quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

sábado, 1 de janeiro de 2011

Um coração

Tão simples os sentimentos

Tão complicado senti-los

Ora o amor que bate a porta

Ora a cumplicidade a um desafeto

Como pode o tempo ser o único senhor de um coração?

Capaz de simplificar sentimentos inexplicáveis ao agora, somente ele...

Os neurônios inutilmente tentam, tentam e finalmente se cansam

Percebem sua inútil força ao reger um coração arredio

Vem o amor, vêm os tropeços de uma alma distraída

Vem a dor, vem o desalento de uma alma contida

Vem o tempo, vem o anseio de um coração por nova vida.





Fernando Wolf

sábado, 25 de dezembro de 2010

Mar que envolve a pele com ternura

Oceano infinito que dorme nas areias de nossos mundos

Nas noites quentes de verão seu perfume vem de encontro ao rosto

Faz-nos caricias que lembram com prazer o que já se foi

O nascer e morrer do seu irmão iluminado o faz ainda mais belo

Hipnotiza até o mais precavido

Só por estar ali, já governas os poemas mais apaixonados





Mar sombrio de águas desconhecidas

Seu horizonte reto guarda seus mistérios

Suas águas são plúmbeas e gélidas, qual o medo em meu peito

Guarda histórias de mágoas e naufrágios já esquecidos pelo tempo

Ora outra engole sem pudor a vida tão frágil

Imprevisível, da placidez a tormenta, muda seu humor

Mostra seu poder sem razão, daí a sua imensidão.





Vejo o mar ao longe, ele me convida a um passeio

Amigável quais outras épocas em que me jogava sem medo nos seus devaneios

Mas tantas vezes já me mostrou sua força

Imprevisível tal qual a vida

O mar que oferta é irmão próximo dum oceano que leva

Perene dubiedade, hora pai impetuoso hora mãe afável

Neste eterno ir e vir





Oceano de imensidão sem fim

Mostra-se também finito ao esbravejo de suas ondas

Ao te mirar, vejo a vida como é

E ao banhar-me em suas águas me sinto vivo

Vou ao mar, vou à vida, sinto sua fúria





Mar, ó mar, me leve a portos que eu desejar

Mas se me desejares outros destinos, que sopre minhas velas sem exitar

Ao menos estarei em algum lugar, não só a te admirar

Ao menos saberei que fui ao mar.



Fernando Wolf

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Por que tão dura és, sua tez

Quando tão bela és, sua alma

O amor tão inocente aguarda seus sorrisos indecentes

Lembro dos seus olhos recitando poemas de doçuras

Quão nostálgica é alegria da infância

Eram as maçãs de seus olhos minhas,

Minhas brincadeiras, suas doces gargalhadas

O mundo mostrou já que pode parecer repleto de ascos

O dia pode nascer cinza por vezes

Mas minha cara, você é rara

De você pode nascer de novo,

Um amanhecer de risos e afagos por vezes esquecidos

Mas que se quiseres lembrar

Basta olhar o seu caminhar

Lá estamos, felizes, mirando o horizonte...



Fernando Wolf

A minha irmã Natália

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Em minhas jornadas eles sempre estavam lá para me guardar


Criei uma fantástica ilusão hipnótica de que tê-los ao meu lado é algo natural, perene.

Sinto a segurança da disponibilidade de sempre encontrar afago frente às feridas e cóleras de meu ser.

Um sempre, sempre em meu discurso. Que bom se fosse assim, sempre!

Ganho carinhos outros, mas estes diferentes não em qualidade ou quantidade, os afagos são simplesmente únicos em sua essência.

Se disserem que é o sangue, considero simplório por demais.

Como botar em palavras esta sintonia que transcende qualquer explicação psicanalítica.

Amar sim, mas amar seres por amar, da forma mais pura possível.

Será um instinto primitivo de sobrevivência? Pois se for, quão sábia é a natureza!

É ela mãe dos homens que encontra um meio de ecoar um mesmo amor por gerações

Se me amam hoje, me ensinam a amar o amanhã, e com um quê de sorte esse amor será novamente ensinado.

O ciclo se fecha e se abre ininterrupto da forma mais bela imaginável

Por estes, meus progenitores, mesmo quando ao longe, sempre em meu peito,

Sempre um eterno ressoar de um amor incondicional, minha maior herança.



