terça-feira, 22 de maio de 2012
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Que saudade tenho dos sapatos baixos
Da poesia de tornozelos finos e delicados
De cada detalhe feminino ali observado
Dos versos que davam forma ao livro de teu corpo
No saber do sentido de cada sílaba
Dos segredos teus em mim bem sedimentados
Num repouso por sob o peito do que havia de sagrado
Que saudade tenho das vestes franzinas
Do perceber o que já era antigo e desbotado
De lembrar sempre a ocasião de cada vestido
A iluminar vestígios de beijos arrancados
Daquilo sentido, o amor de detalhes guardados
Dentro de minhas caixas ficam ali jogados
Que saudade tenho de guardar tua história
De fazer de cada sopro perfumado de tua boca
Retalho costurado em minhas memórias
De poder ser testemunha de teus passos
Que bailavam em compassos doces
À melodia de um amor com toda sua cor
Fernando Wolf
domingo, 20 de maio de 2012
La Vie en Rose (Piaf, Um Hino ao Amor) filme
Trecho do filme La Vie en Rose (Piaf um hino ao amor) 2007
Marion Cotillard, atriz que interpreta Piaf, já se faz por valer o filme.
Non, Je Ne Regrette Rien
Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Ni le bien qu'on ma fait,
Ni le mal - tout ça m'est bien égal!
Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié,
Je me fous du passé!
Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu,
Mes chagrins, mes plaisirs,
Je n'ai plus besoin d'eux!
Balayé les amours
Avec leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro...
Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Ni le bien qu'on ma fait,
Ni le mal - tout ça m'est bien égal!
Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies,
Aujourd'hui, ça commence avec toi!
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segunda-feira, 14 de maio de 2012
Entre o caos que assola o que há de divino
Encontro no meio do caminho a passos ligeiros
O cheiro de toda beleza do lado de fora
Que agora vira minha escola, e mostra
Com a luz apertando meus olhos
O sol cobrindo o vento por sobre os arvoredos
E todo aquele branco que me cercava
Agora se esvai por entre o mirar do relevo
Ao longe, como será que as coisas vão por lá... (?)
A saudade míngua no peito, se vai
Por entre corredores com diversas portas
Por entre o pedir de todas as forças
Dos que ali estão sem nenhuma opção
De ao longe também poder sonhar
Fernando
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domingo, 13 de maio de 2012
As Invasões Bárbaras - 2003
O premiado filme “As Invasões Bárbaras” traz a despedida, a
morte, a razão de existir, o apego à vida, os sentimentos, as relações e seus enredos numa fase mais madura da vida. Apaixonante
de verdade com cenas onde os sentimentos são trazidos à tona. Uma das cenas mais bonitas é a da imagem acima entre pai e filho, difícil segurar as lágrimas.
Se tiver um tempo a mais, assista também ao
filme “O Declínio do Império Americano” gravado em 1986 com o mesmo elenco –
mais jovem obviamente. Aqui os personagens vivem as tramas amorosas/sexuais e existenciais contemporâneas às suas
respectivas idades e época.
Abaixo a música L'amitié - Françoise Hardy - que faz parte da trilha sonora do filme:
A amizade
Muitos de meus amigos vieram das nuvens,
Com o sol e a chuva como bagagem.
Fizeram a estação da amizade sincera,
A mais bela das quatro estações da terra.
Têm a doçura das mais belas paisagens,
E a fidelidade dos pássaros migradores.
E em seu coração está gravada uma ternura infinita,
Mas, as vezes, uma tristeza aparece em seus olhos.
Então, vêm se aquecer comigo,
e você também virá.
Poderá retornar às nuvens,
E sorrir de novo a outros rostos,
Distribuir à sua volta um pouco da sua ternura,
Quando alguem quiser esconder sua tristeza.
Como não sabemos o que a vida nos dá,
Talvez eu não seja mais ninguém.
Se me resta um amigo que realmente me compreenda,
Me esquecerei das lágrimas e penas.
Então, talvez eu vá até você aquecer
Meu coração com sua chama.
Fonte da letra: http://letras.terra.com.br/francoise-hardy/57333/traducao.html
Fernando Wolf
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quarta-feira, 9 de maio de 2012
domingo, 22 de abril de 2012
Nos braços do incerto
Desde o florir d`alma neste mundo,
até o despir da carne, caminhamos por sobre pedras e pétalas. Quando ficamos
felizes, vêm o voltar às lagrimas duma tristeza que já fazia a sua falta. E
quando o cinza frio já cansa a espinha, nos erguemos em mais uma primavera a
mirar os campos férteis a se perder de vista.
Vivemos os ciclos, revivemos os erros, nos vangloriamos dos acertos. O
privilégio da maturidade vem trazendo mais e mais a calma de padrões achados em
meio ao caos. Buscamos incansavelmente as respostas, que esmigalham o peito,
dia após dia, noite após noite. Tudo fluindo com a força do tempo, muito a parte de nossos
desejos e rezas.
