sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
A sua chave
Ah eu tive um amor
Destes que os filmes mostram com calor
Mas como de repente, meio incoerente
Te vi partir, sem ao menos me pedir
Você deslizou entre meus dedos
E de mãos fechadas ajoelhei-me ao chão
Desde que você se foi
A saudade sem piedade desafiou os meus brios
Mas veja bem, não sou mulher de ficar de joelhos
Vendo o futuro esmagar meus desejos
Pois tive que dar chance a quem me queria amor
Mesmo que fosse só para abrandar a essa dor
Sim, inevitável aprender a amar a outro homem
Para esconder os retratos seus estampados em meus olhos
Estava feliz enfim, estava com quem eu escolhi a dedo
Deu-me outros lugares, respirei a outros ares
E naquele tempo em que só o queria era esquecer
Os ventos insistiam em soprar o seu perfume
Disseram-me que estava louco,
Bebendo vinho e destruindo caminhos
Meu bem, algo aconteceu,
Tive a certeza, você não servia mais para ser meu
Eu tinha beijos e abraços apertados
Tinha o amor de meu amado
Mas algo ali, de novo insistia
Sem permissão nenhuma em minha porta bateu, e doeu...
Era você, apaixonado, com os olhos encantados
Por outra que não eu
Soube que era alguém que tomava o seu ar
Tinha sua morada no peito que um dia eu tanto quis estar
Tive vontade de fechar de vez todas as portas
Te chamar de calhorda, esquecer que um dia sequer tive dor
Ah meu bem, ainda tinha a esperança, lá, jogada entre
lembranças
Dum novo reencontrar, ali no destino, nas curvas de outros
caminhos
De nada se fez, mais uma vez, senão a morbidez
Dum romance que se apagava de vez
Hoje entendo... ah se não fosse o tempo um grande senhor
Que rege as desavenças e reconstrói o amor
Como é fácil esquecer dos dias de chuva e rancor
Como é delicioso lembrar o que nos fez amor
Se um dia o destino resolver brincar
E nossos olhos reencontrar, saiba que a ti sempre guardei
o amor
Pois ainda tenho comigo a dor, esta coisa aqui do peito
Que se deita nas paredes, a suspirar em melancolia os dias
de calor
Meu bem, ainda sei que guarda a chave da cozinha
E se o tempo lhe fizer lembrar, que te dê coragem de entrar
E sem bater, como quem sempre foi da casa,
Me abrace com cheiro de pão da manhã
Fernando Wolf
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Videos featuring Marinda and Solari (lista de reprodução)
Entrem no link http://marindaandsolari.bandcamp.com/ e escutem a esta playlist fantástica.
Também tem o site da dupla http://www.marindasolari.com/stamps.htm
Muito bom!
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Uma Prova de Amor [Trailer]
Para a gente pensar um pouco mais sobre a dualidade da vida e da morte. Realmente emocionante. Uma história de amor em família.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
O mundo de voltas distantes
Eu tenho agora que voltar a minha escola
Que ensina a força do perto com as palavras do longe
Que acalma a perguntares com a nostalgia do certo
Agora hei de ficar mais forte
Lá na finitude do ser, com os olhos abertos
Hei de chorar com a possibilidade de um novo partir
Hei de ficar por lá e quem sabe melhor serei
Sabendo o que hoje ainda não sei
Talvez descubra que lá o ficar de vez
Enobreça ao homem que em despedir-se
Insiste por ali
Veio o tempo. Vieram juntas as belezas de um novo
momento, seu presente, seu único nascer possível, sua única chance de existir.
Em seus segundos, digeria agora os fragmentos de sua existência...
Eu vivo o silêncio de um ir
Eu sofro o desejo de estar de volta ali
Eu tenho a coragem de permitir
De estar agora longe de um dia partir
Eu quis suportar o escuro sem desistir
Só para provar das camas que eu não dormi
Eu quis dizer à saudade por onde vivi
Sem saber que um dia ela me diria
“Tu sabes agora a dor do não estar aqui”
Bem se sabe agora o poder de sorrisos repetidos
Destes que o peito já conhece, destes que nunca se esquece
Bem se sabe a força de bons abraços, daqueles beijados
Que apertam a distância assim espremida
Com gotas da manhã a correr peito afora
Até formarem imenso rio,
A desembocar na mais profunda das saudades
Ah se não fosse a distância um saber da importância de um
sorriso perto
Seriam os dias bons, elogiados sempre com rosas
Em longas prosas, sem o espírito ousar se entediar
Só por ali perto estar, o jardim, que de todos os tempos,
Mais lhe serviu, mais lhe vestiu, mais lhe trouxe amor
Ah sem dúvida ficaria lá, sem ao menos pestanejar
E assim colheu seus frutos naquela terra de ninguém. Soube
tirar da chuva a respostas a sua inquietude, pelo simples colher de suas
flores. Era feliz, era força motriz e em sua frente unicamente o seu nariz.