Fernando Wolf

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

No limiar das águas, me despeço

A tensão da superfície é frágil

Bebo da lembrança de um beijo esquecido

Tenho em mim a tristeza de meu banzo

De uma terra de vivaz aquarela

De mares revoltos

Que ora brandos batiam em areias paradisíacas

Agora em fogo de insensatez de um incerto

Há o contento de um dia amar como amei

De sorrir frente à nova peça contida em outros emoldurados

Será um dia o azul tão vivaz quanto o turquesa que me mostraste?

Se trouxer a lembrança, igual nunca será!

Amarei diferente,

Da forma menos distante possível da que me ensinaste certa vez,

Pois é desta que aprendi a amar mais,

É desta maneira o meu novo amor, seu amor.



Fernando Wolf

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Minha vida por um crânio

Movo meu crânio e vejo-o tomando formas

Agito essas formas por ai

Vejo de dentro do crânio as reações frente ao meu crânio

Interessante movimento de carne e pele envolvente

Um dia atraente no outro descontente

Sigo sempre, levo meu crânio a passear

Vêm tempos modernos e meu crânio se expande

Tenho crânios fragmentados em todo um mundo

Tenho paixões que minha carne e ossos nunca tocaram

Tenho e não tenho

Desfruto o ar que bate na minha fronte e a endorfina que desfalece em meus neurônios

Quem pode estar, está ao longe tão perto

Fantástico mundo novo,

Virtual a mim e a meu crânio

Dilacera meu ser que há de ser mais um fragmento de um todo

Um todo global, um ser só, um milhão de crânios, um zilhão de tudo.

 
Fernando Wolf

domingo, 24 de outubro de 2010

Indiferente zelo
Depois de tanto ainda canto
Melodia sem cor
Minha face expressa meu dissabor
Tantos cantos proferidos
Sem saber quem me ouvia
Quero sim minha magia
Sem ela tudo é sem graça
Quero a cor de um amor de pirraça

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Acredite, não há alto nem baixo, há nisto uma ilusão. Há unicamente uma constante mudança e com sorte, um relativo aprendizado.

Fernando Wolf

domingo, 17 de outubro de 2010

Meu bem

Ah... Este teatro que montaste para mim
Coleciono mais um cravo em meu jardim
Afago meu desejo de sonhar

Ingrato! Da minha beleza não tomaste parte
Saíste pela culatra em seu estandarte
Já não quero mais brincar

Eunuco! Eu te xingo seu maluco
E guarde meu Deus seu trabuco
Chega de me provocar

Te lambo com a ânsia de meu ventre
Mas acabo descontente
Na platéia mais uma vez a chorar

Seu palhaço! Agora não tens mais nada
De mim nem um pedaço
Vamos festejar!

Adeus! Deixo-te beijos meus
Só para te lembrar
Que comigo não podes mais ficar

Fernando Wolf

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dotô operário

Entre um e outro
Minha alma se esvai
Mais um, mais dois, mais cem
Tempo para! Não para...
José, João, Josefina
Preto, branco, jovem, velho
Velho tempo que se passa
Já não sei quantos contei
Minha espinha já se curvou
Meu espírito também
Quando pensava: que mal tem?
Vinham mais Josés
Há de convir, penoso é para todos
Mais para os Josés das caras rachadas
Judiados esquecidos de uma nação
Nação de cegos seletos
Nação onde comandantes se blindam
Não vêem o que seus tanques atropelam
Ora bolas!
Somos cegos, só nos damos com outros amauróticos
Aos outros não precisamos nem queremos enxergar
Que sirvam de estradas

Fernando Wolf

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Reinventado

Mãe, matei um garoto
Como na música
Foi na última noite
No último sonho
Minhas próprias armas, Tânato usou
Tudo o que persegui deixei para trás
Hoje velo o menino dos sonhos de teus olhos
Mãe, eu matei
Nada mais restou do garoto
Nada mais do que você sonhou
Aqui jazem somente as reais entranhas de meu eu
Desculpe, mas eu precisava jogar o menino aos lobos
Ele já não me servia mais
Neste mundo tão real
O amargor não permite ilusões
A precariedade dos seres sufoca garotos desprevenidos
Tive que fazê-lo
Quero a placidez de volta
A infância lá do longe
Sim, disponho agora da aridez da vida
E não adianta voltar
Resta seguir com o que sobrou
Mãe, agora estou só neste mundo
Tenho que remar adiante
Novos oceanos desbravar
E quem sabe um dia,
Por entre o perene tempo,
Possa desfrutar de uma infância reinventada
E repousar meu corpo cansado
Em tempestades que já não me façam mais chorar

Fernando Wolf

terça-feira, 5 de outubro de 2010