quinta-feira, 9 de junho de 2011
quarta-feira, 8 de junho de 2011
A menina e o mar
Marta era uma adolescente qualquer de uma cidade qualquer. Sua rotina era comum, entre o colegial e o shopping, assim como eram suas futilidades juvenis. Com uma vida pela frente, queria que a sua fosse com brilho, diferentemente da dura realidade que seus pais enfrentavam dia a dia para pagar as contas. Ela usava seu tempo com a displicência inocente de uma jovem linda cheia de sonhos.
Largara o balé que já fora a essência de sua vida na sua não distante infância. Esses tipos de passatempos já não lhe interessavam mais como outrora. Agora havia garotos, sapatos, glamour, revistas, modelos, um mundo a descobrir. Havia um quê de pressa, muitas experiências para uma menina só. Não queria que sua juventude passasse em vão. Queria sim a aventura de um amor fugaz, embebedar-se com drinks de chocolate, conhecer lugares por um mundo de encanto, queria viver.
Realmente tinha a beleza a seu favor, domava os rapazes da vizinhança qual flauta frente às perigosas najas. Tinha a inveja das amigas, só não o sapato das também invejadas. Passou a inebriar-se com o elixir das festas mais badaladas, com “drops animados” e destilados coloridos. Conquistou amigos muitos aos quais tinha dificuldade de guardar nomes, tantos que eram. Os rapazes sentiam-se felizes pelo simples fato de tão bela jovem aceitar suas “oferendas” com bebidas e a exclusividade das festas mais caras da cidade. Era feliz, se sentia no auge como nunca. Seus pais já haviam parado de insistir, pois sentiam que já era tarde, pouco podiam frente à tão imposta personalidade.
Marta namorava André, o rapaz do momento que era tão fiel quanto seu amigo Judas. Dispunha de um belo carro esportivo vermelho (clichê?) onde já sentaram as mais belas moças da cidade. Ele gostava muito de dirigir veloz qual gavião sentindo a brisa nas ventas. Marta adorava a adrenalina correr seu corpo esguio. Achava-se com sorte de ter se tornado a “principal” de André. Afinal tinha o olhar que queria de suas amigas – não muito agradáveis por sinal.
Como uma tragédia contada por videntes, esta estava pronunciada havia tempos. Marta e André brigaram mais uma vez em uma festa por motivos de infelizes colocações em horas não propícias como qualquer briga entre dois amantes. O furor nos olhos de André era visível. Marta pediu que André a deixasse em casa. André a obedece sem rodeios, pois já havia ligado para seus amigos que iriam se encontrar em uma boate de luz vermelha qualquer. Marta já no carro, já desconfiada do enredo que se armava, inicia verdadeiros golpes verbais ao ouvido de um desvairado bêbado. Não esperávamos outra reação senão a ira que veio em forma de velocidade. André com sua face rubra e olhos fixos, fazia curvas perigosas de ouvir o cantar dos pneus. Fazia manobras perigosas projetando seu corpo para fora do carro soltando gritos ao vento. Era tudo negro, nebuloso... Marta estava então apavorada. Já vira situações de iminente perigo antes, mas nada comparado aquilo.
Em certa curva, em certa estrada, havia obras na pista e o asfalto havia sido retirado. Foi ali que ocorrera o derrapar do carro em alta velocidade. Marta fora lançada para fora do veículo e André, preso ao carro já inconsciente, caiu afundando aos poucos no rio.
Marta acordou imóvel em uma maca já no hospital. Mirava as luzes brancas e turvas sem saber o que havia acontecido. Tinha somente conhecimento de suas sensações. Sentia muita dor, mas não sentia suas pernas. Era o inicio do fim de sua antiga vida.
No outro dia, já lúcida e ciente de sua situação, de sua paraplegia, passou por exames que confirmaram o já esperado. Fratura de vértebras comprimindo sua medula em várias partes, seccionando as vias que levavam estímulo a suas delicadas pernas. Marta não andaria mais, nunca mais.
