quarta-feira, 7 de março de 2012
sábado, 3 de março de 2012
Menina
Menina!
Naquele dia eu conheci a distância entre a gente
Vi teus olhos azuis transparentes ainda inocentes
Eles refletiam os meus, descrentes, de tempos a mais
Ei menina,
Contava-te lances envolventes, mas meus dentes
Estes já não enganavam nem mesmo ao mais sagaz
Mostravam tristeza pelos véus que a tapas e socos
Foram caindo aos poucos
Mas não desanime,
Se tu tens as feridas ainda tão certas
Veja em minha face as cicatrizes cobertas
Pois fique tranquila,
Isso também um dia, vai passar
Eu sei!
Tu me falas que nunca mais ficará com outro cara
Mas teu coração ferido ainda terá um dia sua fala
Felizes e belos perfumes de beleza,
Que também, acredite, vão passar...
Ora entenda,
Que não sou um alguém triste como dizes
E nem tu deves o ser, minha pétala alva e delicada...
Dispas as tuas nobrezas e tenhas certeza
Que o teu coração voltará a respirar
Minha cara,
Tenha certeza da tua beleza rara
Que não repousa só em tuas vestes
Mas vos acompanha em tua bela morada
A ecoar na fluidez de tua alma
Pois venha!
Venha comigo agora, vou botar-te a dormir
Contar-te uma história afável e mansa
Para que durmas tranquila em tuas lembranças
E sintas no nascer do sol, um novo regozijar...
Eu beijo tua fronte
E por novos caminhos sobrepostos
Sem olhar para trás,
Eu sigo por entre portas distantes
E despeço-me de minha luz
Adeus,
Com a tua mocidade branda
Recoste agora o teu rosto sobre as mãos
Que acariciam todos os teus dons
Durma agora por sobre
O suave destino que te guarda
O suave destino que te guarda
Fernando
domingo, 26 de fevereiro de 2012
A invenção de Hugo Cabret (The Invention of Hugo Cabret)
Um filme como há muito não assistia. Desenhado de forma delicada e bonita. Conta a estória de um menino que conserta relógios em uma estação de trens em Paris. O menino é órfão e vive uma aventura para desvendar uma mensagem de seu falecido pai que ajudará a moldar o seu destino. Lembro de um trecho entre os dois personagens infantis em que falavam mais ou menos assim: "Os humanos, como as máquinas, quando sem propósito, não funcionam, são como máquinas quebradas." Muito bonito!
Assistam e emocionem-se.
Link com o livro de Brian Selznick: http://www.theinventionofhugocabret.com/about_hugo_intro.htm
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The Invention of Hugo Cabret
domingo, 12 de fevereiro de 2012
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Renascer de cada dia
Era uma praia, não uma praia
qualquer, pois era aquela que eles tinham naquele dia. Tinha um gosto especial.
Já se davam meses que aquele casal quiçá tinha se oportunizado férias. Era aquilo
também um fugir de tudo o que lhes representou de decepções e medos daquele ano
tão penoso.
Curtiam as primeiras trocas de
intimidade e carinhos longe de tudo. Conheceram-se no caos de uma metrópole há
ainda muito pouco. Amores para cá, amores para lá. Sabiam, após muitas das
andanças em seus próprios caminhos, que o amor era raro, mas não estático.
Sentiam que ali não havia obrigações, pois todos com seus corações sabem da
capacidade de aprender e reaprender a amar seja quando for – quando semeado
pelo tempo.
No entanto, o nosso personagem,
tão homem, tão contemporâneo, bradava em ondas revoltas. Era ele escravo de seu
senhor, de seu corpo, de seus medos. Lembrava mares outros que, como em grandes
tempestades, já se pusera. Ainda ali persistiam os erros, os acertos, a gana e
os apegos. O mar ainda se jogava com força nas encostas de seu ser. As ondas insistiam
em transformá-lo em areia fina e disforme.
Ela, tão mulher, tão dona de si, já
se punha desnuda de suas vestes de outros invernos. Estava já adaptada ao clima
dos trópicos, à simplicidade daquela vida pacata ali a sua volta. Dizia que um
banho no mar brando e morno seria uma boa. Seria um símbolo de renovação da
alma, de finalizar um ciclo e o recomeçar de outro.
Mas ele insistia em trazer sua
tormenta. Não lhe era aprazível o recostar-se na rede sentindo o vento
bater-lhe as bochechas. Afinal inquietava-se pensando de onde vinham aquelas
águas do rio e para onde elas iriam. Não se permitia fazer parte daquele rio,
que se faz parte do mar, que se faz parte do todo...
Mas Mariana intuindo toda sua
energia, pegou nos cabelos de Ricardo e o beijou intensamente e inesperadamente.
Por um momento único as suas almas encontraram-se e Ricardo percebeu toda a vida
e seu sentido. Era aquilo uma fração do amor em sua forma pura e única. Era
aquele momento único em sua existência, impossível não contemplá-lo. Era o primeiro
segundo que conseguira desfrutar de seu maior presente: o seu, o deles, o
presente.
