quarta-feira, 9 de maio de 2012
domingo, 22 de abril de 2012
Nos braços do incerto
Desde o florir d`alma neste mundo,
até o despir da carne, caminhamos por sobre pedras e pétalas. Quando ficamos
felizes, vêm o voltar às lagrimas duma tristeza que já fazia a sua falta. E
quando o cinza frio já cansa a espinha, nos erguemos em mais uma primavera a
mirar os campos férteis a se perder de vista.
Vivemos os ciclos, revivemos os erros, nos vangloriamos dos acertos. O
privilégio da maturidade vem trazendo mais e mais a calma de padrões achados em
meio ao caos. Buscamos incansavelmente as respostas, que esmigalham o peito,
dia após dia, noite após noite. Tudo fluindo com a força do tempo, muito a parte de nossos
desejos e rezas.
A jornada do viver constrói-se num
perguntar constante, sem nunca uma resposta. Pois, se a encontrássemos,
talvez, estaria lá a morte. Quem sabe, se encontrássemos a Deus, ou mesmo o nada,
já não haveria mais lá o viver. Estaria ali o fim, ou o começo de algo que não esta vida mundana.
A certeza ou a
plenitude eterna, portanto, ainda não caberiam a este viver que conhecemos. Não nesta vida, não neste corpo de carne e sentimentos.
Não nesta mente despreparada que beija a terra e que mira o céu sob sua suspeita.
Quem se atreve a continuar vivendo, não está apto a encontrar uma resposta
estanque. Estamos sim aptos a desfrutar a angústia das interrogações, da beleza
do incerto, da falta do conforto apaziguado pelas ilusões - uns menos e outros mais. E, mesmo assim, isso de forma alguma deve ser tratado de forma desesperançosa, pelo contrário. Justamente é na falta das certezas e das verdades cravadas em pedras, onde encontramos o esplendor que é o viver, onde brota a fonte da esperança e da fé pela existência das respostas. Pois não é no seu fim, mas na sua jornada que o coração ainda pulsa.
Porquanto, é ali, no andar
tortuoso de pernas juvenis, onde temos a oportunidade de aprender a andar.
Somente ali, naquele olhar da criança que não entende a dor de um despedir, que
aprendemos a suportar a perda. É somente ali, que a vida põe-se a ensinar a quem estiver atento para aprender.
Fernando Wolf
Mar Adentro - Filme
O premiado filme relata a
história de Ramón Sampedro -
interpretado de forma única por Javier Bardem - um marinheiro que ficou tetraplégico na sua
juventude ao bater em um banco de areia no mar. Ele passa seus próximos 30 anos
recebendo ajuda de seus familiares sob total dependência. Sua luta no final da
vida passa a ser a de sua própria morte. Há a discussão jurídica e moral da
época sobre este caso que ficou famoso pelo mundo. Um filme emocionante, um
tema polêmico - eutanásia, morte com dignidade. Vale cada minuto.
Fernando Wolf
sexta-feira, 20 de abril de 2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
Quem ama não perdoa
Quem ama não perdoa. Quão agressiva esta frase quando jogada
aos ouvidos pela primeira vez. Era vinda de alguém que respeitava, um de
meus mestres. O perdoar sempre pareceu-me tão afável. Ainda o é,
afinal. Estas quatro palavras ecoavam no peito como que sem pedir licença, “quem
ama não perdoa”. Era um desafio, tinha de assimilar aquilo e achar o seu
sentido. Foi como se impusessem um enigma. A busca de sua solução consumiria o
tempo e os sentidos por várias e repedidas vezes após ser colocada em meus pensamentos.
Havia uma sensação contraditória e angustiante. Eram os meus
valores também colocados à prova. Como que podia aquele "perdoar" que é sinônimo do bem, que traz a paz, cura as guerras e se faz elevado, como que o "perdoar" pode não fazer parte das ações de quem ama?
Era então mais fácil desacreditar e dar um tempo daquilo tudo. Continuaria eu com os pensamentos tão usuais ao ser.
Mas, a vida flui em mudanças e movimento. Negar talvez não
bastasse mais após certa monta. E, quando já achava tarde, uma luz, como que de
algum lugar, dum nada, dum silêncio, veio iluminar todas as angústias. Pois, o amor,
este sim, mostrou sua face. Era agora de forma clara, que via o amor como um sentimento mais elevado. Mais do que paixões, mais do que a carne que movimenta
nossos corpos. O amor era e é sim mais elevado que o perdão, apesar de toda sua carga de nobreza.