Ficou sabendo logo após que nunca mais beijaria seu namorado. André falecera afogado no rio. Os pais de Marta ficaram estarrecidos em choque junto aos pais de André. Desenhou-se uma tragédia que marcaria as duas famílias para sempre.
Marta não conseguiu ir ao velório de seu amado, chorou horas em silêncio ora por Andre ora por sua nova condição. Era bonita mesmo atrás das escaras deixadas pelo acidente. Mas agora se via feia, imprestável... Queria morrer...
Soube dias após, por palavras que de longe me chegaram aos ouvidos, que Marta passara por novas cirurgias na coluna. Conseguiram descomprimir em parte sua medula e que até recuperou um pouco da força em suas pernas, mas caminhar não lhe foi ainda assim possível.
Veio o tempo, os dias se passaram, a tragédia foi se escondendo nos confins de minhas lembranças tristes, se apagando no dia a dia. Conhecia-os por longe, não tinha nenhuma relação fraterna com aquelas famílias, somente guardava um carinho por aquela moça tão jovem e bonita.
Certa monta, numa certa praia num certo verão, sentado ao sol frente ao mar, vejo Marta. Bonita como nunca. Era o tempo que a fizera, como um bom vinho, possuir uma beleza mais consistente. Sua cútis branca era ofuscada pelos seus cabelos loiros compridos que só ressaltavam seus olhos azuis, dois vitrais que transpareciam a beleza de sua alma transformada.
Ali estava ela, de cadeira de rodas, ao lado de sua irmã, na beira da areia mirando o mar. Seus olhos resplandeciam a emoção. Era a primeira vez que se dispusera a ver o oceano após dois anos de árduas sessões de fisioterapia. O seu sorriso lembrava uma menina ao ganhar um ursinho de seu pai. Mas já não era mais a menina de antes. Seus olhos agora eram marcados de luta e mágoas, eram bonitos e profundos, não mais de uma menina qualquer.
Aquele era um momento mágico, as pessoas fitavam Marta. Sua irmã ficara primeiramente um pouco constrangida, mas para Marta aquilo não importava. Seu sorriso ia de orelha a orelha, ria com os olhos, ria com a alma. Ela finalmente estava de fronte com seu velho amigo, o mar que se punha de um azul turquesa clarificado pelo seu irmão sol. Tinha ali na praia grandes lembranças de um tempo alegre, de bronzeados, de paqueras, de brincadeiras com os amigos...
Ah o sol... iluminando seus cabelos longos, lisos, loiros, lindos! Se pedissem para descrever a felicidade, descreveria não um exemplo de vida qualquer de uma personalidade bem sucedida qualquer. Descreveria sim aquele momento, aquele olhar, aquele sorriso. Uma fração de tempo imortalizada na lembrança do universo. Um ser belo, esguio em sua cadeira mirando o horizonte, sem se importar com os olhos curiosos dos que a entornavam. Fez-se bela a conquista, a conquista de um recomeçar... Nunca mais veríamos àquela felicidade, daquele momento, naqueles olhos. Um momento que se perderia no espaço e no tempo, só não se perderia de nossas lembranças...
Marta recebeu ajuda, sentou-se na areia morna que se esparramava macia por entre seus dedos. Um matar da saudade... Pediu para que a levassem para perto das ondas pequenas que quebravam em estalidos suaves de espuma. Sentou ali e fitou mais uma vez o oceano imenso. Sentiu-se acolhida... As ondas batiam em suas pernas inertes. Mesmo assim a sua face se mostrava contente e erguida ao sol poente. O mar agora era mais calmo, se misturava ao laranja cada vez mais plúmbeo e sereno. Lembrou seus duros anos após o acidente. Uma lágrima se misturou ao oceano. Olhou para trás como que recordando sua nova vida, olhou mais uma vez o horizonte, inspirou um sopro de novo ânimo e molhou seus cabelos no mar com os olhos fechados e tranqüilos, finalmente em paz...