A jornada do viver constrói-se num
perguntar constante, sem nunca uma resposta. Pois, se a encontrássemos,
talvez, estaria lá a morte. Quem sabe, se encontrássemos a Deus, ou mesmo o nada,
já não haveria mais lá o viver. Estaria ali o fim, ou o começo de algo que não esta vida mundana.
A certeza ou a
plenitude eterna, portanto, ainda não caberiam a este viver que conhecemos. Não nesta vida, não neste corpo de carne e sentimentos.
Não nesta mente despreparada que beija a terra e que mira o céu sob sua suspeita.
Quem se atreve a continuar vivendo, não está apto a encontrar uma resposta
estanque. Estamos sim aptos a desfrutar a angústia das interrogações, da beleza
do incerto, da falta do conforto apaziguado pelas ilusões - uns menos e outros mais. E, mesmo assim, isso de forma alguma deve ser tratado de forma desesperançosa, pelo contrário. Justamente é na falta das certezas e das verdades cravadas em pedras, onde encontramos o esplendor que é o viver, onde brota a fonte da esperança e da fé pela existência das respostas. Pois não é no seu fim, mas na sua jornada que o coração ainda pulsa.
Porquanto, é ali, no andar
tortuoso de pernas juvenis, onde temos a oportunidade de aprender a andar.
Somente ali, naquele olhar da criança que não entende a dor de um despedir, que
aprendemos a suportar a perda. É somente ali, que a vida põe-se a ensinar a quem estiver atento para aprender.
Fernando Wolf
Mar Adentro - Filme
O premiado filme relata a
história de Ramón Sampedro -
interpretado de forma única por Javier Bardem - um marinheiro que ficou tetraplégico na sua
juventude ao bater em um banco de areia no mar. Ele passa seus próximos 30 anos
recebendo ajuda de seus familiares sob total dependência. Sua luta no final da
vida passa a ser a de sua própria morte. Há a discussão jurídica e moral da
época sobre este caso que ficou famoso pelo mundo. Um filme emocionante, um
tema polêmico - eutanásia, morte com dignidade. Vale cada minuto.
Fernando Wolf
sexta-feira, 20 de abril de 2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
Quem ama não perdoa
Quem ama não perdoa. Quão agressiva esta frase quando jogada
aos ouvidos pela primeira vez. Era vinda de alguém que respeitava, um de
meus mestres. O perdoar sempre pareceu-me tão afável. Ainda o é,
afinal. Estas quatro palavras ecoavam no peito como que sem pedir licença, “quem
ama não perdoa”. Era um desafio, tinha de assimilar aquilo e achar o seu
sentido. Foi como se impusessem um enigma. A busca de sua solução consumiria o
tempo e os sentidos por várias e repedidas vezes após ser colocada em meus pensamentos.
Havia uma sensação contraditória e angustiante. Eram os meus
valores também colocados à prova. Como que podia aquele "perdoar" que é sinônimo do bem, que traz a paz, cura as guerras e se faz elevado, como que o "perdoar" pode não fazer parte das ações de quem ama?
Era então mais fácil desacreditar e dar um tempo daquilo tudo. Continuaria eu com os pensamentos tão usuais ao ser.
Mas, a vida flui em mudanças e movimento. Negar talvez não
bastasse mais após certa monta. E, quando já achava tarde, uma luz, como que de
algum lugar, dum nada, dum silêncio, veio iluminar todas as angústias. Pois, o amor,
este sim, mostrou sua face. Era agora de forma clara, que via o amor como um sentimento mais elevado. Mais do que paixões, mais do que a carne que movimenta
nossos corpos. O amor era e é sim mais elevado que o perdão, apesar de toda sua carga de nobreza.
Quem consegue amar de forma pura e plena, eleva-se por sobre
o perdão. Por isso, quando sentimos amor verdadeiro, talvez não precisemos perdoar. Quem
consegue amar assim, simplesmente ama ao todo, ao que há de perfeito e
imperfeito num ser, num estado, numa ação, seja o que for.
Ah sim, o amar... poucos o conseguem de forma tão plena, poucos
são os que chegam lá – já falava este mesmo mestre. Para tanto, para senti-lo,
é preciso libertar-se de muitos véus... E é dura a jornada até o amor mais puro,
livres de todos os apegos, livres de tudo o que corrompe o ser.
Como então chegar lá? Como amar plenamente? Por enquanto, valho-me da
máxima: É no presente o começo de qualquer feito, seja ele grande ou mísero. Pois se
quiseres amar de forma límpida e pura, não é jogando-se em lamaçais que irás consegui-lo.
Se quiseres amar para não mais precisar do perdoar, é preciso jogar-se nos rios
de vertentes nobres e mutáveis do seu presente. Será ali, dia após dia, que
conseguirás aprender a amar a correnteza que leva o que não morre em ti e que flui por entre os tempos.
Fernando Wolf
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Pablo Neruda - Tu eras também uma pequena folha
Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.
Pablo Neruda
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.
Pablo Neruda
sábado, 31 de março de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
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