segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Finado boêmio








Ah meu amigo finado

Depois de certo dia em romaria

Já deixastes a boêmia e por fim,

Te tornastes um boêmio naufragado

Em praias de ventos gelados

Negastes a rua para provar o fato

De que amado já fostes enfim

Eras presidente, médico, agrônomo

Mas no fim, eras mesmo o teu engodo

Pois as ruas as tuas as minhas verdades

Eram as ondas as pernas as curvas

As mulheres e suas lembranças nuas

Era o resto, trabalho e progresso

Teu processo mais indigesto

No fugir da bravura amante

Nas paredes sem graças às traças

Vinha a noite sem pressa e modesta

Clamar por ti em se ir num partir

Corrias por fim em ladeiras esguias

Quando a música ao fundo se ouvia

A cada passo um janeiro um sorrir

Das moças dos pastéis e das louças

Do samba nos teus pés, entre as coxas


Era ali meu amigo finado,

Que tinhas realmente encontrado

A felicidade dançando ao teu lado


 Era ali meu amigo finado,

Que o boêmio de coração machucado

Deixava a saudade num samba chorado






F W




Inspirado pelo grande boêmio Noel Rosa 

segunda-feira, 28 de julho de 2014



Em minha boca repousam
Palavras que guardei até aqui
E na sutileza do silêncio
Pronuncio uma centena de vezes
O amor que sinto por ti




Na minha boca 
Meu coração florece
Em flores perfumadas
Que crescem por ali
Num peito apaixonado 
Um pequeno colibri



FW

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Jake Bugg - Broken





Um guri de alma velha...

terça-feira, 17 de junho de 2014

O despir das lágrimas







Era uma questão de tempo até que nossos corpos se cansassem. Os mesmo corpos que já  enlaçaram-se em volúpias de toda intensidade da paixão, no seu mais intenso sentido.
No que nos resta, no agora, num olhar para trás, ali... as lágrimas ainda vencem a barreira de um não querer despir-se. Mas, se um dia tua ausência já foi sufoco, hoje... ah hoje... ela se toma por dona de uma saudade apraz. Um sentimento tenro que soube se aconchegar em algum canto do peito e que lá ficou tal qual um cão que chora por um dono que se foi. Por vezes, em sonos intranquilos, no rolar do meu corpo, aquele seu rosto vem a se mostrar em sonhos, em desejos ocultos, ah e por que não.. na mais doce melancolia...
Nosso amor foi desenhado num papel e entregue em mãos sem forças, de desejos vis. Foi-se a voar ao vento numa praia bucólica e lá desmaterializou-se, a saudade ruiu, o encanto se misturou na mansidão das ondas a rolar na areia onde aquela pequena nota virou mais uma partícula dentre tantas outras lembranças.
Mas... mesmo que remoto o hoje seja, é ainda nossa a mais sentimental das saudades, daquilo que só pôde ser vivido de um irresistível jeito, inconsequente em seus atos. Irrefutável era não viver da forma como vivemos, por mais que se aprumasse um  silencioso partir nos nossos horizontes.
Era teu corpo meu e o meu espírito teu, naquele breve momento, tudo era como deveria ser. Um emaranhado de pernas, fôlegos e braços, na delicadeza de beijos suspirados ao ouvido de quem ouvia o amor desabrochar em si. A pulsão da nossa juventude era desmistificada nos centímetros da tua pele e nos meus mais insanos devaneios...
Pois, não mais que os anos, vieram a justificar as desistências de tudo o que nos era próximo. Tornamo-nos espectadores de um destino que se encarregava de acalmar os ânimos e calou, com a insistência de uma goteira por sobre a pedra, aos nossos mais ocultos desejos.
A distância arraigou-se na plenitude de caminhos percorridos. O sentimento dum peito calejado se fez sádico em destiladas melancolias de um não cheirar do perfume dos teus cabelos, de um não  sentir o peso do teu corpo por sobre o meu, de um não ouvir a consonância de nossas músicas.
Sim... como se faz saudoso o reviver de cada personagem criado unicamente para tragédias tão nossas, sobre o olhar de uma plateia escondida por entre lençóis que aplaudia  em cada “grand finale” o ruir de mais um desafeto...
Mas agora, minha querida senhora... escute a si,  que eu escutarei a mim... escute aquela música... ah como foi doce...
O passado é de fato um amigo distante, além mar, que está por detrás do horizonte, a guardar as nossas noites enquanto brindamos a mais um dia que se faz sorrir. Até o fim de nossos tempos... É tudo sim, uma questão de tempo...

Au revoir, mon petit! Que bons ventos te levem, para onde fores, para onde viveres novos amores.




Fernando Wolf

domingo, 1 de junho de 2014

Les Trois Mousquetaires





Meus caros,


Digo que vos amo, pois me são parte de um todo, da minha vida única, como somente ela poderia o ser. Amo a tudo o que já compartilhamos. Sou eternamente grato a tudo o que vocês fizeram a mim sentir e assim aprender. Na pureza da nossa finitude, deixo aqui a minha já anunciada saudade. Que nossos caminhos sejam sempre belos, como nossos encontros já o foram. Sintam-se abraçados meus amigos. Grato por tudo e se não pelo "tudo", pelo seus simples existires.