Quem consegue amar de forma pura e plena, eleva-se por sobre
o perdão. Por isso, quando sentimos amor verdadeiro, talvez não precisemos perdoar. Quem
consegue amar assim, simplesmente ama ao todo, ao que há de perfeito e
imperfeito num ser, num estado, numa ação, seja o que for.
Ah sim, o amar... poucos o conseguem de forma tão plena, poucos
são os que chegam lá – já falava este mesmo mestre. Para tanto, para senti-lo,
é preciso libertar-se de muitos véus... E é dura a jornada até o amor mais puro,
livres de todos os apegos, livres de tudo o que corrompe o ser.
Como então chegar lá? Como amar plenamente? Por enquanto, valho-me da
máxima: É no presente o começo de qualquer feito, seja ele grande ou mísero. Pois se
quiseres amar de forma límpida e pura, não é jogando-se em lamaçais que irás consegui-lo.
Se quiseres amar para não mais precisar do perdoar, é preciso jogar-se nos rios
de vertentes nobres e mutáveis do seu presente. Será ali, dia após dia, que
conseguirás aprender a amar a correnteza que leva o que não morre em ti e que flui por entre os tempos.
Fernando Wolf
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Pablo Neruda - Tu eras também uma pequena folha
Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.
Pablo Neruda
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.
Pablo Neruda
sábado, 31 de março de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
domingo, 25 de março de 2012
Ninho das estações
William Henry Hunt - Primroses and Bird’s Nest.
Andei por novos povos
Vi nos olhos outras vidas
E pela televisão os brancos ouvindo música
E ali no chão o capim crescendo entre as pedras
Respirei o ar de não estar ali e, novamente,
O tudo e o todo ficaram suspensos e estagnados
Via no mundo uma repetição dum estado humano
Seus sorrisos nos rostos e os pensamentos
ao vento
Os choros e abraços, os cantos e
os ouvidos
Vi tanto em tão pouco...
Eram ciclos que pulsavam em qualquer canto
E quando menos esperava, aquilo já me bastava
Para ver que não adiantava fugir
Aqui ou ali, tudo um dia vai também ruir
Pois agonizo em saber se há de valer
Um dia o sofrer por querer estar ali
Ali em qualquer lugar
Onde deixarei meu corpo a repousar
Como se boiasse num rio de correntes calmas
Sem medo, deixando a água mansa me levar
Sem mais nadar, nem mergulhar...
Talvez um dia recoste meus sapatos
Frente a uma lareira num dia frio
Para deixar enfim o conforto do cobertor
Apaziguar a alma em um ninho de flor
Construído com as pétalas de todos os jardins
Que um dia já secaram e em outros floresceram
Em primaveras e outonos de tempos atrás
Feito de ventos, do ir e vir dos galhos,
De caminhos do nascer e do morrer,
Da potência das sementes e de árvores em flor
Será ali onde um dia eu hei de sentar
Para ver a lua brincar com o sol
Confundindo-nos em dias e noites,
Em ódios e amores, em brigas e afetos
Ali sim, colocar-me-ei de expectador estático
Vendo como um lúcido lunático
O alvorecer beijar a lua e brindar
Vez após vez, ao nascer de nova luz
Que logo cedo a cada manhã
Vêm a alma iluminar
Vêm a alma iluminar
Fernando Wolf
terça-feira, 20 de março de 2012
BIUTIFUL
Um filme que abusa de realidade, mas também mistura o
misticismo e a fé. Javier Bardem o ator que interpreta Uxbal (um estelionatário
de vários negócios ilícitos, um homem singular que fala com os mortos e usa do
dom para ganhar dinheiro sobre os que ficaram neste mundo em sofrimento, um
homem que está a morrer...) é o carro chefe do filme. Há muita sensibilidade
nas cenas, que mostram a precariedade das relações humanas e, ao mesmo tempo, a
força que o amor traz nas mais diferentes situações. O que mais me contagiou
foi o personagem do filho de Uxbal que em várias cenas trouxe um sentimento de
comoção indescritível. Só assistindo...
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UXBAL
domingo, 18 de março de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
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