Assim se fez aquele momento... A vida por fim, enquanto vida, se renova...
(como uma onda do mar!!)
Fernando Wolf
segunda-feira, 6 de junho de 2011
sábado, 28 de maio de 2011
Quem dera um dia, só mais um dia, ainda sentir a alegria
De jogar mentiras ao vento e gargalhar por sobre o tempo
Fazer sentir a fantasia de uma felicidade desmedida
Sem pressa, o fazer do amor nosso belo defeito
Em um universo reinventado, dançando melodias do peito
Foi ali, num desdobrar do tempo, como que sem aviso, que o mundo sucumbiu às intempéries da ironia e já de fala fria, o amor se esvaiu em lágrimas. Por fim se fez nostálgico mais uma vez...
Há um pouquinho de verso no meu coração
Há um pouquinho de prosa pedindo perdão
Que faça deste amor uma vez enrustido
Que se lave, aflore e ganhe motivos
De nunca, mas nunca chorar demais e em vão
Fernando Wolf
quinta-feira, 26 de maio de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Discorrer sobre a morte
Bem e se não pensamos na velhice quiçá na morte. Só pensamos realmente em “pendurar as chuteiras” na medida em que estamos mais próximos a esse rito de passagem, quando estamos já envelhecendo. Também pudera, é a ordem natural das coisas (!) – pensava eu. No entanto, talvez um dia, não ache mais tão natural, pois ali estará a dona morte circundando meu quintal. Talvez um dia, com as faces enrugadas, olhe aquela capa preta e diga: “Natural é o cacete! Se mande desta casa e não me perturbe mais”. Ainda estou na tranqüilidade da juventude, ainda não me é conhecida essa sensação de que tanto falam, muito longe para julgar, mesmo que ao acaso por vezes, ela venha me espiar de perto, num dirigir embriagado, num mergulhar despreparado, ou mesmo num andar distraído...
Uma das senhoras componentes da roda foi enfática: “Vivemos para aprender a morrer. Havia um conhecido vivente de uma região rural da região, que sempre se preparou mentalmente para a morte. – imagino que nem tão “sempre” assim – Quando num belo dia de sol, com toda a família reunida, após terem matado um porco e já guardado a carne, o velho senhor se pronunciou aos filhos dizendo que iria descansar. Foi dormir e faleceu naquele dia como havia dito que gostaria de morrer.” Pensei com certa aflição: “que triste perspectiva desta vida. Dedicar os dias a refletir como morrer quando esta passagem só se dá uma vez e a vida se dá todos os dias”.
Não bastava, outrem complementou: “A cada dia, morremos um dia.” Pensei “a velha história do copo meio cheio e meio vazio”.
Minhas convicções naqueles dias eram de que deveríamos enxergar a vida através de suas melhores perspectivas. Se a vida nos é dada, qual melhor forma de recebê-la senão vivendo-a e não “morrendo-a”. Ora bolas, fui dormir.
Mas não conseguia fechar os olhos naquela noite. A morte foi já foi tão evitada por outras vezes e agora não conseguia parar de pensá-la. Afinal qual era o problema de pensar numa outra perspectiva? O pensar na morte não me mataria, por ora... não necessariamente se tornaria algo pétreo.
Veja você, caro leitor fadigado com tantos causos, se a morte não parece mais amena da forma que segue. Proponha-se o seguinte: viveríamos da mesma forma se enxergássemos a vida com os olhos de quem enxerga a morte de perto?
Pensemos mais profundamente sobre esta situação hipotética. Imaginemo-nos em nosso leito de morte ainda com nossas faculdades mentais intactas. O que neste momento estaríamos pensando sobre nossas vidas?
