
FW
Aos amigos Carol e Michael, "Les Trois Mousquetaires", um por todos e todos por um!