FW

Aos amigos Carol e Michael, "Les Trois Mousquetaires", um por todos e todos por um!

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Pepe Mujica | Contra a gravata (legendado PT/BR)





Este senhor consegue enxergar além, impressionante.


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Notas de crepúsculo

Desfrutes ali
Um pouco do sentir
Das notas tristes
De um qualquer partir

 Poderás então ouvir
Por de trás da melancolia
Ao crepúsculo dissuadir
Os sensatos de coração
Atrás da sua última ilusão

Mas nada é em vão 
Se fores ao amor vestir
 Pois mesmo a noite
 Tem no alvorecer do céu
O seu mais belo despir



FW





domingo, 11 de maio de 2014

A coragem dos medos




Com o espírito que se fez pesar
Envolto por ataduras de sentimentos
Esgotado por toda a confiança investida
Da segurança por dentre os burgos 
Por detrás de muros de palha
Exausto...
Insistia mais uma vez na doçura do advir
“Se um dia fosse farto,
Viveria em terras de mel
Uma vida boa desfrutaria
Uma boa vida seria?"


Eram devaneios, discursos internos
De interlocutor: a injúria do nunca serei
E por entre seus caminhos tortuosos
Era ela melancólica 
A estrada encurtada, o fim da jornada
Que se fazia soprar ao ouvido:
"Seja agora todo sentidos
Escute-me bem
Se não quisestes até então feliz ser
Verás que agora nada mais és
Senão um ser pequeno
Pois já não há mais tempo
Seja breve...
Já não lhe cabe mais a esperança
De tolos e seus relógios
És agora liberto dos teus medos
Pois o que mais temia, já lhe beijou a face
Olhe para trás... seja como for...
Nesta terra que lhe serviu um dia de chão
Só o que lhe resta ainda de pão
É o perdão do teu breve adeus”



Virtuosa é a coragem de desfrutar
Em antecipadas ações
O sugar de toda a essência
Desta tão inteligível finitude
Destilada em verdades mastigáveis
E por ali agir, dançar e pintar
Obras verdadeiras em sentidos
Fora de toda covardia de ser
Com a força do maior dos medos
Sorte a de viver ali, a vida em si
Pura pelo simples existir





FW


sábado, 10 de maio de 2014

Renato Teixeira - Raízes





Galo cantou
Madrugada na Campina
Manhã menina
Tá na flor do meu jardim
Hoje é domingo
Me desculpe eu tô sem pressa
Nem preciso de conversa
Não há nada prá cumprir
Passar o dia
Ouvindo o som de uma viola
Eu quero que o mundo agora
Se mostre pros bem-te-vi
Mando daqui das bandas do rural lembranças
Vibrações da nova hora
Prá você que não tá aqui
Amanhecer
é uma lição do universo
Que nos ensina
Que é preciso renascer
O novo amanhece
O novo amanhece
Já tem rolinha
Lá no terreiro varrido
E o orvalho brilha
Como pétalas ao sol
Tem uma sombra
Que caminha pras montanhas
Se espelhando feito alma
Por dentro do matagal
E quanto mais
A luz vai invadindo a terra
O que a noite não revela
O dia mostra prá mim
A rádio agora
Tá tocando Rancho Fundo
Somos só eu e mundo
E tudo começa aqui
Amanhecer
é uma lição do universo
Que nos ensina
Que é preciso renascer
O novo amanhece
O novo amanhece

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Chet Baker - Almost blue (+playlist)







And she came to me, and then I missed her eyes...

sábado, 26 de abril de 2014

Cinema Paradiso



Alfredo:  "Quanto mais pesado é o homem, mais profundas são suas marcas. E havendo amor, o homem sofre por saber que está numa estrada sem saída..."

Toto: "Como é belo o que está dizendo, mas é triste."

Alfredo: "Não fui eu quem disse, foi john Wayne em "O Morro dos Espíritos""

Gargalhadas



quarta-feira, 23 de abril de 2014

Questão de Tempo (About Time, 2013) - Trailer HD Legendado









Parecia mais um, mas este filme se faz grande nos corações de quem o assiste.

Bom filme




quarta-feira, 19 de março de 2014

Um ser amigo

Caminhava ao meu lado
Eu pequeno
Ele o mundo
Naquele tempo
Era aquilo meu mundo
Um amigo ali do lado
Um amigo de um ser pequeno

Hoje, morando no mundo grande
Que sorte (!) eu penso
Ter tido um amigo grande
Pequeno que eu era
Era ele herói gigante
Do meu mundo tão pequeno




Fernando Wolf

Ao meu pai

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014






Quanto ao último poema, eu o deixaria ali por sobre a mesa, naquele bilhete. Como se a vida se extinguisse no segundo imediato da última letra desenhada no último verso. Aquele pequeno papel, balançaria ao vento a lembrança de que aqui passei e tive o finito tempo de deixar um recado sem sentido algum, mas ainda assim imortal, de minha existência fugaz. Pois aqui me vou, pois aqui passei, sopraria o vento.



Fernando Wolf

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

António Zambujo - "Quando tu passas por mim" do disco "Outro Sentido" (2...









De Vinícius de Morais... poeta de amores saudosos...

Na voz de Antônio, um tal de Zambujo... da voz de toda melancolia de seus fados..

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014