Estaríamos pensando em uns mil réis a mais ou a menos na conta bancária? Ou nos beijos a mais ou a menos que demos no nosso bem amado? Pensaríamos no tipo de carro que está garagem? Ou nas lembranças de nossos filhos jogando pingue-pongue ali mesmo? Pensaríamos nas vinganças as nossas desavenças? Ou no cativar dos sorrisos tão prontos de nossos amores? Gostaríamos de ter brindado a morte de inimigos a exemplo de Afegãos e Americanos? Ou ter celebrado gols de placa do Brasil contra a Argentina? Amor ou ódio? Lembranças ou bens?
É aí que aquela frase “morremos a cada dia” passa a fazer mais sentido, pois se morremos a cada dia, que possamos dar o melhor sentido a nossas vidas, a cada dia. Que vocês possam achar assim, cada um do seu jeito, um modo mais sábio de se viver. Segue em versos então, o meu repensar da morte, um repensar da vida:
Penso em mim morrendo
Sentindo o sol bater morno em meu rosto
Cheirando o aroma de terra molhada
Lavando as mãos em água limpa da fonte
Ouvindo gritos de brincadeiras não guardadas
Afagado por olhos iluminados de amor
Tudo muito claro e brilhante
A vida andante
Que vem a minha morte alegrar...
Fernando Wolf
quarta-feira, 4 de maio de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Amor pequeno
Gente que vai, gente que pouco viu
Desfalecem na angina de nossas almas
Que choram por almas pequeninas
Levadas muito cedo, cedo de mais...
Tinham nas mãos o pulsar da vida
Eram futuros pintores geniais de suas histórias
Futuros interrompidos, risadas subtraídas
Amores não vividos... Vento leva frágil...
O sangue machuca, ferve em lágrimas
Dói mesmo em olhos muito machucados
O horror não nos amortizou ainda
Um mero consolo ao inconsolável
Eram tão amadas, tão vivas, tão belas!
Interromperam o amor sem aviso
E dos que ficaram no vendaval
Ainda ali o amor com os de mesma dor
Algo em mim diz que foi ato sem amor
Foi brisa fria sem sentimento
Um coração que não batia direito
Ainda não vejo raiva, só dor...
Indigerível senão fosse o tempo
Talvez um sempre, um eterno entalar na goela
As chagas ainda estão abertas...
O vento ora sopra ora queima a pele
Meu Deus... Eram tão pequeninas de vida...
Flutuam agora em brisas macias
E lembranças de amor sopram seus rostos
Vão com Deus pequeninos amados
Dedicado às vítimas da escola do Realengo
Fernando Wolf
quinta-feira, 7 de abril de 2011
A sensatez já pousaria por sobre as letras
E meu coração já não teria mais tinta
Não haveria borrões nem letras tremidas
As palavras seriam suaves e redondas
Quem dera escrever-te palavras de agosto
O sabor já seria mais doce e palatável
A madeira já estaria seca para queimar
A passarada migrante já estaria na Patagônia
E os jardins seriam de grama verde sem flores
O tempo seria cinza e ameno
Os campos esperariam nova safra de trigo
A terra guarneceria seus minerais
A água esperaria o molhar de outras plantas
E o amor presente se faria inerte...
Janeiro, minha cara, é ainda temporal
Tudo é tão quente que dói na pele
A água efervescente jorra nos vales
As lástimas perduram nas nascentes
E as laranjas caem podres de desilusão
Mas minha cara! Agosto ainda virá!
Repousaremos cada um sob seu campo
E beberemos vinhos de carvalho velho
Mirando as estrelas que por outras noites
Alumiaram as nossas mais belas lembranças
Por agora, só me resta esperar o mês de agosto...
Fernando Wolf
Todas as formas ainda ressurgem em meu peito
O amor que a seu despeito vem falar comigo
Chama o coração para vir te ver e faz crer
Que um dia você vai ligar dizendo, ainda te amo
Miro os prédios que ao sol se mostram insólitos
Se de saudades vou ao parque caminhar
Ainda espero sem pressa meu coração parar...
(que lógica tem?)