Queria agora o mundo afora. Queria saber quando o passo seria seguido de
outro. Se punha de migrante dos mundos, era novamente feliz assim...
Mas é o perto o grande incerto
Do não saber do que ocorre do lado de lá
Lá na lonjura, na cidade que fica a Deus-dará
Sem o lá de lá, não se aprende a felicidade que tem um
voltar
Do milagre que é reconhecer uma rosa entre outras mil
Do encanto das lágrimas em outros olhos
Tão seus, tão meus, que choram...
O simples estar aqui
Fernando Wolf
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Rio selvagem
Desbravava um rio virgem de formas, com corredeiras
desenhadas pelo destino. Era frio e selvagem. As águas corriam por entre pedras
dolorosas, contundentes, sentidas pelos ossos. Já estava ali há bastante tempo,
seguindo seu curso natural. Tinha em seus músculos a certeza de que um dia iria
sucumbir ao cansaço. Persistia, no entanto. Era obstinado com a vida. Tinha a
certeza de que era inevitável seguir em frente, mas que este seguir deixaria
marcas para sempre.
Com suas cicatrizes, já tinha aprendido pela forma
mais dura de sua existência que toda a sua dor, por algum motivo, havia se
transformado em força. Era a única coisa que mantinha seu fôlego. Havia aprendido algo de
destreza. Nadava agora antevendo aos perigos. Evitava confrontos, escolhia os
caminhos menos tortuosos. Era hábil em evitar sua dor.
Em sua juventude seguia as corredeiras com obstinação. Queria
chegar ao seu destino, o quanto antes. Mas agora, com a velhice em suas costas, com o corpo
maculado, sabia que, por mais que nadasse, seu triunfo só se daria se ali,
flutuando calmamente por sobre as águas, seguisse seu rumar. Do contrário, se
mantivesse o mesmo caos em seu corpo obstinado, não restariam forças para
chegar. Então, a partir de um certo momento em sua vida, aprendera também a apreciar os peixes, a
mergulhar em águas mais calmas e observar a vida que ali também se fazia
exuberante.
De tempos em tempos, punha-se a mirar as margens e seus
bosques. Por vezes, dava-se o privilégio de ficar ali por sob o sol, vendo o
seu rio passar. Pensava se um dia aquilo iria acabar, se o rio realmente
viraria mar, se seria diferente, se veria outros tipos de peixe, se iria se
adaptar.
Mas acima de tudo, sentia agora algo diferente: nunca mais
veria o mesmo rio passar, por mais que tentasse voltar. Mirava em lágrimas os cortes em seus braços dos tempos em que lutava contra as águas, na esperança
de um dia poder voltar... em vão...
Conformara-se com o seu destino, seu eterno nadar. Fluía agora
calmamente na corrente de seus sonhos e para trás nunca mais precisou olhar.
Fernando Wolf
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Se em meus castelos havia quem habitasse os mais belos
bailes
Era sem dúvida tu, que em meu peito tinha sua morada
Possuía em palavras de amor o desenho do brasão de meu raro
Que triunfava por sobre qualquer chaga, sobre qualquer dogma
Pelos dias de mansidão d`alma sabia que ainda flutuaria
Pois preserva o respeito por toda nobreza do sentir
Sabes que em mim tens a tua eterna guarida
Teu último soldado, em vigília sem fim, de teu belo
coração...
Fernando Wolf
sábado, 6 de outubro de 2012
Paz da manhã
Quando vêm a fervura em caldeira de vinho
Sê o orvalho dum cacho de uva
Em manhã serena de domingo
Onde os pássaros de cantos harmonizantes
Afugentam para os rios a neblina das parreiras
E lá ao fundo em construções de pedra
Pode-se ouvir um pequeno povoado da terra
Cantando cantigas de louvor
Que arrepiam ao espírito constrangido
E que na paz dum silêncio sorrateiro
Vem a luz por sobre os morros
Em amálgama à esperança de todos
Em amálgama à esperança de todos
Que esperam pacientes um vinho bom
Que por agora descansa calmo
Na potência das uvas molhadas
Sob o sol da primeira manhã
Fernando Wolf
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Trem da vida - filme
Trecho retirado do filme "Train de vie" (Trem da vida) com o diálogo entre um louco (SCHLOMO) e um rabino:
SCHLOMO:
Deus criou o homem a sua imagem
Isso é lindo!
Schlomo á imagem de Deus
Mas quem escreveu isto no Torah?
Foi o homem, não Deus
O homem...
Escreveu sem modéstia, comparando-se a Deus
Talvez Deus tenha criado o homem
O homem...
O homem filho de Deus, criou Deus só para se inventar
RABINO:
pode repetir?
SCHLOMO:
O homem escreveu a bíblia para não ser esquecido, sem se importar com Deus
RABINO:
Já temos problemas demais
SCHLOMO:
Não amamos e não oramos à Deus.
