Era uma questão de tempo até que nossos corpos se
cansassem. Os mesmo corpos que já enlaçaram-se em volúpias de toda intensidade
da paixão, no seu mais intenso sentido.
No que nos resta, no agora, num olhar para trás, ali... as
lágrimas ainda vencem a barreira de um não querer despir-se. Mas, se um dia tua
ausência já foi sufoco, hoje... ah hoje... ela se toma por dona de uma saudade
apraz. Um sentimento tenro que soube se aconchegar em algum canto do
peito e que lá ficou tal qual um cão que chora por um dono que se foi. Por
vezes, em sonos intranquilos, no rolar do meu corpo, aquele seu rosto vem a se
mostrar em sonhos, em desejos ocultos, ah e por que não.. na mais doce
melancolia...
Nosso amor foi desenhado num papel e entregue em mãos sem
forças, de desejos vis. Foi-se a voar ao vento numa praia bucólica e lá
desmaterializou-se, a saudade ruiu, o encanto se misturou na mansidão das ondas
a rolar na areia onde aquela pequena nota virou mais uma
partícula dentre tantas outras lembranças.
Mas... mesmo que remoto o hoje seja, é ainda nossa a mais
sentimental das saudades, daquilo que só pôde ser vivido de um irresistível jeito,
inconsequente em seus atos. Irrefutável era não viver da forma como vivemos,
por mais que se aprumasse umsilencioso partir
nos nossos horizontes.
Era teu corpo meu e o meu espírito teu, naquele breve
momento, tudo era como deveria ser. Um emaranhado de pernas, fôlegos e braços, na
delicadeza de beijos suspirados ao ouvido de quem ouvia o amor desabrochar em
si. A pulsão da nossa juventude era desmistificada nos centímetros da tua pele
e nos meus mais insanos devaneios...
Pois, não mais que os anos, vieram a justificar as
desistências de tudo o que nos era próximo. Tornamo-nos espectadores de um
destino que se encarregava de acalmar os ânimos e calou, com a insistência de
uma goteira por sobre a pedra, aos nossos mais ocultos desejos.
A distância arraigou-se na plenitude de caminhos
percorridos. O sentimento dum peito calejado se fez sádico em destiladas
melancolias de um não cheirar do perfume dos teus cabelos, de um não sentir o peso do teu corpo por sobre o meu, de
um não ouvir a consonância de nossas músicas.
Sim... como se faz saudoso o reviver de cada personagem
criado unicamente para tragédias tão nossas, sobre o olhar de uma plateia
escondida por entre lençóis que aplaudiaem cada “grand finale” o ruir de mais um desafeto...
Mas agora, minha querida senhora... escute a si, que eu escutarei a mim... escute aquela música...
ah como foi doce...
O passado é de fato um amigo distante, além mar, que está por
detrás do horizonte, a guardar as nossas noites enquanto brindamos a mais um
dia que se faz sorrir. Até o fim de nossos tempos... É tudo sim, uma questão de
tempo...
Au
revoir, mon petit! Que bons ventos te levem, para onde fores, para onde viveres
novos amores.
Digo que vos amo, pois me são parte de um todo, da minha vida única, como somente ela poderia o ser. Amo a tudo o que já compartilhamos. Sou eternamente grato a tudo o que vocês fizeram a mim sentir e assim aprender. Na pureza da nossa finitude, deixo aqui a minha já anunciada saudade. Que nossos caminhos sejam sempre belos, como nossos encontros já o foram. Sintam-se abraçados meus amigos. Grato por tudo e se não pelo "tudo", pelo seus simples existires.
FW
Aos amigos Carol e Michael, "Les Trois Mousquetaires", um por todos e todos por um!
Galo cantou Madrugada na Campina Manhã menina Tá na flor do meu jardim Hoje é domingo Me desculpe eu tô sem pressa Nem preciso de conversa Não há nada prá cumprir Passar o dia Ouvindo o som de uma viola Eu quero que o mundo agora Se mostre pros bem-te-vi Mando daqui das bandas do rural lembranças Vibrações da nova hora Prá você que não tá aqui
Amanhecer é uma lição do universo Que nos ensina Que é preciso renascer O novo amanhece O novo amanhece
Já tem rolinha Lá no terreiro varrido E o orvalho brilha Como pétalas ao sol Tem uma sombra Que caminha pras montanhas Se espelhando feito alma Por dentro do matagal E quanto mais A luz vai invadindo a terra O que a noite não revela O dia mostra prá mim A rádio agora Tá tocando Rancho Fundo Somos só eu e mundo E tudo começa aqui
Amanhecer é uma lição do universo Que nos ensina Que é preciso renascer O novo amanhece O novo amanhece
Quanto ao último poema, eu o deixaria ali por sobre a mesa, naquele
bilhete. Como se a vida se extinguisse no segundo imediato da última letra
desenhada no último verso. Aquele pequeno papel, balançaria ao vento a
lembrança de que aqui passei e tive o finito tempo de deixar um recado sem
sentido algum, mas ainda assim imortal, de minha existência fugaz. Pois aqui me
vou, pois aqui passei, sopraria o vento.