Fora o amor em forma de paixão
que trouxera Ricardo de volta à vida. Agora já não restava outro desejo senão o
de olhar aquele mar e sentir o aroma do sal morno. Ensurdecia-se com o barulho
de ondas que fechavam suas pestanas a ouvir a força da natureza em seu peito.
Não mais seus fantasmas, não mais suas dores e alegrias passadas. Vivia agora
aquele momento e tão somente aquilo.
Ricardo então olhou nos olhos de
Mariana, pegou sua mão e a recostou por sobre o seu peito. Com os olhos
marejados de lágrimas, ouviu a sua alma e falou baixinho: “obrigado”.
Mariana, intuitiva como era, já
presumia do que se tratava, pois a feição de Ricardo já era outra agora. Não lhe
disse mais nada. Ficaram ali, abraçados por mais algumas horas, presenteando-se
com o entardecer do sol que ia se forjando do nácar ao alaranjado e por fim se
derramava no mais vivo vermelho por sobre o mar. Fora ali, no cair do dia, que
se dera um novo respirar da alma.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Por que tanta pele, se o que me mantém aceso está no despir
de tua boca?
Por que tantos muros se o que me comove são teus doces olhos em lágrimas?
Por que tantos abraços se o que mantém a ti são tuas idéias
de meus embaraços?
Destitua-se de toda a tua dor e venha a mim como for, nua de
teus véus e vestes...
Julgue como fora a ti ensinado, mas não esqueça de que
aquilo tudo está desgastado
Sufoque-me com tua loucura no verão, mas deixe a mim o frescor
outonizado de tua alma
Fernando Wolf
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Repensando a felicidade
Felicidade é dar ouvido ao que há de divino em nós e deixar-se
fazer instrumento do que há de mais iluminado no ser.
Ser feliz é livrar-se do
domínio dos medos e vícios que tanto criamos.
Ser feliz é buscar sabedoria e
equilíbrio.
É busca pelo que há de mais virtuoso no homem.
Ser feliz é mais do que
estar alegre.
Ser feliz é rir por inteiro, é rir com a alma!
Fernando Wolf
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
A flor de cada jardim
Era um bebê franzino, frágil de dar medo ao tocar. Nascera
num dia de domingo, em uma cidade do interior, calma e pacata. Era prematuro,
desnudo das armas fisiológicas que o tempo mais que depressa insistiu em lhe
privar. A tragédia iminente preocupava a pediatra que, carente dos recursos
senão os de sua arte, não saia do lado daquele menino ainda sem nome. Sim era um
menino! Com um futuro nome, uma futura namorada, uma futura família, um futuro
respirar... Mas naquele momento, o seu presente era a única coisa que realmente
importava a todos ao seu lado.
Sua respiração era superficial e ruidosa. Se pudéssemos,
daríamos o nosso próprio fôlego para acalmar aquele inspirar agônico. Era só
uma vontade.
Nossos destinos se conectaram quando meu telefone tocou pela
manhã e uma voz com pressa alertou-me de que haveria uma criança que só teria
vaga em um serviço com os devidos suportes a 450 km dali. A viagem duraria 5
horas. Acordei ainda meio cansado de um plantão que acabara de fazer. Tomei um banho
e comi qualquer coisa. A ambulância veio às pressas me buscar.
No meio do caminho conferi os equipamentos necessários, pensando
nas eventuais e piores tragédias que poderiam transcorrer naquele caso. No
hospital todos nos aguardavam e logo já apontaram onde ficava maternidade.
Vi aquele recém-nascido respirando por sua vida em uma
campânula de oxigênio. Pensava: será ele capaz de suportar uma viagem tão
longa? A angústia tornava a atacar os meus brios. A pediatra apreensiva já me
passava suas recomendações e exames. Enquanto isso, preparávamos o bebê na sua incubadora.
A ambulância seguiu em disparada, respeitando as curvas para
o conforto do pequeno paciente. Ali meu coração palpitava junto a cada mudança
dos sinais vitais do recém-nascido.
Por hora, achei que fosse necessário o suporte com
aparelhos, mas logo a criança voltava a dar sinais de estabilidade.
Num destes momentos de maior apreensão, não sei bem o
porquê, lembrei-me de uma estória. Fora contada por um belo ser ao qual chamo
de pai. Ele capinava um canteiro de macegas e flores velhas. Queria revitalizar
a beleza daquele pedaço de terra. Jogara tudo num terreno baldio com seu balde
e cansado deixou-o de lado e fora tomar água. Dias mais tarde – contava-me com
surpresa – avistara ao mesmo balde, agora já com água da chuva. Ali, uma
pequena plantinha com raízes, botava-se em tímidas e ao mesmo tempo imponentes
flores. Era como se ela dissesse: “Olhem! Eu ainda tenho vida em mim, eu ainda
resisto e mostro-me bela como cada dia deve o ser. Tenho o fio que separa a
vida da morte em meu peito, mas enquanto puder escolher, eu escolho viver!”