Sempre sozinho porque quero ser mais algum
Um ser desalmado que já não mais acuado
Se faz triste pelas ruas a sonhar
O dia em que poderá novamente, tua boca beijar
Fernando Wolf - ai ventrículo!
Fernando Wolf - ai ventrículo!
sábado, 2 de abril de 2011
Era um sonho
Estávamos em uma roda entre grandes amigos e colegas de faculdade. Grandes camaradas que me marcaram com certeza, destes que vem para possuir as mais vivazes lembranças de nossas mentes. Estavam todos em uma sala num ambiente muito animado, uma sala simples e pequena. Era uma reunião de reencontro ou despedida não sei bem, mas sentia os dois. Ansiava pelas surpresas que meu mestre guardara. Não era só meu mestre, era de todos. O estimávamos como um grande amigo. Ele iniciou fazendo pequenas homenagens a fatos ocorridos durante a nossa convivência. Mostrava fotos de meu amigo e suas extravagâncias e todos riam. Assim, meu mestre se fazia muito amoroso sempre fazendo questão que cada pessoa ali soubesse o quanto significava na sua vida e o quanto ele tinha amor por cada um.
Mas algo não me parecia certo ali. Meu nome não vinha, e tinha a angústia de querer ganhar aquele amor, ao mesmo tempo sentindo que não havia plantado tanto amor quanto as outras pessoas. Estava irritado. Até que chegou a minha vez de falar. Nisso me interrompe um ser. Era uma mulher numa cama, era quem eu amava. Não tinha face conhecida, mas sentia que a amava. Ela estava pálida, caquética algo como um paciente terminal. Ela estava ao lado de outros que tinham amor por ela e eles como eu, sabiam que ela iria morrer em breve. Eu, mesmo assim, diante de todos, consumido pelo ódio de não ter recebido aquele amor desejado, a xinguei. Era como uma vingança por todas as mágoas que ficaram entre nós. Falava mal daquele ser frágil e pálido consumido pela sua doença. Ela não chorou, ela somente se absteve. Os que estavam em volta a confortaram.
Foi então que meu mestre deu um presente de algum significado e a abraçou, falou quanto ela era especial e significava a todos. Houve uma mudança nos meus sentimentos. Eu vi a mim mesmo e não gostei. Eu vi quão tolo é o que guarda mágoas e se priva de amar. Nisto, despreocupo-me se ganharia uma homenagem ou não, solicito permissão dos que estavam envolta dela e me aproximo. Ela me olhou com ternura e se levantou com dificuldade. Eu peguei em sua mão, nos abraçamos e nos despedimos em lágrimas.
Acordei... Meu peito abrigava algo ainda estranho. Pensei o quanto aquilo estava carregado de significado. Duas grandes lições logo me vieram...
O maior presente que podemos ter é a capacidade de amar aos outros e poder demonstrar isso. Só chegamos a este ponto amando a nós mesmos. Do contrário muito pouco temos a dar e acabamos por permanecer num estado egoísta. Era meu mestre me ensinando, me dando um grande presente. Se buscava um sentido em minha vida, um propósito, este me pareceu o mais autêntico... A paz se restabeleceu em meu peito.
A segunda lição foi de que amores nascem e morrem em nós. Alguns podemos carregar juntos sempre até a nossa partida deste mundo. Senti que nossos amores podem vir junto a mágoas sejam elas coerentes ou não. Infelizes seremos se deixarmos o ódio dominar as nossas mais doces lembranças. Triste daquele que não consegue ver a efemeridade da vida e perdoar a si e a quem amou pelas mágoas deixadas. O amor e somente o amor pode trazer um significado digno a nossa passagem e aos mais diferentes tipos de vida que escolhermos neste mundo. Se não fizermos do amor nosso presente, quando olharmos para trás nos restará muito pouco. Dê amor e ganhe vida.
Hoje eu tive um sonho que mudou a minha vida de alguma forma.
