segunda-feira, 21 de maio de 2012

Que saudade tenho dos sapatos baixos
Da poesia de tornozelos finos e delicados
De cada detalhe feminino ali observado
Dos versos que davam forma ao livro de teu corpo
No saber do sentido de cada sílaba
Dos segredos teus em mim bem sedimentados
Num repouso por sob o peito do que havia de sagrado

Que saudade tenho das vestes franzinas
Do perceber o que já era antigo e desbotado
De lembrar sempre a ocasião de cada vestido
A iluminar vestígios de beijos arrancados
Daquilo sentido, o amor de detalhes guardados
Dentro de minhas caixas ficam ali jogados

Que saudade tenho de guardar tua história
De fazer de cada sopro perfumado de tua boca
Retalho costurado em minhas memórias
De poder ser testemunha de teus passos
Que bailavam em compassos doces
À melodia de um amor com toda sua cor




Fernando Wolf

domingo, 20 de maio de 2012

La Vie en Rose (Piaf, Um Hino ao Amor) filme




Trecho do filme La Vie en Rose (Piaf um hino ao amor) 2007

Marion Cotillard, atriz que interpreta Piaf, já se faz por valer o filme.


Non, Je Ne Regrette Rien



Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Ni le bien qu'on ma fait,
Ni le mal - tout ça m'est bien égal!

Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié,
Je me fous du passé!

Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu,
Mes chagrins, mes plaisirs,
Je n'ai plus besoin d'eux!

Balayé les amours
Avec leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro...

Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Ni le bien qu'on ma fait,
Ni le mal - tout ça m'est bien égal!

Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies,
Aujourd'hui, ça commence avec toi!

segunda-feira, 14 de maio de 2012


Entre o caos que assola o que há de divino
Encontro no meio do caminho a passos ligeiros
O cheiro de toda beleza do lado de fora
Que agora vira minha escola, e mostra
Com a luz apertando meus olhos
O sol cobrindo o vento por sobre os arvoredos
E todo aquele branco que me cercava
Agora se esvai por entre o mirar do relevo
Ao longe, como será que as coisas vão por lá... (?)

A saudade míngua no peito, se vai
Por entre corredores com diversas portas
Por entre o pedir de todas as forças
Dos que ali estão sem nenhuma opção
De ao longe também poder sonhar


Fernando

domingo, 13 de maio de 2012

As Invasões Bárbaras - 2003



O premiado filme “As Invasões Bárbaras” traz a despedida, a morte, a razão de existir, o apego à vida, os sentimentos, as relações e seus enredos numa fase mais madura da vida. Apaixonante de verdade com cenas onde os sentimentos são trazidos à tona. Uma das cenas mais bonitas é a da imagem acima entre pai e filho, difícil segurar as lágrimas.
Se tiver um tempo a mais, assista também ao filme “O Declínio do Império Americano” gravado em 1986 com o mesmo elenco – mais jovem obviamente. Aqui os personagens vivem as tramas amorosas/sexuais e existenciais contemporâneas às suas respectivas idades e época.



Abaixo a música L'amitié - Françoise Hardy  - que faz parte da trilha sonora do filme:



A amizade


Muitos de meus amigos vieram das nuvens,
Com o sol e a chuva como bagagem.
Fizeram a estação da amizade sincera,
A mais bela das quatro estações da terra.

Têm a doçura das mais belas paisagens,
E a fidelidade dos pássaros migradores.
E em seu coração está gravada uma ternura infinita,
Mas, as vezes, uma tristeza aparece em seus olhos.

Então, vêm se aquecer comigo,
e você também virá.

Poderá retornar às nuvens,
E sorrir de novo a outros rostos,
Distribuir à sua volta um pouco da sua ternura,
Quando alguem quiser esconder sua tristeza.

Como não sabemos o que a vida nos dá,
Talvez eu não seja mais ninguém.
Se me resta um amigo que realmente me compreenda,
Me esquecerei das lágrimas e penas.

Então, talvez eu vá até você aquecer
Meu coração com sua chama.