Ou melhor, imploramos para que nos ajude aqui na Terra
Mas não nos importamos com Ele
Só pensamos em nós mesmos
A questão não é saber se Deus existe ou não
Mas sim se nós existimos
terça-feira, 25 de setembro de 2012
A guerra dos botões - La Guerre des Boutons
Um filme para trazer a infância à tona. Traz as inocentes perversões , as rixas, os ciúmes mas principalmente traz com muita sensibilidade a construção de virtudes e valores dentro uma história que remete ao mágico. Veja na foto o detalhe dos joelhos esfolados, só quem já viveu fora dos portões sabe a saudade que isso dá. Um bom divertimento...
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La Guerre des Boutons
sábado, 8 de setembro de 2012
domingo, 2 de setembro de 2012
Guardião
Não quero desfazer-me de outros adjetivares
Mas é em ti os olhos que idolatro
São redondos, escuros e bonitos
Cercados pela fala constante e ponderada
Que acalma a alma e acalenta ao ego
Tenho para mim, eles aqui, em meio às cortinas
Que se fazem espetáculo tênue, não mostrado
É algo de ti guardado, mas que a mim
Prende uma singela atenção, vinda lá deste coração
São teus olhos, olhos de meiga menina
Preocupada com a guarida dum aprender
Sufocada pelo tempo ainda não vivido
Mas que mostra ali enrustido, em nuances febris
A mulher em ti contida, madura de atos guardados
Que esperam deixar o recado, a quem for
Que já sabes o que é o amor
E ali conheces o desejo, o sabor do medo
De toda natureza que pulsa em ti
Tens pois agora um guardador
Destes teus olhos inconstantes
Que mantenho comigo, em minha estante
Eles ali expostos, a matar a saudade
Pois aqueles olhos agora são meus,
Tão seus, e continuam
a soprar
Nas doces lembranças, que guardo cá
Fernando Wolf
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Primeira infância, primeiro coração
Quase todos os fenômenos que
compõe uma infância, tem agregado um quê de nobreza. Até mesmo quando
brigávamos, sabíamos que não era para valer. A surra não podia machucar muito.
Tínhamos uma espécie de “fair play” interior, que era prontamente ativado
quando passávamos dos limites.
A infância carrega lições poderosas, lições que interlaçam os
nossos pensamentos e hábitos até hoje. Não é muito raro em situações que
requerem um julgamento moral, seja na escolha de não estacionar em local
proibido ou mesmo em escolhas que envolvam sair em vantagem por sobre alguém, algo lá, lá
do fundo de nossos sentimentos, enraizados naquela criança, algo nos faz sentir
a noção de certo e errado, como antes já o fora sentido.
Víamos nos olhos dos adultos a esperança refletida de nossas
próprias existências. Era um peso que carregávamos e que logo se dissipava por
entre brincadeiras despreocupadas. Mas sabíamos lá no fundo, que carregávamos
uma responsabilidade, de seguir os nossos sonhos. Isso era sentido, parecia
tudo muito claro... Uma das coisas que nos faz falta, nesta vida de gente
grande, é justamente esta obviedade dos sentimentos... Agora para fazer
sentido, parece que racionalizamos em tudo. As coisas precisam ter um porquê de ser. Tenho aquele
relacionamento, pois já é hora de me relacionar com alguém. Todos compram, tenho de ter também. Contudo, as coisas legais da vida ocorrem justamente quando se foge disto tudo. Por isso que, após uma viajem, contamos com entusiasmo justamente as coisas que fugiram ao plano.
A vida pode ficar muito chata se abandonarmos os nossos pequenos “EU`s” . A vida pode ficar muito complexa se não seguirmos o que foi já
sentido lá trás, nos redutos de uma infância pura de nobrezas. A vida é uma
para não se seguir o coração de uma criança.
Fernando
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
domingo, 19 de agosto de 2012
Por vezes, volto a reviver o menino
é um presente dado ao
peito
Sentado naquele velho
balanço de jardim
A viver a inocência de
um amor de altar
que insiste ali, num rumar sem fim
É... já é sabida a
dor do porvir
Mas, veja bem, os
ausentes já não o podem mais sentir
Afinal é um presente ,
não pedido, nem implorado
Pois que mal tem vestir
os retalhos
para afagar o arrepio
da pele,
que desfalece por nada
ter
Ah sim, o discurso em
monólogos incansáveis
de cartas escritas e
guardadas
nunca (!) jamais
enviadas
afinal a mão treme na
vastidão da incerteza
na suspensa beleza
deste velho advir
O usual silêncio, já
não conforta mais
é preciso agora ouvir
aos sonetos educados
de segredos não
revelados
Que fazem emudecer
desampontado
O garoto relembrado,
daquele jardim
A balançar em suas
mais doces desilusões pueris
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
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