Marcadores:
amor,
aprendizado,
dar amor,
era um sonho
segunda-feira, 21 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
Verde aquarela
Mosaicos fluidos de aquarela
Permeiam as curvas dos seus seios
As flores de um jardim sereno
Lambem o colorido das suas janelas
Vidros verdes adocicados por mel
Já em outras vidas trouxeram-me o céu
Musa alada apresenta-me o néctar
Tem o cheiro de lavanda do campo
De noites mal dormidas,
De aventuras de corações dançantes
Sob a majestade prata, a luz do luar
Tira meu sono, faz do amor meu mar
Brincadeiras negociam meu calor
Os desvaraidos invejam seu caminhar
Que em transe, joga besteiras no infinito
Arranca meu sossego, procura minhas insônias
Dançamos como dois aprendizes do amor
À melodia que rege, sem pressa, seu esplendor
Sempre amada não conheces o distante
Ao perto conheces a flor que desabrocha
E o cheiro das pétalas perfumadas da boca
À luz da companhia da pele sua
Ao longe descobres o cravo em seu covil
Que de amor por ti, triste sob a terra, se viu
Alegrias meus olhos choram por rever
A terras que me façam íntimo de teu ventre
Verte novamente do peito minha magia
Ao fim da noite, com a rosa mais uma vez
Desfaleçe em ternura sua cabeça em meu peito
Se um dia morrer, quero que seja deste jeito...
Fernando Wolf
Permeiam as curvas dos seus seios
As flores de um jardim sereno
Lambem o colorido das suas janelas
Vidros verdes adocicados por mel
Já em outras vidas trouxeram-me o céu
Musa alada apresenta-me o néctar
Tem o cheiro de lavanda do campo
De noites mal dormidas,
De aventuras de corações dançantes
Sob a majestade prata, a luz do luar
Tira meu sono, faz do amor meu mar
Brincadeiras negociam meu calor
Os desvaraidos invejam seu caminhar
Que em transe, joga besteiras no infinito
Arranca meu sossego, procura minhas insônias
Dançamos como dois aprendizes do amor
À melodia que rege, sem pressa, seu esplendor
Sempre amada não conheces o distante
Ao perto conheces a flor que desabrocha
E o cheiro das pétalas perfumadas da boca
À luz da companhia da pele sua
Ao longe descobres o cravo em seu covil
Que de amor por ti, triste sob a terra, se viu
Alegrias meus olhos choram por rever
A terras que me façam íntimo de teu ventre
Verte novamente do peito minha magia
Ao fim da noite, com a rosa mais uma vez
Desfaleçe em ternura sua cabeça em meu peito
Se um dia morrer, quero que seja deste jeito...
Fernando Wolf
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Visão de um solteiro sobre a vida de casado: primeiro ato
Num primeiro momento, sempre via que o ato de casar representava uma desistência frente ao cansaço à vida de solteiro. Achava portanto, homens casados, desertores de seu pelotão na batalha de uma vida a ser desbravada.
No entanto, algo em mim já desmerecia esse pensamento estereotipado. Uma frase de um professor de faculdade me veio à mente: Frente ao desconhecido, o ser humano tende a desqualificá-lo. É o que fazemos naturalmente, enquanto mentes desprevenidas. Olhamos a um com vestes mais extravagantes, já o enquadramos nos estereótipos mais vis por não olharmos um pouco além – o José amigo da Clara, que gosta de jogar futebol nos finais de semana e é gentil mesmo quando lhe ofendem. Afinal os padrões comportamentais mais fáceis nem sempre são os mais inteligentes. Vejam que submetendo a todos a estereótipos padrões, perdemos oportunidades de conhecer pessoas extremamente interessantes com vivências diferentes da nossa, limitamos o nosso aprendizado e crescimento.