Fernando Wolf

domingo, 22 de abril de 2012

Nos braços do incerto


Desde o florir d`alma neste mundo, até o despir da carne, caminhamos por sobre pedras e pétalas. Quando ficamos felizes, vêm o voltar às lagrimas duma tristeza que já fazia a sua falta. E quando o cinza frio já cansa a espinha, nos erguemos em mais uma primavera a mirar os campos férteis a se perder de vista.
 Vivemos os ciclos, revivemos os erros, nos vangloriamos dos acertos. O privilégio da maturidade vem trazendo mais e mais a calma de padrões achados em meio ao caos. Buscamos incansavelmente as respostas, que esmigalham o peito, dia após dia, noite após noite. Tudo fluindo com a força do tempo, muito a parte de nossos desejos e rezas.
A jornada do viver constrói-se num perguntar constante, sem nunca uma resposta. Pois, se a encontrássemos, talvez, estaria lá a morte. Quem sabe, se encontrássemos a Deus, ou mesmo o nada, já não haveria mais lá o viver. Estaria ali o fim, ou o começo de algo que não esta vida mundana.
A certeza ou a plenitude eterna, portanto, ainda não caberiam a este viver que conhecemos. Não nesta vida, não neste corpo de carne e sentimentos. Não nesta mente despreparada que beija a terra e que mira o céu sob sua suspeita. Quem se atreve a continuar vivendo, não está apto a encontrar uma resposta estanque. Estamos sim aptos a desfrutar a angústia das interrogações, da beleza do incerto, da falta do conforto apaziguado pelas ilusões - uns menos e outros mais. E, mesmo assim, isso de forma alguma deve ser tratado de forma  desesperançosa, pelo contrário. Justamente é na falta das certezas e das verdades cravadas em pedras, onde encontramos o esplendor que é o viver, onde brota a fonte da esperança e da fé pela existência das respostas. Pois não é no seu fim, mas na sua jornada que o coração ainda pulsa.
Porquanto, é ali, no andar tortuoso de pernas juvenis, onde temos a oportunidade de aprender a andar. Somente ali, naquele olhar da criança que não entende a dor de um despedir, que aprendemos a suportar a perda. É somente ali, que a vida põe-se a ensinar a quem estiver atento para aprender. 



Fernando Wolf




A vida é a chama de uma diminuta vela e a morte, o seu sopro.




Fernando Wolf

Mar Adentro - Filme




O premiado filme relata a história de Ramón Sampedro -  interpretado de forma única por Javier Bardem -  um marinheiro que ficou tetraplégico na sua juventude ao bater em um banco de areia no mar. Ele passa seus próximos 30 anos recebendo ajuda de seus familiares sob total dependência. Sua luta no final da vida passa a ser a de sua própria morte. Há a discussão jurídica e moral da época sobre este caso que ficou famoso pelo mundo. Um filme emocionante, um tema polêmico - eutanásia, morte com dignidade. Vale cada minuto.


Fernando Wolf

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Biscaya



Ao meu papa!! 

domingo, 8 de abril de 2012

Smooth music...