Inevitável era sentir a vontade de viver daquela criança tal
qual a flor que brindava a vida com a água da chuva. Mentalizei a força que a
vida é capaz de ter e rezei por aquela criança. O menino, após as cinco horas
de incertezas, resistira e chegara bem ao seu destino naquele dia. Lá pôde
ganhar o devido cuidado para suportar a sua fragilidade. O dever daquele dia
fora cumprido.
Quanto à flor, agora ela têm o seu vaso especial. Virou uma
espécie de símbolo que vou demorar a esquecer. A flor da vida, que iluminara
aquele dia, mostrou que o amor tem o poder de semear o cuidado a quem quer
simplesmente viver...
Fica aqui uma homenagem aos pediatras, enfermeiros,
motoristas, funcionários e a todos outros anônimos jardineiros da vida.
Fernando Wolf
Pintura de Claude Monet
Pintura de Claude Monet
domingo, 22 de janeiro de 2012
sábado, 10 de dezembro de 2011
Um senhor
Conheci um homem. Um homem de grande coração, meio mole, pois
então. Um homem artista do tempo pintado por cabelos brancos. Levava consigo
estórias e dentre elas, uma de amor por oito almas, metade delas feitas, metade
resgatadas. Aquele senhor simplório tinha os olhos bons, não menos sofridos,
mas bons. Já tinha idade para desistir como muitos por aí. Mas não, ali estava
ele de pé, contando-me seus causos.
Eram contos da vida. Sua e só sua singela vida. Lá trás, a
superação no sustento de sua faculdade pelos dotes de mecânico que aprendera
com o pai. Vivera a infância numa mecânica. Imaginei uma criança de olhos
atentos, de suspensório e sapato surrado, argüindo com o pai o funcionamento de
máquinas agrícolas tão complexas. Tornou-se doutor. Exercia então a arte de ser
médico. Tinha sonhos e ideais na época... agora daquilo nada mais senão sua
coleção... suas lembranças de então.
Pois, contou-me suas façanhas de corrigir carros desgastados.
Era o brilho que voltava aos olhos. Enrustido de talentos mil, sua coleção de
fuscas construiu. Porém exaltante se viu, quando sua especialidade definiu: “sou
afinal especialista em DKVs”. O sorriso era contagiante. Senhor do tempo e da paciência,
mostrava-se exemplar raro de humano.
Mas algo não saia de minha atenção, sua caixa pequena e
transparente com pequenos objetos comuns aos olhos. A caixinha tinha uma feição
caseira e nostálgica: um carretel de linha de costura, uma tesourinha, uma rolha
de garrafa e uma fita métrica (aquela fita enrolada das costureiras).
Obviamente perguntei: “desculpe meu senhor, mas porque trazes tais objetos ao
seu labor?” Ele de pronto não respondeu as funções de cada um, mas logo
mencionou o nome de sua avó. Estava ele ali, mais uma vez fazendo uma viajem ao
tempo. Contava-me: “naquele tempo minha avó possuía aquelas latas onde eram
armazenados produtos vindos da cidade, eram raras e por tal, minha avó a
utilizava para carregar estes úteis instrumentos, com a diferença que o
carretel era feito de madeira.” Agora seus olhos sonhavam a sua infância. Tudo
aquilo era bonito e meigo. Era sua identidade resumida a uma caixinha. A
caixinha de sua avó.
Ali naquela conversa “de café-da-manhã” eu descobri quão
bonito é quando nossa identidade se constrói nas coisas mais simples da vida.
No cheiro do pão fresco e de grama molhada. Na sensação de frio debilitante da
primeira onda de um mar gelado. Do sorriso dos primos, dos pais, dos irmãos...
Do sofá, dos cochilos da tarde, da preguiça. Da recepção calorosa de um cão.
Na despedida daquele encontro singular, as almas agora
estavam serenas. Afinal, tudo é tão frágil e mutável, que abençoados
são os dias de um homem quando a contemplar este sopro de vida. Bom foi aquele dia.
Fernando Wolf
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Em Um Mundo Melhor
Um filme que instiga e inspira. Muito bom! Assistam!
Fernando
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
sábado, 12 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Se pudesse escolher, apaixonar-me-ia por ti
Em ti toda mesura de minhas vestes
Todo o gosto da serenidade de tua arte
Em virtudes de uma dama construída
De alma forjada duma amazona rija
A balançar em véus de seda delicados
A tua tez acaricia minhas retinas que suplicam
Pelos teus olhos negros da cor da noite
Que por agora reluzem a tua alma ao longe
E caminhos outros se fazem alumiar
Por quanto, aqui me faço ainda cego a pedir
Que tu venhas um dia, as pedras, me mostrar
Fernando Wolf
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Diálogos com Zygmunt Bauman » cpfl cultura
Diálogos com Zygmunt Bauman » cpfl cultura
Sobre a contemporaneidade: redes sociais, conexões, comunidade global. Muito interessante as palavras deste sociólogo que acompanha "ao vivo" o transformar-se da história há muitos anos. Não é cansativo, são 30 min. Bom vídeo.
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