Assim era eu com os casados. Mas tanto estando em relacionamentos ou estando fora deles, me angustiava ao vê-los ao lado de suas esposas “submetendo-se” a perder o “melhor” da festa. Por sorte aprendi que os outros podem ser belos espelhos de nossas almas. Havia algo de projetado de mim nos outros que me fazia sentir aquela angústia. Mas o que havia de ser?
Não achando respostas num primeiro momento, comecei a freqüentar festas e mais festa, acompanhadas de bebidas e euforias, sempre atrás de relacionamentos efêmeros que acalentassem a solidão que hora ou outra batia a minha porta – sempre acompanhado de companheiros de igual situação. Não entendia de onde vinha em mim a necessidade de uma eterna repetição de fatos e padrões comportamentais fúteis de caráter autodestrutivo. Era visível, quase que como uma droga, não me conseguia ver livre de atos que justamente me mantinham na superfície de meu eu. Obviamente havia um abismo a ser explorado.
Certa monta, estava eu em um jantar onde o público era diferente do que eu estava habituado, pois se tratava de homens feitos e não de jovens. Sentei-me então ao lado de um homem de seus quarenta e poucos anos e troquei assuntos levianos como de costume. O papo começou a aprofundar-se após a quarta taça de um Malbec argentino. Discorria sobre as minhas aventuras nos últimos tempos, de minha insatisfação com meus relacionamentos cada vez mais superficiais. Falava com orgulho de minhas investidas em terapias para autodesenvolvimento, para me preparar justamente às agruras da vida que me aguardavam. O homem me ouvia com atenção, como com olhos de um velho sábio. Via neste amigo uma empatia e ao mesmo tempo uma compreensão que transcendia a tudo. Após eu cessar a conversa vieram as palavras que me fizeram ver a vida diferente...
Agora aquele senhor, segurando uma taça entre os dedos, já demonstrava com os olhos úmidos sua emoção. Era nítido que via em meus erros os seus de um passado mais longínquo. Ele então pronunciou meu nome e passou a discorrer sobre sua vida. Falou de seus negócios, de suas falências, de seus relacionamentos amorosos e suas decepções, de suas mudanças de rumos, os questionamentos a sua fé até chegar ao que vive hoje, ao lado de seus filhos e sua segunda esposa com sua empresa que navega sob bons ventos.
Pois foi com só através de seus erros, dizia ele, que hoje ele pode ajudar pessoas que vivem uma seqüência de erros em suas vidas – na sua empresa, na sua família – não mais reprimindo como já o foi outras vezes, mas mostrando a grandiosidade que os erros nos proporcionam no aprendizado e o poder de transformação que pode ter se bem conduzido o recomeço dos atos.
Por isso, complementava, só há um jeito de viver a vida de forma plena: gastando-a. Se pensas em ter filhos, tenha três! Se pensas em casar, case de uma vez e se não der certo “recase” quantas vezes for. Invista! Vá a falência se for, mas arrisque a vida, não importa os caminhos que ela levar, só há um modo de saber, gastando-a!
Meus ouvidos ficaram surdos e nas horas seguintes da festa, aquele conselho ainda ecoava na minha mente. Nunca me esquecerei daquela noite. A partir dali passei a admirar pessoas que conseguem gastar com sabedoria suas vidas. Passei a admirar os que casavam, a admirar os que separavam e continuavam suas vidas, os que tinham filhos, os grandes corações que adotavam filhos, os que viajavam, os que beijavam apaixonadamente, os que trabalhavam, os que procuravam empregos, os que mudavam de carreiras... Enfim achei mais um motivo para gostar da vida e os medos já não me paralisavam mais.
Visão de um solteiro sobre a vida de casado: segundo ato
A partir do momento que não se exclui mais o casamento, ele passa a ser questionado se e quando irá convir na sua vida. A questão é, porque as pessoas se casam?