Gare du Nord - Marvin and Miles

sábado, 7 de abril de 2012

Quem ama não perdoa


Quem ama não perdoa. Quão agressiva esta frase quando jogada aos ouvidos pela primeira vez. Era vinda  de alguém que respeitava, um de meus mestres. O perdoar sempre pareceu-me tão afável. Ainda o é, afinal. Estas quatro palavras ecoavam no peito como que sem pedir licença, “quem ama não perdoa”. Era um desafio, tinha de assimilar aquilo e achar o seu sentido. Foi como se impusessem um enigma. A busca de sua solução consumiria o tempo e os sentidos por várias e repedidas vezes após ser colocada em meus pensamentos.
Havia uma sensação contraditória e angustiante. Eram os meus valores também colocados à prova. Como que podia aquele "perdoar" que é sinônimo do bem, que traz a paz, cura as guerras e se faz elevado, como que o "perdoar" pode não fazer parte das ações de quem ama?
Era então mais fácil desacreditar e dar um tempo daquilo tudo. Continuaria eu com os pensamentos tão usuais ao ser.
Mas, a vida flui em mudanças e movimento. Negar talvez não bastasse mais após certa monta. E, quando já achava tarde, uma luz, como que de algum lugar, dum nada, dum silêncio, veio iluminar todas as angústias. Pois, o amor, este sim, mostrou sua face. Era agora de forma clara, que via o amor como um sentimento mais elevado. Mais do que paixões, mais do que a carne que movimenta nossos corpos. O amor era e é sim mais elevado que o perdão, apesar de toda sua carga de nobreza.
Quem consegue amar de forma pura e plena, eleva-se por sobre o perdão. Por isso, quando sentimos amor verdadeiro, talvez não precisemos perdoar. Quem consegue amar assim, simplesmente ama ao todo, ao que há de perfeito e imperfeito num ser, num estado, numa ação, seja o que for.
Ah sim, o amar... poucos o conseguem de forma tão plena, poucos são os que chegam lá – já falava este  mesmo mestre. Para tanto, para senti-lo, é preciso libertar-se de muitos véus... E é dura a jornada até o amor mais puro, livres de todos os apegos, livres de tudo o que corrompe o ser.
Como então chegar lá? Como amar plenamente? Por enquanto, valho-me da máxima: É no presente o começo de qualquer feito, seja ele grande ou mísero. Pois se quiseres amar de forma límpida e pura, não é jogando-se em lamaçais que irás consegui-lo. Se quiseres amar para não mais precisar do perdoar, é preciso jogar-se nos rios de vertentes nobres e mutáveis do seu presente. Será ali, dia após dia, que conseguirás aprender a amar a correnteza que leva o que não morre em ti e que flui por entre os tempos.

Fernando Wolf

Para para paradise

Florianópolis 2012

Pablo Neruda - Tu eras também uma pequena folha

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.


Pablo Neruda

sábado, 31 de março de 2012



Para quem acompanha o blog, está aí a flor sobrevivente da história. Agora em seu próprio vaso!
Aos que não a conhecem ainda, segue o link: 

terça-feira, 27 de março de 2012

domingo, 25 de março de 2012

Ninho das estações

William Henry Hunt Primroses and Bird’s Nest.

Andei por novos povos
Vi nos olhos outras vidas
E pela televisão os brancos ouvindo música
E ali no chão o capim crescendo entre as pedras
Respirei o ar de não estar ali e, novamente,
O tudo e o todo ficaram suspensos e estagnados
Via no mundo uma repetição dum estado humano
Seus sorrisos nos rostos e os pensamentos ao vento    
Os choros e abraços, os cantos e os ouvidos
Vi tanto em tão pouco...
Eram ciclos que pulsavam em qualquer canto
E quando menos esperava, aquilo já me bastava
Para ver que não adiantava fugir
Aqui ou ali, tudo um dia vai também ruir

Pois agonizo em saber se há de valer
Um dia o sofrer por querer estar ali
Ali em qualquer lugar
Onde deixarei meu corpo a repousar
Como se boiasse num rio de correntes calmas
Sem medo, deixando a água mansa me levar
Sem mais nadar, nem mergulhar...

Talvez um dia recoste meus sapatos
Frente a uma lareira num dia frio
Para deixar enfim o conforto do cobertor
Apaziguar a alma em um ninho de flor
Construído com as pétalas de todos os jardins
Que um dia já secaram e em outros floresceram
Em primaveras e outonos de tempos atrás
Feito de ventos, do ir e vir dos galhos,
De caminhos do nascer e do morrer,
Da potência das sementes e de árvores em flor

Será ali onde um dia eu hei de sentar
Para ver a lua brincar com o sol
Confundindo-nos em dias e noites,
Em ódios e amores, em brigas e afetos
Ali sim, colocar-me-ei de expectador estático
Vendo como um lúcido lunático
O alvorecer beijar a lua e brindar
Vez após vez, ao nascer de nova luz
Que logo cedo a cada manhã
Vêm a alma iluminar






Fernando Wolf