Primeiro o amor (!) é claro. Seria a argamassa que junta todos os tijolos e dão estabilidade às paredes e pilares evitando que a casa desmorone de vez. Sim, o amor se faz presente em namoros, existe ainda o amor platônico e outros amores das mais diferentes formas. Vemos então exemplos dos que se amam e não são casados, ou ainda não se casaram – veja aqui o casamento como uma união com hábitos de um casamento não necessariamente passado no papel. Pois assim, com tantos exemplos, vemos que o amor não é sinônimo de casamento e, pelo que vejo por vezes, vice-versa.
Outros acreditam que o casamento é uma questão de conveniências. Se me é conveniente, me caso. Por exemplo, se estou em um namoro há algum tempo e ganho um aumento que torna o casamento financeiramente viável, me caso. Ou estou com 35 anos e meu Deus, preciso me casar! Pois acrescento... A duração do matrimonio é diretamente proporcional a força das conveniências que se estabelecem com o casamento já em vigência. Entram em jogo filhos, imóveis, profissão e salário de ambos, dentre outros. Se você tem dez conveniências estabelecidas e dentre estas, duas não lhe agradam, pois pense bem se quer perder as outras oito boas, o contrário é verdadeiro. A proporção e intensidade das conveniências variam é claro, com diferentes valores e significações que os casais dão a elas. No entanto vejo como muito mais complexo um relacionamento que justificado por simples conveniências.
Temos então o amor e as conveniências estabelecidas, mas o desejo de casar me parece mais profundo. Pois em parte suponho que seria daquela necessidade que carregamos desde a infância de “pertencer”. Pertencer a algo, ter um papel, um lugar. A partir deste sentimento o individuo começa a projetar em relacionamentos outros a sua vontade de pertencer àquele sistema. O sistema que não é garantia de felicidade, no entanto é “habitável” como citado pelo livro de Roland Barthes em “Fragmentos de um Discurso Amoroso”. Ele projeta então as estruturas de um relacionamento: a sogra que cozinha pratos especiais ao genro, o sogro que traz cerveja gelada para assistir ao campeonato, o cunhado ciumento que atazana a vida do casal, o cachorro, o vizinho, o ciúmes e assim por diante. Sabe-se que terá seus desconfortos, mas ali encontrará estruturas montadas de relacionamentos e vínculos que seriam como um teto para um sem-teto (o solteiro).
Frente a todas essas suposições, pode-se afirmar que só há uma forma para definir fidedignamente o que significa um casamento: casando! Pois, aí que vos afirmo que até agora foi de tudo um devaneio de um solteiro. Daqui a uns anos as escritas estarão sujeitas a serem mais verossímeis.
Fernando Wolf
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Deste papel saem palavras de orvalho
Acariciam as flores de um Ipê
Que encantam os olhos e amortizam a retina
Logo abaixo vem a terra e o capim
Molhados pelo néctar da água e do ar
Junto, a sensação ao toque da madeira
Posso sentir o cheiro nas mãos
Os sentidos já me marcaram a alma
Em silenciosos jardins que visitei outrora
Vislumbro a aurora boreal de Ipês
Deito sobre o remanso de um passado longínquo
E descanso sob lembranças com cheiro de mato
Fernando Wolf
Acariciam as flores de um Ipê
Que encantam os olhos e amortizam a retina
Logo abaixo vem a terra e o capim
Molhados pelo néctar da água e do ar
Junto, a sensação ao toque da madeira
Posso sentir o cheiro nas mãos
Os sentidos já me marcaram a alma
Em silenciosos jardins que visitei outrora
Vislumbro a aurora boreal de Ipês
Deito sobre o remanso de um passado longínquo
E descanso sob lembranças com cheiro de mato
Fernando Wolf
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Dedicatória ao eu
Se escrevo, nao cabe rascunhar a outros
Pois penso no erro
E os erros estão com os outros
A mim, se só a mim escrevo
O certo está no erro e o erro é certo
Fernando Wolf
Pois penso no erro
E os erros estão com os outros
A mim, se só a mim escrevo
O certo está no erro e o erro é certo
Fernando Wolf
Assinar:
Postagens (Atom)




